domingo, 25 de janeiro de 2026

 A CAVERNA 

Ler e o hábito da leitura é uma poderosa ferramenta que promove, através do conhecimento, que sejamos melhores seres humanos, bons homens e mulheres, conscientes, esclarecidos e solidários. Vem isto a propósito da transcrição de um diálogo supostamente ocorrido entre duas pessoas, na cidade de São Paulo; uma esclarecida e outra vivendo na sua caverna. Eis a descrição com a devida vénia:


"Bom dia não é só um cumprimento.

Às vezes é um choque de realidade.

Hoje, voltando do trabalho — madrugada inteira nas costas, corpo cansado, olhos pesados — eu estava sentado no metrô de São Paulo, rumo à minha querida Zona Leste, Itaquera. Sábado, 9h da manhã. O Brasil real acordando cedo. O Brasil que não tem motorista, não tem helicóptero, não tem sobrenome histórico. Só tem boleto, sono e dignidade.

Um senhor sentou ao meu lado.

Pegou o telefone.

E começou o ritual de sempre — aquele mantra repetido por quem nunca parou pra pensar:

“Esquerdista é vagabundo, ignorante, pobre…”

Eu ouvi calado.

Respirei.

Esperei ele desligar.

Aí falei:

— Bom dia, senhor. Por que tanto ódio?

E não dei tempo de resposta.

Porque algumas ideias precisam ser desmontadas antes de se defenderem.

Disse com calma, mas com precisão cirúrgica:

— O senhor deve ser muito rico, né? Andando de metrô sábado às 9 da manhã…

— Seu motorista deve estar de folga hoje?

— Seus filhos são donos de grandes empresas?

— Seus netos estão estudando fora do Brasil?

Ele começou a diminuir. Literalmente.

O corpo encolheu.

A voz sumiu.

A ideologia começou a tremer.

Até que ele respondeu, meio sem chão:

— Não tenho motorista… meu filho é mecânico… não tenho netos formados…

Aí veio o silêncio constrangedor.

Aquele silêncio que só aparece quando a consciência bate na porta e ninguém quer abrir.

E eu completei, olhando nos olhos:

— Então o senhor não tem vergonha de dizer que é de direita?

— Pelo amor de Deus, o senhor é um pobre de direita e nem sabe ainda.

— Mas ainda dá tempo. Dá tempo de aprender o que é consciência de classe.

— Dá tempo de ler, estudar, pensar… antes de defender governantes que nunca vão te defender.

Desejei bom dia.

Desci em Itaquera.

Ele não desceu.

Acho que não era a estação dele.

Ou talvez… não era mais o mesmo lugar mental de antes.

Porque quando a pessoa percebe que passou a vida defendendo quem nunca esteve do lado dela, a mente trava.

Buga.

Reinicia.

E é aí que mora o maior medo do sistema:

o dia em que o pobre começa a pensar.

Não é a esquerda que assusta.

Não é a política.

Não é o discurso.

É o despertar.

E depois que a consciência de classe acorda…

não há metrô que leve de volta à ignorância.


Ass : André Luiz Thiago também conhecido por André Negrão. "


João Andarilho 

 

NÃO ESQUENTA


"Cada religião assegura que as demais são falsas e todas têm razão "

Andrew Amaurick

sábado, 24 de janeiro de 2026

 DEZANOVE 


João Leirão, a democracia, na minha opinião, não está doente; simplesmente não existe, é uma palavra bonita do dicionário. Portugal viveu um período extraordinário que durou 19 meses, o chamado Processo Revolucionário em Curso PREC, caracterizado pela emancipação da força popular e a expropriação dos meios de produção, a nossa COMUNA, baseada genuinamente numa gestão colectiva das estruturas de produção pelo povo, do povo e para o povo.  Não havia interesses partidários envolvidos. A vontade emanava do povo, num colectivo, onde as terras improdutivas, se tornaram fonte de riqueza para o bem comum. As históricas UCP's , UNIDADES COLECTIVAS DE PRODUÇÃO,  foram um exemplo de como a força do trabalho é um bem que não deve ser explorado em benefício de ninguém em particular, mas resultar em benefício de quem produz e do povo trabalhador.

Esse PREC, sim, é/foi um avanço civilizacional em contraposição à chamada democracia, que não é mais do que um sistema organizado de exploração por parte da burguesia.

João Andarilho 


Autor desconhecido 


Este pequeno texto saiu da minha pena, em jeito de comentário, na página do FB do meu amigo e camarada João Leirão, quando se dissertava sobre democracia e democracia doente.


domingo, 18 de janeiro de 2026

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

 A PORCARIA 

https://open.spotify.com/track/6U2TeRSSbEWQC1HgRr4tOt?si=2p_GLW6NQOu-UwbMXA_r8w



A idade não diminui a intensidade dos sentimentos .

Consegui ouvir. Resisti ao vómito: 15 doses de fluído pustulento escorrendo do álbum Maldoror, tornaram-me imune ao humano alaranjado de quem se fala e tudo o que a figura representa. Porque toda a pestilência cozinhada durante oitenta e nove angustiantes minutos lhe são sumamente e justamente dedicados.

João Andarilho 




terça-feira, 6 de janeiro de 2026

 ARMAGEDDON 


O pânico do Império do Mal e seus vassalos é uma realidade. O ocidente colectivo, o capitalismo selvagem, como doutrina económica e o dominio do Dólar sujo, como grilhetas sobre o resto dos povos, está a acabar. Resulta da história da humanidade que os impérios em implosão deixam um rasto de destruição sem medida. Nessa medida, aparecemos como testemunhas vivas do holocausto.

Bem dito seja o Senhor

João Andarilho




"O  Reino dos Céus só com a morte virá"

Viva la Muerte!"

Mão Morta

 A CAVERNA   Ler e o hábito da leitura é uma poderosa ferramenta que promove, através do conhecimento, que sejamos melhores seres humanos, b...