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quarta-feira, 27 de novembro de 2024

 

LISBOA MENINA E MOÇA



Por razões várias, há bastante tempo que não surgia oportunidade de fazer turismo na minha cidade de Lisboa. Assim sendo e a oportunidade surgindo, andarilhei pela baixa da cidade, sob abençoada chuva outonal, embicando direito à magnífica Praça do Comércio, vulgo Terreiro do Paço, prosseguindo no percurso ribeirinho até ao cais de embarque de Santa Apolónia e subindo por Alfama acima em direção às escadinhas de São Crispim de boa memória. De volta à Praça D. Pedro IV , vulgo Praça do Rossio, mentalmente fiz uma análise rápida à minha caminhada e ao que dela pude concluir. E a conclusão é necessariamente rápida porque despertou-me para a realidade actual da minha cidade:

Destaco uma degradação geral, quer em termos de limpeza e asseio quer em termos urbanísticos, nomeadamente, as ruas com o asfalto degradado e os passeios mal calcetados, as fachadas sujas e cheias de grafitis. A contribuir para a degradação a quantidade absolutamente esmagadora de um meio de transporte que terá vindo para ficar (espero que desapareça), os chamados tuc-tuc, importados de orientais paragens, certamente acompanhando a horda incomensurável de turistas que demanda a nossa capital. Em Alfama, constatei existirem, ainda, moradores originais do bairro, mas que, aos poucos, a criminosa legislação que permitiu a criação de AL e a expulsão dos seus moradores, veio promover a sua descaracterização e apagamento progressivo das suas tradições, assistindo-se à sua tomada por gente estranha, de paragens estranhas, de baixa formação e que só arranha, por necessidade, a língua de Camões.  






Dizem certas pessoas no alto da sua sabedoria e poder discricionário que vivemos num tempo de globalização e de direitos e direitos das minorias e outras patetices para aqui e para acolá. É uma tal sociedade "woke", que para mim mais nada é que uma sociedade oca, sem valores e permissiva ao absurdo e estupidez. Como é óbvio, uma cidade é o espelho da sociedade que nela habita, constatando assim que Lisboa está doente e precisa urgentemente de cura e de outras políticas. 




Posto isto, tristemente levo o coração pesado e a alma amargurada pelo que vi e senti,  lamentando o estado a que isto chegou, não tanto por mim mas pelas gerações vindouras.


João Andarilho.

domingo, 27 de dezembro de 2020

sábado, 13 de julho de 2019



O CASTELO

Por incrível que pareça o "nosso" Castelo de São Jorge como se apresenta hoje em dia, nada tem a ver com aquilo que foi durante as várias dinastias que governaram o país e a cidade. 


Este castelo, tal como está, tem cerca de 80 anos de idade e foi reconstruído entre 1938 e 1940, numa primeira fase, a partir das fundações da fortaleza original. Tudo de acordo com um plano ideológico delineado pelo ditador, no sentido de exaltar o orgulho português e numa altura em que se comemoravam os 800 anos da fundação de Portugal. Uma segunda fase caracterizou-se por obras de restauro e reconstituição do castelo ou fortaleza, o restauro de muralhas da Alcáçova e a abertura de um percurso exterior às muralhas norte e oeste.
O que é um facto é que, longos anos após a última vez que por ali deambulei, resolvi voltar e explorar aquele pedaço da história da nação. Se bem pensei melhor o fiz e em boa hora, porque toda a envolvência que se descobre a nossos pés observada do cimo da colina é, simplesmente, arrebatadora!


 A mais bela cidade do planeta é-nos revelada em todo o seu esplendor! A luz fere-nos a retina, a imponência do estuário separando as margens, esmaga-nos. Ao fundo a Ponte 25 de Abril onde junto ao seu funil na margem sul e na colina adjacente, Cristo Rei nos abraça e nos protege, mau grado os protestos de almadenses a quem supostamente terá virado costas. Ainda na outra margem e em destaque, os antigos estaleiros da Lisnave, espaço de luta e sofrimento de milhares de operários. A magnífica Praça do Comércio, Terreiro do Paço onde o traidor Miguel de Vasconcelos foi defenestrado. 


Mais junto às muralhas o casario do Castelo, de Alfama e da Graça. Ao longe, a Praça D. Pedro IV, mais conhecida pelo Rossio, a Praça da Figueira e o Martim Moniz, de novo entaipado esperando nova intervenção. 




Vislumbra-se, ainda, a Praça dos Restauradores e a colina adjacente que sobe pela Glória até ao Bairro Alto e ao Jardim de São Pedro de Alcântara. A visão e memória  adivinham a Avenida da Liberdade pelo rasto deixado pelo seu arvoredo disposto de uma forma rectilínea em direcção à Praça do Marquês de Pombal, sede dos festejos da bola por parte de adeptos vestidos de encarnado e perante o ar majestoso do Marquês e o  rugir de espanto do Leão.


Mais longe o altivo Sheraton agora ladeado por outro vizinho de envergadura. Para ocidente um casario que não acaba mais e para onde a vista se perde. À nossa frente a frente ribeirinha onde se destaca o novo Terminal de Cruzeiros de Lisboa e a sua envolvência moderna e renovada. 


Mais perto, o Chapitô, ali A Igreja de São Vicente, o Panteão Nacional (ainda tenho uma secreta esperança de ali vir a ser sepultado) e Santa Apolónia.




Descansei um pouco a vista e fui ao encontro do Castelo. Espaço reconstruído e bem preservado vastamente envolvido por vegetação e arvoredo de grande porte, é muito agradável de percorrer e descansar. Para quem estiver interessado em almoçar ou jantar existe a "Casa do Leão" onde pude observar que as refeições, apesar do lugar histórico onde se mostra inserido, não serem demasiado caras. 



 Podemos deambular pelas suas muralhas, visitar um espaço arqueológico  e, ainda o museu, com muito material que foi sendo descoberto ao longo de milhares de escavações. Para sair do museu, obrigatoriamente temos de passar pela loja de "recuerdos". Faz-me lembrar o IKEA.


A estrutura que gere o Castelo é uma estrutura profissional em consonância com os milhares de turistas que o aportam. É impressionante a quantidade de visitantes de todas as nacionalidades que, em levas, sobem a colina em direcção ao Castelo e aos nossos bairros históricos. 


Quem a vê e quem a viu a tua menina e moça ó Beatriz Costa

LISBOA!

João Olíssipo


quinta-feira, 18 de abril de 2019




LISBOA COM HISTÓRIA

Logo ao lado do antigo Braganza Hotel, saindo da Rua Vítor Cordon, entramos pela Rua António Maria Cardoso abaixo em direcção ao Chiado. Chiado Terrace e São Luíz Cine, eram duas casas de cinema que enchiam de gente esta rua do centro de Lisboa. A primeira construída de raiz em 1908 e a segunda, adaptada ao cinema em 1928. Metropolis, de Fritzlang, foi o primeiro filme em cartaz.
Actualmente, o Chiado Terrace é o Consulado-Geral do Brasil.


Nesta rua, funcionou também, até ao 25 de Abril de 1974, a famigerada sede da polícia política do regime fascista, a PIDE/DGS, agora transformado em condomínio de luxo, certamente em homenagem à tortura a que foram submetidos milhares de presos políticos.




A António Maria Cardoso, a Vítor Cordon e a Paiva de Andrada, são três ruas cujos nomes têm a ver com a resposta de Lisboa ao Ultimato inglês de 1890, dado tratarem-se de três exploradores da chamada áfrica portuguesa e que baptizaram, assim, três dos arruamentos da nossa capital.

 A meio desta rua, entroncamos, ainda, com umas escadinhas, a que foi dado o nome de Travessa dos Teatros e que nos levam até ao Largo do Picadeiro mais abaixo.


Chegados ao Largo do Chiado, cumprimentamos António José Chiado, poeta do séc. XVI, na pessoa da sua estátua, que acena prazenteiramente ao poeta Pessoa que, à sua frente, bem sentado e de perna cruzada, aguarda por uma "bica" na Brazileira e finge ignorá-lo.








Decidimos, então, descer a Rua Garret, que se mostrava a abarrotar de turistas, vindos certamente de longínquas paragens, curiosos das nossas gentes e costumes e deparamos com casas cheias de tradição, como são a Paris em Lisboa ou a Livraria Bertrand.

 



 Ao fundo, divisa-se já a frontaria dos outrora famosos Armazéns do Chiado.


Viramos à esquerda e caminhamos pela Rua do Carmo em direcção à Praça D. Pedro IV, mais conhecida como Rossio. Sim, porque uma cidade que se preze tem que ter obrigatoriamente o seu Rossio, mas antes, namoramos com os armazéns Grandela e esticamos o pescoço para alcançar o topo do Elevador de Santa Justa. Não sei como aguenta o peso de tanto turista, tal era a fila para comprar o respectivo bilhete de acesso. 




Sempre por bom caminho seguimos e, finalmente, o Rossio, meta a alcançar, apinhado como de costume. A fome já subsistia, daí que resolvemos petiscar bem no centro da praça, nas barracas de comes e bebes que por estes dias montaram entre os dois lagos do largo e que, assim, deram bastante jeito. 



Olhando rapidamente o perímetro da praça, demos conta que todo o quarteirão de casario que vai da antiga pastelaria Suiça até à antiga Casa Moderna se encontra encerrado, uma vez que, igualmente, vai surgir um empreendimento de luxo para português ver.
Felizmente e olhando pela Rua da Betesga acima, se divisa o Castelo de São Jorge, património nacional e que dificilmente poderá ter semelhante destino, penso eu de que. A ver vamos…

João Olíssipo


O UIVO DE MONTEJUNTO Porque resulta de interesse histórico e natural conhecimento, com a devida vénia se transcreve o texto infra . O Último...