Mostrar mensagens com a etiqueta Introspecção. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Introspecção. Mostrar todas as mensagens

domingo, 8 de março de 2026

 VIVA LA MUERTE 


Autoria própria 


A morte não é o fim, é um princípio, uma ponte, uma travessia. Espero-te, sorrindo agradecido


João Andarilho 

sábado, 5 de agosto de 2023

 TONTICES  




Li algures que as pessoas deveriam fazer coisas chocantes para desbloquearem o espírito. Estou completamente de acordo com este conselho. Funciona como catarse e escancara a hipocrisia. É um instante libertatório. Quando afirmo que não bato bem da bola é um facto, daí não estranhar que alguém se afaste e grite não conhecer este espécime... 😁

Ainda que me considere gente calma, interiormente acontece ferver, ser crítico ainda que procure muito não julgar e ser racional. A irracionalidade advém de alguma circunstância momentânea e traduz aquele acto salutar e libertatório.

Libertem-se e sejam tontos


João Andarilho 


quarta-feira, 28 de agosto de 2019


PORQUÊ?

A carta a Luís Costa, infra, de António Lobo Antunes, publicada na revista "Visão", é um grito desesperado, uma revolta comovida pela condição  humana e que coloca interrogações sobre a precariedade da nossa existência, o sentido da nossa existência e a gritante verdade que nada faz sentido na puta da vida senão a compaixão e o amor entre os seres humanos. O resto é  nada, é  miseria, é podridão e lodo. FODA-SE...

***

Uma carta de António Lobo Antunes para:
Luís Costa



O lugar onde, até hoje, senti mais orgulho em ser pessoa foi o Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria, onde a elegância dos doentes os transforma em reis. Numa das últimas vezes que lá fui encontrei um homem que conheço há muitos anos. Estava tão magro que demorei a perceber quem era. Disse-me


- Abrace-me porque é o último abraço que me dá

durante o abraço

- Tenho muita pena de não acabar a tese de doutoramento

e, ao afastarmo-nos, sorriu. Nunca vi um sorriso com tanta dor entre parêntesis, nunca imaginei que fosse tão bonito.

Com o meu corpo contra o dele veio-me à cabeça, instantâneo, o fragmento de um poema do meu amigo Alexandre O'Neill, que diz que apenas entre os homens, e por eles, vale a pena viver. E descobri-me cheio de respeito e amor. Um rapaz, de cerca de vinte anos, que fazia quimioterapia ao pé de mim, numa determinação tranquila:

- Estou aqui para lutar

e, por estranho que pareça, havia alegria em cada gesto seu. Achei nele o medo também, mais do que o medo, o terror e, ao mesmo tempo que o terror, a coragem e a esperança.

A extraordinária delicadeza e atenção dos médicos, dos enfermeiros, comoveu-me. Tropecei no desespero, no malestar físico, na presença da morte, na surpresa da dor, na horrível solidão da proximidade do fim, que se me afigura de uma injustiça intolerável. Não fomos feitos para isto, fomos feitos para a vida. O cabelo cresce-me de novo, acho-me, fisicamente, como antes, estou a acabar o livro e o meu pensamento desvia-se constantemente para a voz de um homem no meu ouvido

- Acabar a tese de doutoramento, acabar a tese de doutoramento, acabar a tese de doutoramento

porque não aceito a aceitação, porque não aceito a crueldade, porque não aceito que destruam companheiros. A rapariga com a peruca no braço da cadeira. O senhor que não olhava para ninguém, olhava para o vazio. Ali, na sala de quimioterapia, jamais escutei um gemido, jamais vi uma lágrima. Somente feições sérias, de uma seriedade que não topei em mais parte alguma, rostos com o mundo inteiro em cada prega, traços esculpidos a fogo na pele. Vi morrer gente quando era médico, vi morrer gente na guerra, e continuo sem compreender. Isso eu sei que não compreenderei. Que me espanta. Que me faz zangar. Abrace-me porque é o último abraço que me dá: é uma frase que se entenda, esta? Morreu há muito pouco tempo. Foda-se. Perdoem esta palavra mas é a única que me sai. Foda-se. Quando eu era pequeno ninguém morria. Porque carga de água se morre agora, pelo simples facto de eu ter crescido? Morra um homem fique fama, declaravam os contrabandistas da raia. Se tivermos sorte alguém se lembrará de nós com saudade. De mim ficarão os livros. E depois? Tolstoi, no seu diário: sou o melhor; e depois? E depois nada porque a fama é nada.

O que é muito mais do que nada são estas criaturas feridas, a recordação profundamente lancinante de uma peruca de mulher num braço de cadeira. Se eu estivesse ali sozinho, sem ninguém a ver-me, acariciava uma daquelas madeixas horas sem fim. No termo das sessões de quimioterapia as pessoas vão-se embora. Ao desaparecerem na porta penso: o que farão agora? E apetece-me ir com eles, impedir que lhes façam mal:

- Abrace-me porque talvez não seja o último abraço que me dá.

Ao M. foi. E pode afigurar-se estranho mas ainda o trago na pele. Durante quanto tempo vou ficar com ele tatuado? O lugar onde, até hoje, senti mais orgulho em ser pessoa foi o Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria onde a dignidade dos escravos da doença os transforma em gigantes, onde só existem, nas palavras do Luís, Heróis.

Onde só existem Heróis. Não estou doente agora. Não sei se voltarei a estar. Se voltar a estar, embora não chegue aos calcanhares de herói algum, espero comportar-me como um homem. Oxalá o consiga. Como escreveu Torga o destino destina mas o resto é comigo. E é. Muito boa tarde a todos e as melhoras: é assim que se despedem no Serviço de Oncologia. Muito boa tarde a todos e até já, mesmo que seja o último abraço que damos.

João Andarilho 

segunda-feira, 5 de agosto de 2019




LET ME BE ME


gearjunkie.com


"Se estás disposto a sacrificar-te, fazendo o que os outros não, vais acostumar-te a ter pouca companhia..."

Peristilo do Palácio Diocleciano, Património Mundial da Unesco desde 1979, Split.


João Karnazes








terça-feira, 9 de abril de 2019




O VALE DA LUA DE PRATA


A noite, a lua e o luar, fascinação, deslumbramento! Há uma paz, uma tranquilidade e mistério. De repente estou só, apenas eu. O filtro é o luar, sentimentos à flor da pele, extraio de todo o meu âmago, soltam-se os demónios. Em êxtase sonho porque nada o impede, apenas eu... só no mundo dou largas ao sonho. Corro cego num vale de Luz, prenhe dos raios daquela Lua de Prata! No Vale da Lua de Prata o infinito alcanço, livre finalmente, voo! Há paz, o Eu, o Eu…

pixhome.blogspot.in


João Andarilho

  AZIAGO Hoje não está a correr bem o dia. Saio em direcção ao metro Oriente. O objetivo claro é ir à Gulbenkian. Saio em São Sebastião para...