terça-feira, 30 de dezembro de 2025

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025



na hora de pôr a mesa, éramos cinco: o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs
e eu. depois, a minha irmã mais velha
casou-se. depois, a minha irmã mais nova
casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,
na hora de pôr a mesa, somos cinco,
menos a minha irmã mais velha que está
na casa dela, menos a minha irmã mais
nova que está na casa dela, menos o meu
pai, menos a minha mãe viúva. cada um
deles é um lugar vazio nesta mesa onde
como sozinho. mas irão estar sempre aqui.
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.
enquanto um de nós estiver vivo, seremos
sempre cinco.


José Luís Peixoto

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

 DEZEMBRO 

25


A VIAJEM DO SOL

Jesus não podia festejar o seu aniversário porque não tinha dia de nascimento.

No ano 354, os cristãos de Roma decidiram que nascera no dia 25 de Dezembro.

Nesse dia, os pagãos do norte do mundo celebram o fim da noite mais longa do ano e a chegada do deus-sol, que vinha desfazer as trevas. 

O deus-sol tinha chegado a Roma vindo da Pérsia.

Chamava-se Mitra.

Passou a chamar-se Jesus.

Eduardo Galeano

In " Os Filhos dos Dias"


E hoje é o pai natal filho da caca-cola neto de Soros 

João Andarilho 

 LTM



méri cristemas

João Andarilho 

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

 O CARALHO 


Foto de autor desconhecido 


que, às vezes, até é o cesto da gávea


João Andarilho 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

 A MULHER, O CENTRO DO MUNDO 


"Não se nasce mulher, chega-se a ser"


Fonte: internet 


Simone de Beauvoir 

sábado, 6 de dezembro de 2025

 Recebeu apenas 30 libras e a instrução: "Cante sobre a morte, mas sem palavras." Clare Torry improvisou por dois minutos e meio, desabou em lágrimas, e criou uma das performances mais poderosas do rock. Os Pink Floyd, porém, recusaram-se a creditá-la por mais de 32 longos anos.

Esta é a história de Clare Torry, a voz que imortalizou "The Great Gig in the Sky".

Em 1972, os Pink Floyd estavam nos Abbey Road Studios, a gravar um álbum que se tornaria lendário, "The Dark Side of the Moon". Entre temas de vida, tempo e morte, uma faixa instrumental assombrosa sobre a mortalidade, estava quase perfeita, mas ainda parecia incompleta.

Richard Wright havia composto uma peça de piano hipnotizante, e a banda adicionou uma rica instrumentação. Faltava, no entanto, algo essencial: uma voz humana que capturasse a emoção crua e primal da morte.

Não palavras, não letras, apenas sentimento.

Com o tempo apertado, o engenheiro Alan Parsons teve a ideia: ligou para Clare Torry, uma jovem cantora de estúdio que fazia jingles e backing vocals para pagar as contas. " Pode vir hoje à noite? Os Pink Floyd precisam de uma vocalista."

Clare quase recusou, era de última hora e ela mal conhecia a música da banda. Mas Abbey Road era Abbey Road, trabalho era trabalho. Aceitou.

Chegou, sem saber que aquela noite mudaria a história da música para sempre.

A banda tocou a faixa e a instruiu, simplesmente: "Cante."

"Sobre o quê?", perguntou.

"Morte. Mas sem palavras. Apenas... sinta."

Clare hesitou. Como vocalista treinada, estava acostumada a melodia, harmonia e letras. Aquilo era algo completamente diferente, uma nova proposta.

A faixa começou a tocar.  Fechou os olhos. E então, sentiu, profundamente.

O que surgiu não foi canto convencional. Foi luto, puro, não filtrado, a própria dor humana.

Sua voz subiu, voou, lamentou e tremeu, expressando medo, raiva, tristeza, aceitação, transcendência.

Durante dois minutos e meio, Clare Torry canalizou a própria mortalidade, cada nota uma improvisação, cada frase um batimento cardíaco humano confrontando o inevitável.

Quando a faixa terminou, Clare estava a tremer, com lágrimas escorrendo pelo rosto. "Sinto muito", sussurrou, "foi demais. Deixe-me tentar de novo."

Mas a banda sabia a verdade. "Isso foi perfeito", alguém disse, "terminámos."

Ela havia capturado a morte numa voz. No entanto, os Pink Floyd pagaram-lhe as mesmas 30 libras, a taxa padrão por sessão, e deixaram o seu nome fora dos créditos. Os royalties da música foram integralmente para Richard Wright.

Por décadas, Clare permaneceu em silêncio. Mas, com "The Great Gig in the Sky" se tornando lendária, percebeu algo vital: não havia apenas interpretado, havia composto. Cada nota, cada inflexão, cada pico e vale emocional eram dela.

Em 2004, após mais de 30 anos, ela processou os Pink Floyd. Não buscava vingança ou milhões, apenas reconhecimento.

Em 2005, a banda fez um acordo, e Clare Torry foi oficialmente creditada como co-compositora, ao lado de Richard Wright.

Hoje, ao ouvir "The Dark Side of the Moon", o nome dela finalmente aparece nos créditos.

30 libras. Uma noite de domingo. Sem letras. Apenas uma voz.

E a imortalidade.

Porque, às vezes, a música mais poderosa não vem da técnica ou do planeamento. Ela nasce do abandono do controle, da permissão para que a emoção humana mais pura se manifeste.

Clare Torry transformou a morte em som e, sem saber, presenteou o mundo com um momento que viveria para sempre."

https://youtu.be/2PMnJ_Luk_o?si=8ZxM4XZLwBl0AMFL

Não me recordo do autor deste texto que aqui reproduzo, dado o interesse subjacente à estória em questão.

João Andarilho 

 A CAVERNA   Ler e o hábito da leitura é uma poderosa ferramenta que promove, através do conhecimento, que sejamos melhores seres humanos, b...