sexta-feira, 5 de agosto de 2022


JÔ - 1938-2022

Deixou-me hoje o Gordo mais divertido da minha vida... Hoje mudou de palco. Até um dia destes meu Gordo.


Retirado da Internet 

João Andarilho 



A VERDADE SONEGADA


Uma das lições mais tristes da história é a seguinte: se formos enganados durante muito tempo, temos tendência a rejeitar qualquer tipo de fraude. Deixamos de estar interessados em descobrir a verdade. A fraude apanhou-nos. É demasiado doloroso reconhecer, nem que seja para nós mesmos, que fomos enganados. Uma vez que damos a um charlatão poder sobre nós mesmos, quase nunca o recuperamos.

Carl Sagan do livro " O Mundo Infestado de Demónios" 



quinta-feira, 4 de agosto de 2022

PO-RRA-DA

Vivemos nós na antecâmara do fim da nossa existência? Digladiam-se na cena planetária vários actores disputando uma nova ordem mundial, deixando-nos reféns das suas birras e travessuras. O recreio está ao rubro e o senhor contínuo dormiu mal

João Andarilho 



À MORTE NÃO SE TIRAM RETRATOS


"O físico nuclear Frederico Carvalho explicou ao público presente no Espaço 25, ali à Rua Adelino Veiga, o que seria de nós se uma pequena bomba nuclear (dita tática) explodisse sobre Coimbra. O aço do engenho nem precisaria de tocar o chão. A “boa” notícia é a de que, detonada a 800 metros de altitude, a bomba livrar-nos-ia de qualquer tipo de sofrimento, envolvendo-nos numa bola de fogo, evaporados os corpos e os muros, as árvores e os bichos. Coimbra regressaria, num breve segundo, ao contorno nu da terra desabitada que já foi o seu - há muitos milhões de anos - e o Mondego correria para os céus no corpo incandescente do imenso cogumelo nuclear que se levantasse.
Calhasse o vento soprar de sul, suavemente, e a nuvem radioativa chegaria a Pontevedra, na Galiza, tocando de morte a prazo as vidas em que pousasse. Humanos, animais e vegetais padeceriam dos males provocados pelas invisíveis poeiras de plutónio. Mas nós não. Coimbra viria a ser a reencarnação das Hiroshima e Nagasaki sepultadas a céu aberto, nem sequer habitada por desgraçados iguais aos mortos-andantes que as produções hollywoodescas gostam tanto de exibir.
Desde há cinco meses que os telejornais desfiam notícias como quem apresenta uma competição, com o entusiasmo que os miúdos revelavam nos recreios de escola sempre que soava o aviso de “po-rra-da-po-rra-da”. Punham-se em círculo à volta dos contendores - quem a favor de um, quem a torcer pelo outro - até que viesse o senhor contínuo pôr termo ao macabro divertimento.
Guardadas as devidas proporções é nisso que estamos: a Rússia e os EUA pegaram-se de razões no recreio da Ucrânia, e o que se ouve por cá é o grito de “po-rra-da-po-rra-da”. A animação é grande, como grande é o desacordo acerca de quem deu o primeiro empurrão, atirou o primeiro palavrão, desferiu o primeiro soco. Deixarei essa discussão para os adeptos e para os especialistas militares. O meu problema é o de não descortinar, até agora, a silhueta do senhor contínuo. E nem sequer me apazigua o facto de estarem a ser usadas – e aparentemente longe - armas que não são aquelas que se disfarçam no vento. Ainda.
No entanto, as armas herdeiras de Hiroshima e Nagasaki encontram-se, agora mesmo, em estado de prontidão. E já não são as apenas duas que transformaram o horror em montra da supremacia militar. São agora cerca de 13 mil (aproximadamente 12 mil entre a Rússia e os EUA) as ogivas nucleares prontas a usar na eliminação da Humanidade, distribuídas pelos nove países do mundo que estão capazes de decidir o dia em que a História se conclui. E o senhor contínuo sem aparecer! Em vez dele, ouve-se o ruído desvairado de comentadores a soldo em trabalho de convencimento, prometendo-nos que o rufia da nossa predileção está quase-quase a acabar com a “po-rra-da” em curso, enfardando num sopapo uma turma inteira se preciso for.
Não é o que se vê. Alimentado como está a ser, servindo os interesses que está a servir, o fogo da guerra convencional ameaça tornar-se insuficiente se chegarem a faltar os homens e as mulheres que alimentem as bocas famintas dos canhões, das metralhadoras, dos M142 HIMARS e dos BM-30 Smerch. Que sejamos então nós, os que não têm lado preferido nem se contentam com o papel de espetador, a exigir que se ponha termo a esta guerra enquanto é tempo. Só a paz nos serve porque – estejamos cientes – se a guerra na Europa subir de patamar, o que ficar da Humanidade não será suficiente para justificar o retrato nas glamourosas páginas da Vogue."

|N'As Beiras|

Manuel Rocha

Extraído do Facebook 


quarta-feira, 3 de agosto de 2022


LES UNS ET LES AUTRES... 



Autor: Henri Cartier Bresson

 Gerações tão distantes e tão próximas uma da outra. Que foto tão cheia de significado que qualquer observação é a mais... Por isso me vou.

João Andarilho 


segunda-feira, 1 de agosto de 2022


DEBUT


Créditos do autor

Primeiro dia oficial de férias primeiro dia sem rotinas definidas. Os minutos vão passando e por casa passa o homónimo João convidando para irmos de conversa por aí e por acoli, ao acaso e à bolina da conversa. Conversador por natureza e eu, mais receptor por maneira de ser, fomo-nos pelos arrabaldes da vila, por esses casais à volta do concelho. Ocasião proporcionada, também, de relembrarmos objectos de antanhos que nos projectaram para memórias da juventude, para memórias da meninice, num atelier de conservação onde o Sr. Jorge se encarrega de dar nova vida a todo um mundo de artefactos que pertenceram a uma multiplicidade de antigas existências. De garrafas na mão, geladas como é regra, continuámos a deambular pelas nossas vidas, pelas vidas dos outros (longe de qualquer tipo de quadrilhice coisa que não nos apraz) e fomos prazenteiros gastando a manhã, também ao som da ANTENA3. Agora é mesmo tempo de almoçar ao sabor de boa música, seja a Rita Vian, os Happy Mess, ou os Dapunksportif. Entra-me bem narinas adentro, o cheirinho que vem da cozinha... 


Créditos do autor 

João Andarilho 






sexta-feira, 29 de julho de 2022

 

O LIVRO



“Se lemos um livro antigo é como se lêssemos durante todo o tempo que transcorreu entre o dia em que foi escrito e nós. Por isso convém manter o culto ao livro. O livro pode conter muitos erros, podemos não concordar com as opiniões expendidas pelo autor, mas ainda assim, ele conserva algo sagrado, algo divino, não com um tipo de respeito supersticioso, mas com o desejo de encontrar felicidade, de encontrar sabedoria”

Jorge Luís Borges, “O livro”

terça-feira, 21 de junho de 2022

 

FICOU CLARO?

" - Paulo Freire: Muito bem, eu sei, vocês não sabem. Mas porque é que eu sei e vocês não sabem?

- Campesino: Você sabe porque é doutor. Nós não.

- Paulo Freire: Exacto. Eu sou doutor. Vocês não. Mas, porque é que eu sou doutor e vocês não?

- Campesino: Porque o senhor foi à escola, leu, estudou e nós não.

- Paulo Freire: E porque fui eu à escola?

- Campesino: Porque seu pai pôde mandá-lo à escola e o nosso não.

- Paulo Freire: E porque é que os vossos pais não puderam mandar-vos à escola?

- Campesino: porque eram campesinos como nós.

- Paulo Freire: e o que é ser campesino?

Campesino: é não ter educação nem propriedades, trabalhar de sol a sol sem ter direitos nem esperança de um dia melhor.

- Paulo Freire: e porque é que ao campesino lhe foi dado tudo isso?

- Campesino: Porque assim o quis Deus.

- Paulo Freire: E quem é Deus?

- Campesino: Deus é o pai de todos nós.

- Paulo Freire: E quem é  pai nesta reunião?

Quase todos levantaram a mão dizendo que o eram. Olhando todo o grupo em silêncio, olhei fixamente um deles e perguntei-lhe:

- Quantos filhos tens?

- Três, respondeu.

- Serias capaz de sacrificar dois deles submetendo-os a sofrimentos, para que o terceiro estudasse e lhe fosse dada uma boa vida? Serias capaz de amar assim?

- Não!

- E se tu, homem de carne e osso, não és capaz de cometer tamanha injustiça, como é possível entender que o faça Deus? Será verdade ser Deus que faz essas coisas?

(silêncio)

- Não é Deus quem faz tudo isso... é o patrão!


Paulo Freire, in "Pedagogia da Esperança" (conversa com estudantes campesinos)




O UIVO DE MONTEJUNTO Porque resulta de interesse histórico e natural conhecimento, com a devida vénia se transcreve o texto infra . O Último...