JÔ - 1938-2022
Deixou-me hoje o Gordo mais divertido da minha vida... Hoje mudou de palco. Até um dia destes meu Gordo.
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João Andarilho
Aventura, arte, literatura, coisas da vida, banalidades e curiosidades
A VERDADE SONEGADA
Uma das lições mais tristes da história é a seguinte: se formos enganados durante muito tempo, temos tendência a rejeitar qualquer tipo de fraude. Deixamos de estar interessados em descobrir a verdade. A fraude apanhou-nos. É demasiado doloroso reconhecer, nem que seja para nós mesmos, que fomos enganados. Uma vez que damos a um charlatão poder sobre nós mesmos, quase nunca o recuperamos.
Carl Sagan do livro " O Mundo Infestado de Demónios"
DEBUT
Primeiro dia oficial de férias primeiro dia sem rotinas definidas. Os minutos vão passando e por casa passa o homónimo João convidando para irmos de conversa por aí e por acoli, ao acaso e à bolina da conversa. Conversador por natureza e eu, mais receptor por maneira de ser, fomo-nos pelos arrabaldes da vila, por esses casais à volta do concelho. Ocasião proporcionada, também, de relembrarmos objectos de antanhos que nos projectaram para memórias da juventude, para memórias da meninice, num atelier de conservação onde o Sr. Jorge se encarrega de dar nova vida a todo um mundo de artefactos que pertenceram a uma multiplicidade de antigas existências. De garrafas na mão, geladas como é regra, continuámos a deambular pelas nossas vidas, pelas vidas dos outros (longe de qualquer tipo de quadrilhice coisa que não nos apraz) e fomos prazenteiros gastando a manhã, também ao som da ANTENA3. Agora é mesmo tempo de almoçar ao sabor de boa música, seja a Rita Vian, os Happy Mess, ou os Dapunksportif. Entra-me bem narinas adentro, o cheirinho que vem da cozinha...
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| Créditos do autor |
João Andarilho
O LIVRO
FICOU CLARO?
" - Paulo Freire: Muito bem, eu sei, vocês não sabem. Mas porque é que eu sei e vocês não sabem?
- Campesino: Você sabe porque é doutor. Nós não.
- Paulo Freire: Exacto. Eu sou doutor. Vocês não. Mas, porque é que eu sou doutor e vocês não?
- Campesino: Porque o senhor foi à escola, leu, estudou e nós não.
- Paulo Freire: E porque fui eu à escola?
- Campesino: Porque seu pai pôde mandá-lo à escola e o nosso não.
- Paulo Freire: E porque é que os vossos pais não puderam mandar-vos à escola?
- Campesino: porque eram campesinos como nós.
- Paulo Freire: e o que é ser campesino?
- Campesino: é não ter educação nem propriedades, trabalhar de sol a sol sem ter direitos nem esperança de um dia melhor.
- Paulo Freire: e porque é que ao campesino lhe foi dado tudo isso?
- Campesino: Porque assim o quis Deus.
- Paulo Freire: E quem é Deus?
- Campesino: Deus é o pai de todos nós.
- Paulo Freire: E quem é pai nesta reunião?
Quase todos levantaram a mão dizendo que o eram. Olhando todo o grupo em silêncio, olhei fixamente um deles e perguntei-lhe:
- Quantos filhos tens?
- Três, respondeu.
- Serias capaz de sacrificar dois deles submetendo-os a sofrimentos, para que o terceiro estudasse e lhe fosse dada uma boa vida? Serias capaz de amar assim?
- Não!
- E se tu, homem de carne e osso, não és capaz de cometer tamanha injustiça, como é possível entender que o faça Deus? Será verdade ser Deus que faz essas coisas?
(silêncio)
- Não é Deus quem faz tudo isso... é o patrão!
Paulo Freire, in "Pedagogia da Esperança" (conversa com estudantes campesinos)
O UIVO DE MONTEJUNTO Porque resulta de interesse histórico e natural conhecimento, com a devida vénia se transcreve o texto infra . O Último...