quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

 

GIL


Em 1998, foi inaugurada com pompa e circunstância a Expo 98, Exposição Universal, em Lisboa.

Como mascote foi criada uma figura simpática de cabelo ondulado a quem foi dado o nome de Gil, em homenagem ao grande navegador português Gil Eanes.





João Andarilho

 

GIL EANNES


Nascido em Lagos, foi um navegador português do Sec XV, conhecido por ter dobrado o temível Cabo Bojador em 1434, proeza histórica dos descobrimentos portugueses. O Mundo, afinal, não acabava ali. Era o início da Epopeia. Escudeiro de D. Henrique numa simples barca se fez ao Cabo, de peito aberto e venceu.



Como prova do emérito feito, trouxe a El-Rei um ramo de flores da arménia, flores essas que florescem em todo o nosso litoral, a que deu o nome de flores de Santa Maria.


Imaginava-se, então que os ventos do Cabo sopravam para Sul impedindo o regresso a Portugal de quem ousasse dobrá-los. Contava a lenda que mais de 12000 tentativas haviam sido realizadas. Grande Homem português.

João Andarilho

 

GIL EANNES



FERNANDO PESSOA

MAR PORTUGUEZ

Ó MAR SALGADO, quanto do teu sal 

São lagrimas de Portugal !

Por te cruzarmos, quantas mães choraram, 

Quantos filhos em vão resaram !

Quantas noivas ficaram por casar 

Para que fosses nosso, ó mar 

Valeu a pena ? Tudo vale a pena 

Se a alma não é pequena. 

Quem quere passar além do Bojador

Tem que passar além da dor. 

Deus ao mar o perigo e o abysmo deu,

Mas nelle é que espelhou o céu.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

 


«Yo no soy una profesional, yo solamente escribo cuando quiero. Soy una amateur y me preocupo por seguir siéndolo. Profesional es el que tiene una obligación consigo mismo de escribir. O con el otro, en relación a otro. Yo me preocupo por no ser una profesional, por mantener mi libertad.»


Clarice Lispector

sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

 VOLTAR A SER CRIANÇA (para não ser estúpido)



"A sociedade necessita de medíocres que não ponham em questão os princípios fundamentais e eles aí estão: dirigem os países, as grandes empresas, os ministérios, etc. Eu oiço-os falar e pasmo não haver praticamente um único líder que não seja pateta, um único discurso que não seja um rol de lugares comuns. Mas os que giram em torno deles não são melhores. Desconhecemos até os nossos grandes homens: quem leu Camões por exemplo? Quase ninguém. Quem sabe alguma coisa sobre Afonso de Albuquerque? Mas todos os dias há paleios cretinos acerca de futebol em quase todos os canais. Porque não é perigoso. Porque tranquiliza.

Os programas de televisão são quase sempre miseráveis mas é vital que sejam miseráveis. E queremos que as nossas crianças se tornem adultos miseráveis também, o que para as pessoas em geral significa responsáveis. Reparem, por exemplo, em Churchill. Quando tudo estava normal, pacífico, calmo, não o queriam como governante. Nas situações extremas, quando era necessário um homem corajoso, lúcido, clarividente, imaginativo, iam a correr buscá-lo. Os homens excepcionais servem apenas para situações excepcionais, pois são os únicos capazes de as resolverem. Desaparece a situação excepcional e prescindimos deles.

Gostamos dos idiotas porque não nos colocam em causa. Quanto às pessoas de alto nível a sociedade descobriu uma forma espantosa de as neutralizar: adoptou-as. Fez de Garrett e Camilo viscondes, como a Inglaterra adoptou Dickens. E pronto, ei-los na ordem, com alguns desvios que a gente perdoa porque são assim meio esquisitos, sabes como ele é, coitado, mas, apesar disso, tem qualidades. Temos medo do novo, do diferente, do que incomoda o sossego.

A criatividade foi sempre uma ameaça tremenda: e então entronizamos meios-artistas, meios-cientistas, meios-escritores. Claro que há aqueles malucos como Picasso ou Miró e necessitamos de os ter no Zoológico do nosso espírito embora entreguemos o nosso dinheiro a imbecis oportunistas a que chamamos gestores. E, claro, os gestores gastam mais do que gerem, com o seu português horrível e a sua habilidade de vendedores ambulantes: Porquê? Porque nos sossegam. Salazar sossegava. De Gaulle, goste-se dele ou não, inquietava. Eu faria um único teste aos políticos, aos administradores, a essa gentinha. Um teste ao seu sentido de humor. Apontem-me um que o tenha. Um só. Uma criatura sem humor é um ser horrível. Os judeus dizem: os homens falam, Deus ri. E, lendo o que as pessoas dizem, ri-se de certeza às gargalhadas. E daí não sei. Voltando à pergunta de Dumas

– Porque é que há tantas crianças inteligentes e tantos adultos estúpidos?"

não tenho a certeza de ser um problema de educação que mais não seja porque os educadores, coitados, não sabem distinguir entre ensino, aprendizagem e educação. A minha resposta a esta questão é outra. Há muitas crianças inteligentes e muitos adultos estúpidos, porque perdemos muitas crianças quando elas começaram a crescer. Por inveja, claro. Mas, sobretudo, por medo". 

António Lobo Antunes

Comemora-se, hoje, o centenário do nascimento de José Saramago, um homem corajoso, lúcido, clarividente e imaginativo. Um grande homem, um bom português...

João Andarilho 

O UIVO DE MONTEJUNTO Porque resulta de interesse histórico e natural conhecimento, com a devida vénia se transcreve o texto infra . O Último...