Descansa em paz eterno capitão
Aventura, arte, literatura, coisas da vida, banalidades e curiosidades
quinta-feira, 27 de junho de 2024
segunda-feira, 10 de junho de 2024
LUÍZ V. C.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.
«Luís Vaz de Camões», in "Sonetos"
terça-feira, 21 de maio de 2024
PEREGRINO DOS ARES
Falcão Peregrino (nome científico Falco Peregrinus) ou Falcão Andarilho, como é designado em grego e latim, é considerada a ave mais veloz do mundo. Ave de rapina, pode atingir os 320 km/h, habitando desfiladeiros ou, em meio urbano, edifícios altos. Morcegos, pequenas aves que derruba com as garras em voo picado, matando-as com o bico, peixes a insectos fazem parte da sua dieta alimentar. É uma ave magnífica.
Desde sempre tive fascínio pela magestosidade das aves, do formato dos seus corpos e da aerodinâmica do seu corpo. Tudo é perfeito e maravilhosamente deslumbrante. O homem procurou e tentou, imitando as aves, dominar o ar desafiando a força da gravidade. De desastre em desastre, alcançou um tal desenvolvimento tecnológico, que lhe permitiu, efectivamente, competir com estes seres proporcionando momentos de inigualável prazer.
Balão, paraquedas ou parapente, entre outros, são meios que permitem desafiar os céus e nem todos os têm no sítio, arranjando a necessária dose de coragem para tomar tal decisão. Porém, não foi o meu caso. De facto, ambicionei sempre desafiar o vazio e deixar-me cair nos braços do Criador. Um belo dia do corrente mês de Maio, porque o dia estava perfeito, foi o dia V de Victória. Rumei, com outros camaradas navegadores, à procura do Adamastor dos ares. Tranquilidade foi o que me acompanhou durante a viagem até pôr os pés dentro daquele pequeno monstro de ferro trepidante que me elevou junto Dele. Chegado o momento da verdade, senti alguma apreensão, que foi aumentando à medida que os precedentes foram caindo, um após outro e eu era empurrado para a goela do inimaginável. Junto à porta obrigaram-me a pôr de joelhos. Só faltava rezar! Mas não tive tempo: senti-me arrancado de mim, transposto para outra dimensão! de olhos esbugalhados e rosto despregado, tornei-me peregrino do ar. Entre mim e o resto nada restava se não eu. A 200 km/hora me aproximei do destino final, era fatal como o destino. A sensação era indescritível, o impacto da deslocação do ar brutal! nesta altura era desfrutar extasiado os poucos segundos que me separavam da abertura do paraquedas. Acabou por acontecer, como espectável e o mundo passou ao ralenti. Ouvi a voz do instrutor, regressei à realidade, a sensação era diferente, o mundo jazia a meus pés e era eu que me espantava com a beleza da paisagem e do encanto daquelas planícies salpicadas de verde e castanho. Controlei o voo para a esquerda e depois com um loop para a direita que me deixou sem fôlego e me revolveu o estômago.
Aterrei e com os pés bem assentes na terra, abençoei todos os seres alados deste planeta, imaginando-me renascido com um par de asas incrustado no dorso. Um dia vou voar, um dia vou voar ...
João Andarilho
quinta-feira, 25 de abril de 2024
QUANDO VIERES
Encontrarás tudo como quando partiste.
A mãe bordará a um canto da sala...
Apenas os cabelos mais brancos
E o olhar mais cansado.
O pai fumará o cigarro depois do jantar
E lerá o jornal.
Quando vieres
Só não encontrarás aquela menina de saias curtas
E cabelos entrançados
Que deixaste um dia.
Mas os meus filhos brincarão nos teus joelhos
Como se te tivessem sempre conhecido.
Quando vieres
nenhum de nós dirá nada
mas a mãe largará o bordado
o pai largará o jornal
as crianças os brinquedos
e abriremos para ti os nossos corações.
Pois quando tu vieres
Não és só tu que vens
É todo um mundo novo que despontará lá fora.
«Maria Eugénia Cunhal» - In «Silêncio de Vidro»
O UIVO DE MONTEJUNTO Porque resulta de interesse histórico e natural conhecimento, com a devida vénia se transcreve o texto infra . O Último...
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