quinta-feira, 6 de maio de 2021

 


UMA PEDRA NO SAPATO 

Isto das fronteiras terrestres entre países não estarem devidamente muradas, como por exemplo ao estilo do Muro do Trump ou do Muro que divide sionistas e palestinos, pode dar azo a alguma azia. Vejamos: vamos supor que, ao pretender aceder ao meu terreno montado no meu tractorzito, me vejo impedido de o fazer por encontrar um pedregulho no caminho. O leitor facilmente deduz que, ante a força do tractor, não há pedra que resista. 

Tanto assim é que assim foi.  Na Bélgica, um pequeno agricultor deparou-se com a situação supra descrita e não foi de modas: pá do tractor e pumba, problema resolvido.

A coisa morreria por aí se, por um acaso destes que aparecem por acaso, não se intrometesse na estória um historiador armado em caminhante naturalista que, ao observar o sobredito pedregulho, abriu a bocarra de espanto ao concluir que a Bélgica, por artes mecânicas, tinha acrescentado território ao que já era seu, fazendo minguar em proporção idêntica o território francês. Tudo por culpa do tractor que moveu um marco fronteiriço datado de 1819, cerca de dois metros para dentro de França.

"Ele tornou a Bélgica maior e a França mais pequena, não é uma boa ideia (...). Fiquei contente por a minha vila ter crescido, mas o autarca de Bousignies-Sur-Roc, não achou piada" terá brincado o autarca da vila belga de Erquelinnes.

Toda esta situação não provocou mais do que imensos sorrisos mas, as autoridades já avisaram o agricultor para, rapidamente, repor o marco ao local donde foi retirado, sob pena da instauração da competente acção criminal.

Créditos do autor

Fica um alerta aos caminhantes e andarilhos por esses campos fora, no sentido de pensarem duas vezes antes de andarem ao ponta-pé às pedras do caminho.

João Andarilho


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