UMA PEDRA NO SAPATO
Isto das fronteiras terrestres entre países não estarem devidamente muradas, como por exemplo ao estilo do Muro do Trump ou do Muro que divide sionistas e palestinos, pode dar azo a alguma azia. Vejamos: vamos supor que, ao pretender aceder ao meu terreno montado no meu tractorzito, me vejo impedido de o fazer por encontrar um pedregulho no caminho. O leitor facilmente deduz que, ante a força do tractor, não há pedra que resista.
Tanto assim é que assim foi. Na Bélgica, um pequeno agricultor deparou-se com a situação supra descrita e não foi de modas: pá do tractor e pumba, problema resolvido.
A coisa morreria por aí se, por um acaso destes que aparecem por acaso, não se intrometesse na estória um historiador armado em caminhante naturalista que, ao observar o sobredito pedregulho, abriu a bocarra de espanto ao concluir que a Bélgica, por artes mecânicas, tinha acrescentado território ao que já era seu, fazendo minguar em proporção idêntica o território francês. Tudo por culpa do tractor que moveu um marco fronteiriço datado de 1819, cerca de dois metros para dentro de França.
"Ele tornou a Bélgica maior e a França mais pequena, não é uma boa ideia (...). Fiquei contente por a minha vila ter crescido, mas o autarca de Bousignies-Sur-Roc, não achou piada" terá brincado o autarca da vila belga de Erquelinnes.
Toda esta situação não provocou mais do que imensos sorrisos mas, as autoridades já avisaram o agricultor para, rapidamente, repor o marco ao local donde foi retirado, sob pena da instauração da competente acção criminal.
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João Andarilho
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