quinta-feira, 13 de junho de 2019




FERNANDO PESSOA

O mais universal e maior poeta português a par de Camões, nasceu nesta data em 1888, em Lisboa.
Pessoa inventou poetas inteiros (Robert Hass), foram eles os seus heterónimos: Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Alberto Caeiro e Bernardo Soares.

Deixei atrás os erros do que fui,
Deixei atrás os erros do que quis
E que não pude haver porque a hora flui
E ninguém é exacto e feliz.

Tudo isso como o lixo da viagem
Deixei nas circunstâncias do caminho,
No episódio que fui e na paragem,
No desvio que foi cada vizinho.

Deixei tudo isso, como quem se tapa
Por viajar com uma capa sua,
E a certa altura se desfaz da capa
E atira com a capa para a rua.

Poesias inéditas (1930-1935)



ÁLVARO CUNHAL


Faz hoje 14 anos que partiu Álvaro Cunhal, histórico Secretário-Geral do Partido Comunista Português, partido centenário que fez da sua existência uma luta permanente contra o regime fascista, pelo seu derrube, pela libertação do povo português e pela implantação de uma sociedade socialista.
Independentemente das opções de vida e a opção política é uma delas, devemos a Álvaro Cunhal e ao Partido Comunista Português, pela sua luta junto do operariado e das classes trabalhadoras ao longo de décadas, pela sua determinação e capacidade organizativa, papel fundamental na liquidação do fascismo que culminou na gloriosa madrugada de 25 de Abril de 1974.




DIZEM ALGUNS…

Dizem
alguns que tu
foste uma lenda arrancada
das páginas da história. Que a tua
palavra ardia
como uma tocha, às vezes
como uma lança cravada
na carne da ignomínia.
Eu diria
apenas que foste
a encarnação dum sonho, o rosto
humano da utopia.


Albano Martins
(poema dedicado a Álvaro Cunhal)





LOURO


Ou loureiro, é o nome de uma árvore pertencente à família das Lauráceas, género Laurius. É originária da região mediterrânea e a sua altura varia de 5 a 20 metros. A folha é vistosa e tem um odor forte e muito característico e é usada na culinária como tempero. Além disso, a sua madeira  tem muita qualidade e é também usada na medicina popular no tratamento de problemas digestivos. 
Na Grécia e Roma antigas, era costume confeccionarem-se coroas de ramos de louro, como símbolo de vitória e majestade, daí o termo "laureado", derivado do género "laurius".

Sociedade Portuguesa de Botânica Joaquim Rolhas e  Wikimedia commons
Tudo isto para tentar perceber a origem da designação da Lourinhã, mui nobre vila da região do Oeste.
Segundo parece, embora não haja unanimidade entre os historiadores, admite-se que a sua  origem venha do  toponónimo latino "Laurius", que significa loureiro, ou terra onde existem loureiros, árvore que terá sido muito abundante na região e que ainda hoje se encontra no Toxofal e na mata da Quinta da Moita Longa. Posteriormente ter-lhe-á sido aditado o sufixo Anum, o qual significa área agrária e que deu origem à palavra Laurinianum. Não nos espantemos, então, por descobrir que o loureiro está representado na heráldica da Lourinhã e nas pedras de armas medievais da Igreja de Santa Maria do Castelo.

Vista da Vila da Lourinhã
Igreja de Santa Maria do Castelo

Triste mas é verdade. Tendo sido uma região de abundante plantação de Loureiros, encontramo-la substituída por abundante plantação de Eucaliptos, nomeadamente na região do Planalto das Cesaredas que, supostamente, deveria ser área protegida, não sendo, por isso, despiciendo, o regresso à plantação do Loureiro nesta região.
Sinais dos tempos, por lá também são avistadas plantações de parques eólicos, aproveitando as características ventosas do planalto.

A Lourinhã, os seus campos, as suas praias e a sua história merecem ser conhecidas e visitadas, sendo uma vila e uma região laureadas com o distinto símbolo de qualidade.

João Laurius









quarta-feira, 12 de junho de 2019


NÃO HÁ FESTA COMO ESTA!

Aqui se anexa o link da entrega e homenagem pela SPA ao Homem Bom que nos deixou, do Prémio Pró-Autor SPAUTORES 2014

https://youtu.be/lHw5Qbomhl8



João Andarilho

terça-feira, 11 de junho de 2019



UM HOMEM BOM PARTIU…

De ascendência burguesa, cedo bebeu ideias de gente de esquerda, seja por parte do ramo familiar a esta afecto, seja através da vida de estudante no Liceu Camões onde integrou grupos do mesmo espectro político. 
Partiu hoje o Camarada Rúben de Carvalho, Homem íntegro, de fortes convicções, Comunista, Humanista, Jornalista, de grande saber e cultura, conhecedor profundo de música, seja ela popular, Rock, Blues, Jazz ou clássica. Foi redactor-paginador do jornal "O Século" e director do Jornal "Avante!", órgão oficial do Partido Comunista Português, na clandestinidade e após a revolução. Inovador, inventou a Festa do Avante! cuja primeira edição teve lugar no ano de 1976 na antiga FIL e da qual era director. Segundo afirmou, terão passado até hoje pela Festa mais de 20 000 bandas de música e cantores. Teve o rasgo de combinar a presença ininterrupta ao longo das edições, de uma banda filarmónica de música clássica numa festa desta natureza. Era um visionário. 
Lutador antifascista, foi preso 6 vezes pela PIDE e torturado. Perguntado se alguma vez teve medo respondeu: « Ouça, se alguma vez alguém lhe disser que nunca teve medo, mande-o dar uma volta de bicicleta. Eu estive na guerra, estive na actividade política na clandestinidade, fui preso. É evidente que tive medo. So what?»

Foi a sua hora, a hora a partir da qual se perdeu fisicamente um Homem Bom, que vai fazer falta mas que deixou um legado ímpar e que certamente vai ter gente de grande saber, capaz, a dar continuidade aos valores que nos legou. A vida é assim, haja vontade e sabedoria para lhe dar um bom seguimento.

ATÉ SEMPRE CAMARADA.

João Andarilho

sábado, 8 de junho de 2019



24/7


De facto o Diabo não dorme e vai refinando a malvadez ao ponto de nos tornar seres em vigília permanente as 24 horas do dia, sete dias por semana, 365 dias por ano. O direito inalienável ao sono está permanentemente a ser afrontado com a multiplicidade de distrações e tentativas de formatação das nossas orientações condicionando-nos, seja através da comunicação visual ou sonora. Da TV à internet, da rádio ou através da publicidade estática, a nossa vida foi sequestrada e orientada para o consumo. Pior, para o vício do consumo. Consome-se tudo o que é supérfluo e a última moda do supérfluo que não é melhor que a anterior entra-nos, imposta, invasora, no nosso casulo, nas nossas casas, na nossa privacidade, abusando de nós, a toda a hora. Em casa ou fora dela, no emprego, na rua, durante o dia ou à hora do sono lá está ele, o Diabo, o Capitalismo, a fera. Somos gente acossada a quem aos poucos é retirada a sua dignidade. Transformámo-nos em seres mansos destinados a alimentar o ventre inchado do Capitalismo. Suborna a nossa infelicidade, os nossos sonhos a nossa vida. O pensamento está acorrentado numa Caverna. Nada enxergamos para além das sombras. Nada mais existe para além das sombras num mundo em que a luz, a luminosidade é permanente e nos cega! O Diabo!




João Andarilho


domingo, 2 de junho de 2019



24/7


A semana que findou não foi uma semana normal para mim. Aconteceu ter dado um trambolhão bicicleta abaixo, daí resultando fractura da homoplata esquerda. Fiquei extremamente chateado, sei que podia ter sido pior. Não ter ido à faca foi uma sorte. Porém, o que realmente me incomodou e incomoda, é o facto de estar limitado fisicamente não podendo, por isso, praticar a minha habitual corrida vespertina.
Mas como sou teimoso, em vez da corrida fui praticar caminhada, sempre em passo acelerado, para não perder massa muscular e manter uma boa condição na parte cardíaca. Não correr e caminhar proporcionou-me uma melhor percepção da envolvência que me rodeia no habitual percurso do treino de corrida. Como o ritmo é menor, deu para apreciar pormenores da natureza ao longo do percurso que me falham quando corro. Também me proporcionou conseguir pensar numa série de coisas da vida com mais nitidez do que quando corro e o esforço é mais exigente. Para concluir que caminhar faz muito bem e saímos melhores pessoas.
Num dos momentos da caminhada, aconteceu, numa belíssima alameda ladeada da pinheiros bravos, já o sol se punha no horizonte, reparar em algo minúsculo que se mexia camuflado entre a caruma dos pinheiros. Era um pequenino ser, um borrachinho que tinha caído do ninho e se mostrava completamente indefeso e à mercê de predadores, como os gatos selvagens que por ali proliferam. Com alguma dificuldade e com cuidado, consegui pegar no pequenito e frágil ser  e colocá-lo sob o tronco mais alto do pinheiro ao meu alcance e rezar para que conseguisse salvar-se de uma situação de vida ou de morte. Terá sobrevivido? Espero que sim.


***

Foto de Ed Dunens/Flickr

Comecei agora a ler um livro deprimente que me foi gentilmente emprestado pelo meu amigo João Ferreira. Esclareço melhor, não é o livro que é deprimente mas sim o conteúdo da sua leitura. O seu título é " 24/7, O Capitalismo Tardio e Os Fins do Sono" e o autor chama-se Jonathan Crary, editado pela Antígona.

No meio de milhões de pássaros, passarinhos e passarolas, há uma espécie singular que, por o ser, despertou a atenção do Diabo (Departamento de Defesa dos Estados Unidos da América/Pentágono), chama-se Pardal de Coroa Branca. Como o Diabo é esperto e tem artes de se antecipar ao bem para praticar as suas tropelias e artes de morte, reparou na particularidade deste pequenino ser da natureza não necessitar de dormir durante as 24 horas do dia durante 7 dias, que é a duração do percurso migratório do Alasca até ao México e vice-versa , consoante é inverno num lado e primavera no outro. Vai daí, concluiu que valia a pena gastar uma pipa de massa em investigações ao comportamento e cérebro da pequena ave, com o fito de conseguir aplicar o seu resultado,  estimulação da vigília e ausência de sono no ser humano, primeiro na esfera militar criando soldados com prontidão total sem necessitar de dormir durante dias e, posteriormente, estender a sua aplicação à massa de trabalhadores no mundo laboral, permitindo um brutal aumento da produtividade e consequente aumento do lucro, à custa do sacrifício do direito fundamental da vida que é o direito ao sono,  intrínseco do acto de viver. 
Chega-se à conclusão que o Diabo (leia-se, também, capitalismo) não dorme. Daí que os seres humanos devam estar completamente vigilantes e não pregarem olho enquanto o Diabo andar à solta, não vá o Diabo tecê-las.

João Ganzado





O UIVO DE MONTEJUNTO Porque resulta de interesse histórico e natural conhecimento, com a devida vénia se transcreve o texto infra . O Último...