sábado, 7 de março de 2020









A Bandeira Comunista



A folha manuscrita aqui reproduzida é a única existente do original de A Bandeira Comunista de José Carlos Ary dos Santos.

Um dos mais conhecidos poemas de Ary e seguramente dos mais queridos dos militantes do PCP, A Bandeira foi escrito em condições que merecem ser recordadas.

Na segunda-feira, 11 de Agosto de 1975 o Centro de Trabalho do PCP em Braga foi destruído e incendiado após um ataque comandado por um grupo operacional do ELP, como mais tarde veio a ser revelado por numerosas investigações e directamente reconhecido por alguns dos membros do comando directamente envolvidos.

O «Avante!» enviara no fim de semana anterior para Braga um seu colaborador fotógrafo, uma vez que corriam insistentes boatos de incidentes em Braga na segunda-feira por (como sucedeu em diversos outros actos terroristas) ser dia de feira. Tendo resolvido pernoitar no Porto, o repórter chegou a Braga a meio da manhã verificando então que os provocadores haviam já desencadeado as agressões e que o Centro de Trabalho (onde se encontravam numerosos militantes) estava já cercado.

Apedrejamentos e tentativas de fogo posto sucederam-se ao longo do dia, tendo – de forma equívoca nunca inteiramente esclarecida – os defensores do Centro acabado por ser retirados por uma força militar que deixou o edifício entregue aos fascistas que completamente o destruíram e incendiaram.

Tomado pelos provocadores como um repórter que lhes era favorável, o fotógrafo do «Avante!» pôde assim obter ao longo do dia as mais extraordinárias imagens da violência fascista à solta, muitas das quais foram publicadas na edição seguinte do «Avante!», a 14 de Agosto.

Para essa mesma quinta-feira, a Direcção da Organização Regional de Lisboa convocara para o hoje Pavilhão Carlos Lopes um comício de solidariedade com os camaradas das organizações atingidas pelo terrorismo e de exigência de medidas de salvaguarda da ordem democrática.

Na redacção do «Avante!» decidimos montar num dos átrios do Pavilhão uma exposição com ampliações das fotos de Braga, de que só uma pequena parte havia sido publicada no jornal. Feitas as ampliações, colocou-se o problema das legendas – que acabou a ser um duplo problema...

A questão era que as imagens tinham uma força tal que qualquer palavra, qualquer frase parecia estar ali a mais. Contudo...

Lembrámo-nos então, telefonou-se ao Zé Carlos para a Espiral, agência de publicidade onde trabalhava, e dissemos-lhe do problema: «Não serias capaz de fazer aí qualquer coisa, uns versos com força, isto não há legendas que resolvam isto...». «Esperem lá um bocado que eu já ligo.»

Meia hora depois o telefone tocava e ouvia-se o vozeirão do outro lado: «Então vejam lá se esta coisa serve.»

Era A Bandeira Comunista. Copiada ao telefone, dactilografada e ampliada, iniciou nessa noite de luta um caminho que não findou jamais.


A bandeira comunista

Foi como se não bastasse
tudo quanto nos fizeram
como se não lhes chegasse
todo o sangue que beberam
como se o ódio fartasse
apenas os que sofreram
como se a luta de classe
não fosse dos que a moveram.
Foi como se as mãos partidas
ou as unhas arrancadas
fossem outras tantas vidas
outra vez incendiadas.

À voz de anticomunista
o patrão surgiu de novo
e com a miséria à vista
tentou dividir o povo.
E falou à multidão
tal como estava previsto
usando sem ter razão
a falsa ideia de Cristo.

Pois quando o povo é cristão
também luta a nosso lado
nós repartimos o pão
não temos o pão guardado.
Por isso quando os burgueses
nos quiserem destruir
encontram os portugueses
que souberam resistir.

E a cada novo assalto
cada escalada fascista
subirá sempre mais alto
a bandeira comunista.


Fonte: Os Artistas da Festa



PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS 



"Não é mais um partido, É O PARTIDO"


Créditos do Autor

Inicia-se, hoje, o ano 100 do Partido Comunista Português, um dia após ter completado a jovem idade de 99 (noventa e nove) anos de existência.
Fundado em 6 de Março de 1921, no meio de uma profunda crise económica e social após a grande guerra de 14/18,  numa época de grande contestação nas ruas face ao agravamento das condições de vida provocadas pelo capital e que levou à conquista da jornada de trabalho das 8 horas.
Na altura, chegou-se à conclusão de que seria importante para o povo trabalhador e explorado e ávido de melhores condições de vida, que os resultados alcançados e o poder das suas justas reivindicações fossem devidamente e politicamente enquadrados, não ficando isolados face à batalha contra o patronato.
A repercussão que a Revolução Russa de 1917 estava a ter a nível internacional, teria de ser aproveitada, acabando por se traduzir numa entusiástica adesão à causa "bolchevique" no nosso país, com a formação de diversos círculos de experenciação do proletariado russo e, em 1919, foi fundada a Federação Maximalista Portuguesa, que passou a editar o semanário " Bandeira Vermelha".
No ano 20, houve movimentações no sentido de construção de uma vanguarda revolucionária dos operários portugueses e, em Dezembro, reuniu-se uma Comissão Organizadora dos trabalhos para a Criação do Partido Comunista Português. Em Janeiro de 1921, foi iniciada a elaboração das bases orgânicas desta nova formação política.
"O Partido Comunista Português ergueu-se, essencialmente, com militantes saídos das fileiras do sindicalismo revolucionário e do anarco-sindicalismo, que representavam o que havia de mais vivo, combativo e revolucionário no movimento operário português."
Daí à criação do Órgão do Partido Comunista Português, foi um passo e, sete meses após a sua fundação, foi dado à estampa "O Comunista", em 16 de Outubro de 1921, ao qual sucederia, o "Avante!", em Fevereiro de 1931.
A 1ª sede situava-se na Rua do Arco do Marquês do Alegrete, nº3, 2º Dtº, em Lisboa, abrindo, ainda no ano da fundação, Centros no Porto, Évora e Beja.
"A fundação do Partido Comunista Português não foi um acaso nem fruto de uma decisão arbitrária. Foi a expressão de uma necessidade histórica da sociedade portuguesa e resultado da evolução do movimento operário português."

"Em 6 de Março de 1921, na sede da Associação dos Empregados de Escritório, em Lisboa, realiza-se a Assembleia que elege a direcção do PCP. Estava fundado o Partido Comunista Português."


Fonte: Livro "60 Anos de Luta"

domingo, 5 de janeiro de 2020



A FUGA RUMO À VITÓRIA

Peniche, Forte de Peniche, 4 de Janeiro de 2020.
 Na comemoração dos 60 anos da dramática fuga de 10 presos políticos da cadeia de alta segurança do Forte de Peniche, ocorrida em 3-01-1960, todos dirigentes do Partido Comunista Português, entre os quais o Secretário-geral, Álvaro Cunhal.

Descrição da necessidade da fuga, da sua estratégia, dos preparativos, da execução e, finalmente, do significado político e da importância que teve no reforço da acção e da luta contra o regime fascista, na palavra do histórico dirigente, Domingos Abrantes.

https://youtu.be/4XU2wtj6bqo

https://youtu.be/L_Cd1LUA7zI

https://youtu.be/39bphPpJu5Q

https://youtu.be/EWSIAGXKUBg

https://youtu.be/Gdi7o8BBh9w

https://youtu.be/5OQRuWyVArE

https://youtu.be/jK4-h5NCD5Y

Trata-se de um documento registado em vídeo pela minha pessoa, que considero fundamental ver e ouvir para memória futura, pretendendo que neste meu blogue fique arquivado.














João Andarilho 





sexta-feira, 3 de janeiro de 2020




A FUGA


A 3 de Janeiro de 1960 foi protagonizada a mais espectacular fuga de presos políticos de uma prisão do regime fascista.



Há 60 anos, 10 destacados dirigentes e quadros do PCP protagonizaram a mais espectacular evasão de toda a história da resistência antifascista.

"Da Fortaleza de Peniche, onde se encontravam presos, evadiram-se no dia 3, para retomar o seu posto de combate contra o salazarismo, os camaradas Álvaro Cunhal, Jaime Serra, Joaquim Gomes, Francisco Miguel, Guilherme de Carvalho, Pedro Soares (membros do Comité Central do Partido Comunista Português) e os destacados militantes Carlos Costa, Francisco Martins Rodrigues, Rogério de Carvalho e José Carlos.


A libertação destes camaradas foi possível pela sua coragem e abnegação, pelo seu desejo de prosseguirem no combate pela libertação do povo português do jugo salazarista, pelo auxílio que lhes foi prestado pelo Partido Comunista e pelo apoio popular."

In Comunicado do Secretariado do Comité Central do PCP publicado no «Avante!» de Janeiro de 1960

João Camarada

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020




NEW YEAR´S DAY
01-01-2020


«Já que não podemos extrair beleza da vida, busquemos ao menos extrair beleza de não poder extrair beleza da vida. Façamos da nossa falência uma vitória, uma coisa positiva e erguida, com colunas,  majestade e aquiescência espiritual.»

ESTÉTICA DO DESALENTO - LIVRO DO DESASSOSSEGO - FERNANDO PESSOA


https://youtu.be/SlDi4hpJsaY

João Andarilho

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019




PENICHE, TERRA DE GENTE BRAVA


Tal como outras terras do nosso litoral, Peniche é feita de gente brava temperada pelo sal do mar e queimada pelo sol desde o seu nascer até ao seu pôr. A necessidade e a oportunidade proporcionadas pelo mar fizeram deste povo gente de mar, enfrentando e desafiando os perigos que representa, mas absolutamente conscientes dessa irreversibilidade. 
Desde o tempo dos romanos que os povos que aqui habitavam pescavam e armavam as suas redes, com os pesos de rede fabricados em cerâmica ou ossos de baleia, de que é exemplo as amostras depositadas na Igreja de São Leonardo na vila medieval da Atouguia da Baleia, comprovando o longo historial da faina piscatória neste mar.
A pesca é, assim, desde sempre, a actividade principal do concelho e com ela, o dealbar do século XX deu origem a actividades paralelas, tais como a congelação, a produção de farinhas animais ou a produção de conservas, esta com especial significado económico na região com o advento de cerca de duas dezenas de fábricas especializadas na transformação e conservação da sardinha.
Tudo isto potenciou a criação de uma forte indústria de construção naval, assente em estaleiros localizados no exterior das muralhas da cidade.
Das minhas visitas a Peniche fico especialmente fascinado pela tradição da salga e secagem do peixe ao sol. Salgados e secos naturalmente, em estendais, assim conservam todas as propriedades do peixe fresco. Constituíam uma reserva alimentar e, na falta de refrigeração, uma maneira de conservar o alimento e comercialização para outras regiões.

Foto do autor 

Para documentar esta típica actividade, fui encontrar o Ti Pescador (assim o baptizei), junto ao Forte de Peniche, em plena actividade. Ti Pescador, velho pescador desde que nasceu, reformado da pesca há 24 anos, bravo do mar, bravo da terra, herói do mar, penicheiro nobre povo.

João Andarilho

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019




A INSUSTENTÁVEL DUREZA DA QUEDA

Hoje, por duas vezes, dei um tropeção quando subia um lancil de escadas algures em estações do metro. Claro que não foi agradável a situação, que se tornou cómica para uns e incómoda para mim que não me livrei de uns maldosos sorrisos e pindéricas gargalhadas.
Porém, cheguei à conclusão que o culpado dos incidentes era mesmo eu, que não atentei e até exerci algum desdém pela mãe natureza, ou melhor, pela natureza do campo gravitacional do nosso planeta que atrai para o seu núcleo, tudo o que se atreva a entrar na sua zona de influência.
É que tudo cai para baixo neste planeta. A única excepção será o pensamento que contraria o fado de tudo o que é matéria. Mesmo assim e metafisicando, tenho dúvidas se, durante o microsegundo em que pensava na humilhante situação da minha imponderável e insustentável dureza da queda, o pensamento não me terá acompanhado até ao chão.
Por outro lado e cingindo-me à física e à realidade a que não podemos escapar (e bem), o que seria da Terra se, de repente, acontecesse algo estranho como, por exemplo, deixar de haver acção gravitacional sobre a matéria?
Já imaginaram? Simplesmente a vida tal como a conhecemos desapareceria flutuando pelos confins do espaço sideral. A mãe terra abandonava-nos a nós seres vivos, ao que é matéria nos estados líquido ou sólido, tudo flutuaria a caminho do além. Nada escaparia e literalmente se poderia dizer  com propriedade "que era o fim do mundo".

Quem primeiro descreveu o fenómeno gravitacional, foi um cidadão inglês nascido numa pequena localidade, de seu nome Isaac Newton, na sua "Lei da Gravitação Universal", que enunciava:
Dois corpos se atraem por meio de forças e sua intensidade é proporcional ao produto de suas massas e inversamente proporcional ao quadrado da distância que as separa.



Posso garantir que o enunciado está correcto...

João Aquele Que é Matéria

O UIVO DE MONTEJUNTO Porque resulta de interesse histórico e natural conhecimento, com a devida vénia se transcreve o texto infra . O Último...