quarta-feira, 25 de março de 2020









RESISTIR É VENCER


Podia perfeitamente ser a palavra de ordem dos habitantes da pequena aldeia gaulesa que, bravamente, resistia ao avanço do Império Romano, o Império de César.


Faleceu ontem o ilustrador francês Albert Uderzo, um dos criadores da banda desenhada de Astérix e Obélix. 



"Desapareceram, assim, os dois autores desta famosa banda desenhada francesa, que conta já com seis décadas de existência. 

O seu companheiro, René Goscinny, tinha falecido em 1977. 


Nascido em 25 de abril de 1927, Uderzo assinou as primeiras aventuras de Astérix, o Gaulês, com René Goscinny, em 1959.


O irredutível guerreiro gaulês apareceu pela primeira vez em Portugal, nas páginas da revista Foguetão, no dia 4 de maio de 1961.


Em 1967, foi editado o primeiro álbum de Astérix em Portugal: 'Astérix, o Gaulês'.


Em 2011, o cocriador de Astérix e Obélix, que assumira sozinho a continuação das aventuras, após a morte de Goscinny em 1977, passou o testemunho aos desenhadores Frédéric e Thierry Mébarki e ao guionista Jean-Yves Ferri.









As histórias sobre a pequena aldeia gaulesa rebelde, vendeu perto de 400 milhões de exemplares em todo o mundo e deu origem a mais de uma dezena de filmes, entre personagens reais e animadas e estão traduzidas em mais de 107 línguas e dialetos, incluindo a língua mirandesa."



As suas magníficas histórias magistralmente desenhadas, foram, durante muitos anos, da adolescência até aos dias de hoje, companhia de leitura e de prazer promovendo-me à leitura e à descoberta. Morreram os seus autores porém a obra ficou, felizmente com continuação assegurada para gáudio de toda a pequenada, dos 3 aos 99 anos. 




Que vive Astérix et Obélix... 




João Andarilho

terça-feira, 10 de março de 2020



TEMPO DE TREVAS


Já me contava o meu querido sogro que em tempos de meninice e adolescência, lá para os idos anos das décadas de 50/60, na sua e nas terrazinhas da sua lembradura, na zona de Torres Novas, a vida era ruim mesmo. Desde o não terem calçado ou transportes (tinham que palmilhar kms a pé para ir apanhar o comboio, bicicletas nem pensar), escola longe e só até à 4ª classe. Os poucos abastados podiam aspirar a alcançar um nível de ensino superior ou uma escola profissional. Era o tempo da iliteracia e do analfabetismo, política oficial, pois que gente esclarecida e com instrução era tudo o que o regime não precisava. Fome era o dia a dia, tinham que a enganar com umas castanhitas ou fruta dos pomares, sem peixe (quando havia uma sardinha, era partilhada entre todos) e muito menos carne, a qualidade nutricional era mais que paupérrima. O que não faltava mesmo eram missas diárias, com fartura e as oratórias enfadonhas do Senhor Prior, sempre enquadradas com a cartilha de apoio ao regime. Igrejas por Km2 eram mato, mas isso já vem dos tempos antanhos da criação desta nossa pátria e da omnipresente pata clerical e dos seus infernos sobre as nossas pobres cabeças.
Para anestesiar as (in)consciências do povo e dar-lhe escape para descarregar as agruras da vida, lá tínhamos os fins-de semana da bola, do Eusébio, do Yazalde e do Cubillas... e o Fado! Fado sempre tem sido a vida deste povo tão maltratado!
Tempos que este povo não esqueceu mas que apesar de tanta porrada na vida, não aprendeu. Da alvorada madrugadora de Abril de 1974, surgiu a esperança gritada de lés-a-lés, que a ditadura tinha sido defenestrada, logo tinham sido corridos os detentores do poder e seus esbirros, os pides foram presos, o país era finalmente livre, podia-se falar, chorar de alegria. Era um tempo novo, um tempo de esperança. Durou 19 meses na zona de intervenção da reforma agrária. Durante esse tempo foram criadas instituições para o bem comum, o ensino foi alargado a todos os portugueses, promovida a rápida alfabetização do nosso povo. Foi criado o SNS e garantidos direitos consagrados na nova Constituição da República, como o direito à educação, saúde e habitação. Instituída a obrigatoriedade de férias e o seu pagamento, bem como a criação do chamado Subsídio de Natal ou 13º mês e criado o salário mínimo.
Porém, estes avanços não foram do agrado dos grandes agrários, dos saudosistas do regime deposto e, com o maior apoio da Igreja, nos seus púlpitos dantescos, inflamando consciências e gritando «cuidado os russos vêm aí» ou « cuidado que os comunas comem criancinhas ao pequeno almoço», movimentaram-se ( também à bomba, com assassinatos e assaltos a sedes partidárias) no sentido de parar a caminhada libertadora e progressista. A contra-revolução acabou por acontecer em 25-11-1975 e a partir daí até ao presente, grande parte das conquistas alcançadas foram sendo subvertidas e liquidadas, o capitalismo avançou, primeiro lentamente, mas as suas garras (com Soares e Cavaco) rapidamente transformaram o país no esterco  onde chafurdam os novos esbirros do nosso povo, sugando-o até ao tutano. Deixámos de ser um país independente, com decisão própria. Tudo é cozinhado e lavrado fora das nossa fronteiras. Não temos o controlo da nossa economia, do nosso destino. A moeda não é nossa, foi-nos imposta! Nada é nosso, tudo, ou quase tudo está vendido ao capital estrangeiro. Os grandes lucros, as mais- -valias vão para o estrangeiro, nada do que é lucro ou mais- valia fica no nosso país para nele investir! É o descalabro!
Nunca como hoje, houve tantos licenciados em Portugal, porém, a falta de consciência crítica, a anestesia e o marasmo da nossa sociedade em resultado também da manipulação a que o povo é sujeito pela CS (comunicação social) dominante (leia-se pró-capitalista), a mega corrupção e o nepotismo a todos os níveis da nossa sociedade e do Estado, levam a uma cada vez maior desistência do exercício cívico de votar, com o aumento alarmante da abstenção chegando a proporções inaceitáveis. A democracia não existe, morreu, o que existe é uma máscara de democracia, é um carnaval que dura os 365 dias do ano.
Mas o pior estará para vir. O capitalismo, no seu estertor, vai ressuscitando a besta do fascismo por essa Europa fora, com consequências previsíveis por conhecidas. Inacreditavelmente, ou talvez não, foi possível à casa que representa a democracia em Portugal, albergar já, manifestamente, um partido fascista, um cadáver fascista seu representante ao arrepio da própria constituição e o circo só agora começou.
Tempo de trevas, tempo de resistir de novo em liberdade ou na clandestinidade, mas resistir...


João Andarilho

sábado, 7 de março de 2020









A Bandeira Comunista



A folha manuscrita aqui reproduzida é a única existente do original de A Bandeira Comunista de José Carlos Ary dos Santos.

Um dos mais conhecidos poemas de Ary e seguramente dos mais queridos dos militantes do PCP, A Bandeira foi escrito em condições que merecem ser recordadas.

Na segunda-feira, 11 de Agosto de 1975 o Centro de Trabalho do PCP em Braga foi destruído e incendiado após um ataque comandado por um grupo operacional do ELP, como mais tarde veio a ser revelado por numerosas investigações e directamente reconhecido por alguns dos membros do comando directamente envolvidos.

O «Avante!» enviara no fim de semana anterior para Braga um seu colaborador fotógrafo, uma vez que corriam insistentes boatos de incidentes em Braga na segunda-feira por (como sucedeu em diversos outros actos terroristas) ser dia de feira. Tendo resolvido pernoitar no Porto, o repórter chegou a Braga a meio da manhã verificando então que os provocadores haviam já desencadeado as agressões e que o Centro de Trabalho (onde se encontravam numerosos militantes) estava já cercado.

Apedrejamentos e tentativas de fogo posto sucederam-se ao longo do dia, tendo – de forma equívoca nunca inteiramente esclarecida – os defensores do Centro acabado por ser retirados por uma força militar que deixou o edifício entregue aos fascistas que completamente o destruíram e incendiaram.

Tomado pelos provocadores como um repórter que lhes era favorável, o fotógrafo do «Avante!» pôde assim obter ao longo do dia as mais extraordinárias imagens da violência fascista à solta, muitas das quais foram publicadas na edição seguinte do «Avante!», a 14 de Agosto.

Para essa mesma quinta-feira, a Direcção da Organização Regional de Lisboa convocara para o hoje Pavilhão Carlos Lopes um comício de solidariedade com os camaradas das organizações atingidas pelo terrorismo e de exigência de medidas de salvaguarda da ordem democrática.

Na redacção do «Avante!» decidimos montar num dos átrios do Pavilhão uma exposição com ampliações das fotos de Braga, de que só uma pequena parte havia sido publicada no jornal. Feitas as ampliações, colocou-se o problema das legendas – que acabou a ser um duplo problema...

A questão era que as imagens tinham uma força tal que qualquer palavra, qualquer frase parecia estar ali a mais. Contudo...

Lembrámo-nos então, telefonou-se ao Zé Carlos para a Espiral, agência de publicidade onde trabalhava, e dissemos-lhe do problema: «Não serias capaz de fazer aí qualquer coisa, uns versos com força, isto não há legendas que resolvam isto...». «Esperem lá um bocado que eu já ligo.»

Meia hora depois o telefone tocava e ouvia-se o vozeirão do outro lado: «Então vejam lá se esta coisa serve.»

Era A Bandeira Comunista. Copiada ao telefone, dactilografada e ampliada, iniciou nessa noite de luta um caminho que não findou jamais.


A bandeira comunista

Foi como se não bastasse
tudo quanto nos fizeram
como se não lhes chegasse
todo o sangue que beberam
como se o ódio fartasse
apenas os que sofreram
como se a luta de classe
não fosse dos que a moveram.
Foi como se as mãos partidas
ou as unhas arrancadas
fossem outras tantas vidas
outra vez incendiadas.

À voz de anticomunista
o patrão surgiu de novo
e com a miséria à vista
tentou dividir o povo.
E falou à multidão
tal como estava previsto
usando sem ter razão
a falsa ideia de Cristo.

Pois quando o povo é cristão
também luta a nosso lado
nós repartimos o pão
não temos o pão guardado.
Por isso quando os burgueses
nos quiserem destruir
encontram os portugueses
que souberam resistir.

E a cada novo assalto
cada escalada fascista
subirá sempre mais alto
a bandeira comunista.


Fonte: Os Artistas da Festa



PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS 



"Não é mais um partido, É O PARTIDO"


Créditos do Autor

Inicia-se, hoje, o ano 100 do Partido Comunista Português, um dia após ter completado a jovem idade de 99 (noventa e nove) anos de existência.
Fundado em 6 de Março de 1921, no meio de uma profunda crise económica e social após a grande guerra de 14/18,  numa época de grande contestação nas ruas face ao agravamento das condições de vida provocadas pelo capital e que levou à conquista da jornada de trabalho das 8 horas.
Na altura, chegou-se à conclusão de que seria importante para o povo trabalhador e explorado e ávido de melhores condições de vida, que os resultados alcançados e o poder das suas justas reivindicações fossem devidamente e politicamente enquadrados, não ficando isolados face à batalha contra o patronato.
A repercussão que a Revolução Russa de 1917 estava a ter a nível internacional, teria de ser aproveitada, acabando por se traduzir numa entusiástica adesão à causa "bolchevique" no nosso país, com a formação de diversos círculos de experenciação do proletariado russo e, em 1919, foi fundada a Federação Maximalista Portuguesa, que passou a editar o semanário " Bandeira Vermelha".
No ano 20, houve movimentações no sentido de construção de uma vanguarda revolucionária dos operários portugueses e, em Dezembro, reuniu-se uma Comissão Organizadora dos trabalhos para a Criação do Partido Comunista Português. Em Janeiro de 1921, foi iniciada a elaboração das bases orgânicas desta nova formação política.
"O Partido Comunista Português ergueu-se, essencialmente, com militantes saídos das fileiras do sindicalismo revolucionário e do anarco-sindicalismo, que representavam o que havia de mais vivo, combativo e revolucionário no movimento operário português."
Daí à criação do Órgão do Partido Comunista Português, foi um passo e, sete meses após a sua fundação, foi dado à estampa "O Comunista", em 16 de Outubro de 1921, ao qual sucederia, o "Avante!", em Fevereiro de 1931.
A 1ª sede situava-se na Rua do Arco do Marquês do Alegrete, nº3, 2º Dtº, em Lisboa, abrindo, ainda no ano da fundação, Centros no Porto, Évora e Beja.
"A fundação do Partido Comunista Português não foi um acaso nem fruto de uma decisão arbitrária. Foi a expressão de uma necessidade histórica da sociedade portuguesa e resultado da evolução do movimento operário português."

"Em 6 de Março de 1921, na sede da Associação dos Empregados de Escritório, em Lisboa, realiza-se a Assembleia que elege a direcção do PCP. Estava fundado o Partido Comunista Português."


Fonte: Livro "60 Anos de Luta"

domingo, 5 de janeiro de 2020



A FUGA RUMO À VITÓRIA

Peniche, Forte de Peniche, 4 de Janeiro de 2020.
 Na comemoração dos 60 anos da dramática fuga de 10 presos políticos da cadeia de alta segurança do Forte de Peniche, ocorrida em 3-01-1960, todos dirigentes do Partido Comunista Português, entre os quais o Secretário-geral, Álvaro Cunhal.

Descrição da necessidade da fuga, da sua estratégia, dos preparativos, da execução e, finalmente, do significado político e da importância que teve no reforço da acção e da luta contra o regime fascista, na palavra do histórico dirigente, Domingos Abrantes.

https://youtu.be/4XU2wtj6bqo

https://youtu.be/L_Cd1LUA7zI

https://youtu.be/39bphPpJu5Q

https://youtu.be/EWSIAGXKUBg

https://youtu.be/Gdi7o8BBh9w

https://youtu.be/5OQRuWyVArE

https://youtu.be/jK4-h5NCD5Y

Trata-se de um documento registado em vídeo pela minha pessoa, que considero fundamental ver e ouvir para memória futura, pretendendo que neste meu blogue fique arquivado.














João Andarilho 





sexta-feira, 3 de janeiro de 2020




A FUGA


A 3 de Janeiro de 1960 foi protagonizada a mais espectacular fuga de presos políticos de uma prisão do regime fascista.



Há 60 anos, 10 destacados dirigentes e quadros do PCP protagonizaram a mais espectacular evasão de toda a história da resistência antifascista.

"Da Fortaleza de Peniche, onde se encontravam presos, evadiram-se no dia 3, para retomar o seu posto de combate contra o salazarismo, os camaradas Álvaro Cunhal, Jaime Serra, Joaquim Gomes, Francisco Miguel, Guilherme de Carvalho, Pedro Soares (membros do Comité Central do Partido Comunista Português) e os destacados militantes Carlos Costa, Francisco Martins Rodrigues, Rogério de Carvalho e José Carlos.


A libertação destes camaradas foi possível pela sua coragem e abnegação, pelo seu desejo de prosseguirem no combate pela libertação do povo português do jugo salazarista, pelo auxílio que lhes foi prestado pelo Partido Comunista e pelo apoio popular."

In Comunicado do Secretariado do Comité Central do PCP publicado no «Avante!» de Janeiro de 1960

João Camarada

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020




NEW YEAR´S DAY
01-01-2020


«Já que não podemos extrair beleza da vida, busquemos ao menos extrair beleza de não poder extrair beleza da vida. Façamos da nossa falência uma vitória, uma coisa positiva e erguida, com colunas,  majestade e aquiescência espiritual.»

ESTÉTICA DO DESALENTO - LIVRO DO DESASSOSSEGO - FERNANDO PESSOA


https://youtu.be/SlDi4hpJsaY

João Andarilho

O UIVO DE MONTEJUNTO Porque resulta de interesse histórico e natural conhecimento, com a devida vénia se transcreve o texto infra . O Último...