domingo, 16 de fevereiro de 2025

 LOUCO E BOBO MAS POUCO


No louco mundo em que perecemos vale a pena parar para sorrir um pouco:

Copiado da internet 

"Triboulet era um bobo da corte de Luís XII (rei da França de 1498 a 1515), famoso por dar um palmada nas nádegas do rei.

Este acto enfureceu o rei e ameaçou a execução de Triboulet. Depois de um momento para se acalmar, o rei decidiu poupar a vida de Triboulet se pudesse pensar num pedido de desculpas mais ofensivo do que o que acabara de fazer ao rei. Triboulet continuou dizendo: "Sinto muito, Sua Majestade, por não o ter reconhecido!
Eu o confundi com a Rainha!" A resposta de Triboulet, embora inteligente e de fato mais ofensiva, quebrou uma ordem posta em prática que proibia qualquer pessoa de zombar da rainha. O rei decidiu prosseguir com a execução, mas permitiu que Triboulet escolhesse como morreria. Com sua vida em jogo, Triboulet respondeu: "Bom senhor, por causa de San Nitouche e San Pansard, patronos da loucura, escolho morrer de velhice". O rei mudo, não pôde deixar de rir."

Não sei se morreu de velho!

João Andarilho 

sábado, 15 de fevereiro de 2025

 CAMUS



Envelhecer” – Albert Camus*.

Envelhecer é o único meio de viver muito tempo.

A idade madura é aquela na qual ainda se é jovem, porém com muito mais esforço.

O que mais me atormenta em relação às tolices de minha juventude não é havê-las cometido... e sim não poder voltar a cometê-las.

Envelhecer é passar da paixão para a compaixão.

Muitas pessoas não chegam aos oitenta porque perdem muito tempo tentando ficar nos quarenta.

Aos vinte anos reina o desejo, aos trinta reina a razão, aos quarenta o juízo.

O que não é belo aos vinte, forte aos trinta, rico aos quarenta, nem sábio aos cinquenta, nunca será nem belo, nem forte, nem rico, nem sábio...

Quando se passa dos sessenta, são poucas as coisas que nos parecem absurdas.

Os jovens pensam que os velhos são bobos; os velhos sabem que os jovens o são.

A maturidade do homem é voltar a encontrar a serenidade como aquela que se usufruía quando se era menino.

Nada passa mais depressa que os anos.

Quando era jovem dizia:

“Verás quando tiver cinquenta anos”.

Tenho cinquenta anos e não estou vendo nada.

Nos olhos dos jovens arde a chama, nos olhos dos velhos brilha a luz.

A iniciativa da juventude vale tanto a experiência dos velhos.

Sempre há um menino em todos os homens.

A cada idade lhe cai bem uma conduta diferente.

Os jovens andam em grupo, os adultos em pares e os velhos andam sós.

Feliz é quem foi jovem em sua juventude e feliz é quem foi sábio em sua velhice.

Todos desejamos chegar à velhice e todos negamos que tenhamos chegado.

Não entendo isso dos anos: que, todavia, é bom vivê-los, mas não os ter.

(Albert Camus* - escritor, jornalista, ensaísta e filósofo. O intelectual franco-argelino foi laureado com o Nobel de Literatura em 1957).


domingo, 9 de fevereiro de 2025

 PARAÍSO ALI



Maria, de seu nome (podia não ser a Maria). Quase sempre preenche esta palete de cores quando sou presente. Sugeria dizer ser o meu " spot " de eleição para obter no prazer de estar, saúde. Mas não é um "spot" é a minha ligação animal com a natureza. Enquanto tiver memória vou-me encontrar neste espaço privilegiado. A Maria só vem pincelar algum encanto mais.

João Andarilho 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

 

FUGA, MAS DEVAGAR...



Vinte e Dois de Janeiro do Ano da Graça de Nosso Senhor Todo Poderoso de Mil Oitocentos e Oito. Determinou-se, por decreto real, pressuponho, a debandada geral de Sua Majestade, Rainha D. Maria I, do Príncipe Regente D. João VI, de Viscondes, Viscondessas, Duques e Duquesas e mais cerca de quinze mil almas privilegiadas do Reino de Portugal, em direção à colónia portuguesa do Brasil, em razão da entrada no Reino das tropas napoleónicas. O medo (e quem tem cu tem medo) foi de tal forma, que se transformou em pânico, gerando uma autêntica correria desta gente em direção às naus acostadas. O desespero foi tal que e para manter boa aparência, sua Majestade Real, também chamada de Louca, arfante, terá gritado, lucidamente: " Não corram tanto que assim parece que estamos a fugir!"´


João Andarilho


segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

 

REGRESSO 



Entrou o novo velho inquilino. Qual elefante numa loja de porcelana. Prometeu não se meter com a vizinhança do quarteirão e acabar  com os conflitos. Cheio de boas intenções, que o digam os panamenhos e os da terra de grone... Está prenhe o mundo.


João Andarilho 

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

 

RESIGNAÇÃO (título meu)




Tive de aceitar...


Aceitar o tempo - esse

mistério esquivo que foge à

minha compreensão.

Aceitar que a eternidade é um

enigma para a mente mortal.

Que meu corpo, frágil e

efémero, não é imortal.

Que ele envelhecerá, lentamente.


Tive de aceitar que somos 

feitos de memórias,

mas também de

esquecimentos.

De desejos não realizados,

ruídos e silêncios.

De sussurros fugazes e

noites estreladas,

tecendo histórias em

detalhes subtis.


Tive de compreender que

tudo é passageiro,

que nada dura para sempre, 

que meus filhos um dia

voariam,

esculpindo seus próprios 

caminhos, longe de mim.

Eles nunca me pertenceram,

como imaginei por um 

instante.

Sua liberdade para ir, vir e

escolher

era tão preciosa quanto

o amor que eu nutria por eles.


Tive que aceitar que varrer

minha calçada todas as 

manhãs

era só um doce engano.

Um gesto para convencer-me

de que aquele pequeno canto

do mundo

era meu, quando nunca foi.

Minha casa, meu abrigo -

um tecto transitório que, um

dia, abrigará outra vidas, 

outras histórias.


Tive de compreender que

meu apego às coisas,

aos seres, aos lugares,

só tornará mais doloroso o

momento de dizer adeus.

As árvores que plantei,

 as flores que cuidei,

os pássaros que eu ouvi cantar

-

todos estavam apenas de 

passagem, 

assim como eu.


Tive de aceitar meus defeitos,

minha fragilidade,

minha condição de ser fugaz,

condenado a desaparecer,

enquanto a vida continuará 

fluindo,

como um rio indiferente à 

minha  memória.


E tive de aceitar que, um dia,

eu seria esquecido.


Por isso, cuidemos da nossa 

alma,

pois ela é a única coisa

que verdadeiramente nos 

pertence.


Sílvia Schmitt


O UIVO DE MONTEJUNTO Porque resulta de interesse histórico e natural conhecimento, com a devida vénia se transcreve o texto infra . O Último...