LOUCO E BOBO MAS POUCO
No louco mundo em que perecemos vale a pena parar para sorrir um pouco:
Aventura, arte, literatura, coisas da vida, banalidades e curiosidades
LOUCO E BOBO MAS POUCO
No louco mundo em que perecemos vale a pena parar para sorrir um pouco:
CAMUS
PARAÍSO ALI
FUGA, MAS DEVAGAR...
Vinte e Dois de Janeiro do Ano da Graça de Nosso Senhor Todo Poderoso de Mil Oitocentos e Oito. Determinou-se, por decreto real, pressuponho, a debandada geral de Sua Majestade, Rainha D. Maria I, do Príncipe Regente D. João VI, de Viscondes, Viscondessas, Duques e Duquesas e mais cerca de quinze mil almas privilegiadas do Reino de Portugal, em direção à colónia portuguesa do Brasil, em razão da entrada no Reino das tropas napoleónicas. O medo (e quem tem cu tem medo) foi de tal forma, que se transformou em pânico, gerando uma autêntica correria desta gente em direção às naus acostadas. O desespero foi tal que e para manter boa aparência, sua Majestade Real, também chamada de Louca, arfante, terá gritado, lucidamente: " Não corram tanto que assim parece que estamos a fugir!"´
João Andarilho
RESIGNAÇÃO (título meu)
Tive de aceitar...
Aceitar o tempo - esse
mistério esquivo que foge à
minha compreensão.
Aceitar que a eternidade é um
enigma para a mente mortal.
Que meu corpo, frágil e
efémero, não é imortal.
Que ele envelhecerá, lentamente.
Tive de aceitar que somos
feitos de memórias,
mas também de
esquecimentos.
De desejos não realizados,
ruídos e silêncios.
De sussurros fugazes e
noites estreladas,
tecendo histórias em
detalhes subtis.
Tive de compreender que
tudo é passageiro,
que nada dura para sempre,
que meus filhos um dia
voariam,
esculpindo seus próprios
caminhos, longe de mim.
Eles nunca me pertenceram,
como imaginei por um
instante.
Sua liberdade para ir, vir e
escolher
era tão preciosa quanto
o amor que eu nutria por eles.
Tive que aceitar que varrer
minha calçada todas as
manhãs
era só um doce engano.
Um gesto para convencer-me
de que aquele pequeno canto
do mundo
era meu, quando nunca foi.
Minha casa, meu abrigo -
um tecto transitório que, um
dia, abrigará outra vidas,
outras histórias.
Tive de compreender que
meu apego às coisas,
aos seres, aos lugares,
só tornará mais doloroso o
momento de dizer adeus.
As árvores que plantei,
as flores que cuidei,
os pássaros que eu ouvi cantar
-
todos estavam apenas de
passagem,
assim como eu.
Tive de aceitar meus defeitos,
minha fragilidade,
minha condição de ser fugaz,
condenado a desaparecer,
enquanto a vida continuará
fluindo,
como um rio indiferente à
minha memória.
E tive de aceitar que, um dia,
eu seria esquecido.
Por isso, cuidemos da nossa
alma,
pois ela é a única coisa
que verdadeiramente nos
pertence.
Sílvia Schmitt
O UIVO DE MONTEJUNTO Porque resulta de interesse histórico e natural conhecimento, com a devida vénia se transcreve o texto infra . O Último...