domingo, 26 de maio de 2019



A CULPA É VOSSA!


" Mãe... eu quero ficar sozinho! Mãe, eu não quero pensar mais, mãe, eu quero morrer, mãe! Eu quero desnascer, ir-me embora sem sequer ter que me ir embora! Mãe, por favor... tudo menos a casa em vez de mim, outro maldito que não sou senão este tempo que decorre entre fugir de me encontrar e me encontrar fugindo. De quê, mãe? Diz! São coisas que se me perguntem... não pode haver razão para tanto sofrimento. E se inventássemos o mar de volta e se inventássemos partir para regressar, partir e aí, nessa viagem, ressuscitar da morte às arrecuas que me deste. Partida para ganhar, partida de acordar, abrir os olhos numa ânsia colectiva de tudo fecundar, terra, mar, mãe. Lembrar como o mar nos ensinava a sonhar alto. Lembrar, note a note, o canto das sereias, lembrar o Depois do Adeus e o frágil e ingénuo cravo da Rua do Arsenal, lembrar cada lágrima, cada abraço, cada morte, cada traição, partir aqui com a ciência toda do passado, partir aqui, para ficar... Assim mesmo como intervim um dia a chorar de alegria, de esperança precoce e intranquila, o azul dos operários da Lisnave a desfilar gritando ódio apenas ao vazio, exército de amor e capacetes, assim mesmo na Praça de Londres, o soldado lhes falou: - olá camaradas, somos trabalhadores, eles não conseguiram fazer-nos esquecer, aqui está a minha arma para vos servir.  
Assim mesmo por trás das colinas onde o verde está à espera, se levantam antiquíssimos rumores, as festas e  os suores, os bombos de Lava Colhos. Assim mesmo senti um dia, a chorar de alegria e esperança precoce e intranquila o bater inexorável dos corações produtores, os tambores. De quem é o Carvalhal? É nosso! Assim, te quero cantar! Mar antigo a que regresso. Neste cais está arrimado o barco que sonho em que voltei, neste cais eu encontrei a margem do outro lado, Grândola Vila Morena. Diz lá? Valeu a pena a travessia? Valeu pois! Pela vaga de fundo se sumiu o futuro histórico da minha classe, no fundo deste mar encontrarei os tesouros recuperados de mim, que estou a chegar do lado de lá para ir convosco, tesouros infindáveis que vos trago de longe e que são vossos, o meu canto e a palavra, o meu sonho é a luz que vem do fim do mundo, dos vossos antepassados que ainda não nasceram. A minha arte é estar aqui convosco e ser-vos alimento e companhia na viagem  para estar aqui de vez. Sou português, pequeno-burguês de origem, filho de professores primários, artista de variedades, compositor popular, aprendiz de feiticeiro. Faltam-me dentes, sou o Zé Mário Branco, 37 anos, do Porto, muito mais vivo que morto. Contai com isto de mim para cantar e para o resto.

(Fevereiro de 1979)


José Mário Branco - FMI



















sexta-feira, 24 de maio de 2019



SAB

Com 19 anos de idade confesso que ainda estava muito verde quanto ao meu futuro. A vida não era um mar de rosas mas tínhamos momentos únicos como quando partilhados com os nossos amigos de adolescência, nas nossas brincadeiras e aventuras, na escola ou fora dela. Acontecia no desporto, também, fosse na natação, no judo ou no futebol. Foi no futebol que cheguei a equipar o "jersey"  do SAB (SPORT ABRANTES E BENFICA), como juvenil, conforme faz fé esta foto tirada antes de  um jogo dos Distritais da Associação Distrital de Santarém, no dia 25-02-1979.


De pé: Sr. Fernando, Colaço, Ameixa, Sérgio,  Treinador Sr. Vítor, Vergílio, Coutinho (eu, portanto), Bioucas, Mano, Vale Matos, Pardal e o Sr. António.

Sentados: Rosado, Hélder, Madail, Penteado, Marito ,  Valadas, Víctor  e Soares.

Não me recordo do resultado. O importante foi o momento para mais tarde recordar e o orgulho de representar aquela instituição, pese embora ser o clube de coração o Sporting Clube de Portugal.

João Andarilho






LAUDA

Lembro-me das imagens do acidente de Niki Lauda na Alemanha. Vi em directo. Teria para aí uns 14 anos ou 15. Na altura era um apaixonado pela F1, quando havia serviço público de televisão e as transmissões eram em sinal aberto. Outros tempos, outras vontades. Fiquei chocado com o fogo desenfreado e não havia maneira de tirar o piloto de dentro do cokpit do bólide. Era uma corrida contra o tempo... finalmente alguns colegas conseguiram o impossível. Foi um alívio. Começava o seu grande-prémio contra a morte e só havia um desfecho: a vitória, a vida. Um mês e meio depois e depois de ter sido declarado morto, regressou às pistas  e só não ganhou o título por um ponto e porque não arriscou a vida no último grande-prémio da temporada disputado sob um grande vendaval, quando só precisava de ficar à frente de James Hunt. Desistiu logo na primeira volta e Hunt sagrou-se campeão. 
Lauda foi tri-campeão, dois pela Ferrari e o último pela McLaren, já depois do quase fatídico acidente que o marcou para o resto da vida.
Aos 70 anos, passou-se, pacificamente com aquela humildade que é característica dos grandes.

Fica em paz campeão!



João Lauda 

terça-feira, 21 de maio de 2019



A VIDA REVELADA…


Entre dois cheese-burguer´s e meio e meia dúzia de  pretinhas para hidratar, aconteceu magia. Da cartola saem coelhos e o mágico foi um tal de Sunderley, brasileiro de naturalidade, nascido no fim do mundo, no Paraná, no cu de judas. Com ascendentes portugueses, há dezasseis anos que resolveu adoptar como sua, a pátria de Camões. Assentou na Lourinhã, é camionista profissional e viaja por essa Europa até aos seus confins e regressa. 
Conversador por excelência e por natureza, como brasileiro que se preza, não foi preciso muito para desbocar as suas estórias de vida por esse asfalto.. e foi um deslumbramento! Tanto que a audiência se demorava um pouco mais para além do tempo de degustação das iguarias, na conhecida "Maria Bonita", ponto de encontro de estômagos vazios e secas goelas.
Tobias (two beer´s) para lá e Tobias (two beer´s) para cá, as horas passaram e era quase alvorecer quando a malta dispersou.
De novo, "Maria Bonita" foi mais além do que simples ponto de encontro para uma bejeca. Foi um momento de cultura, um momento de aprender-mos com outras experiências de vida.

Créditos: João Andarilho
Boa viajem Sunderley… Acá te esperamos companheiro.

João Andarilho





CARLÃO


Créditos (João Andarilho)

Foi um tempo de conversa com uma pitada musical aqui e ali, com que Carlão nos brindou Sábado, 18-05-2019, na Lourinhã. Uma conversa descontraída que mostrou o outro lado da pessoa e do profissional. Demonstrou o à vontade com que se sente perante uma plateia bem composta, moderada por entrevistador profissional, não defraudando as expectativas. 
No final, como nota negativa, a sua não presença para um pouco de confraternização com o público que o aguardava, quanto mais não seja para um autógrafo.

Todavia, no passa nada, amigos como sempre.

João Andarilho 

sábado, 18 de maio de 2019



DIA DOS MUSEUS


Hoje comemora-se o Dia dos Museus. Para quem pretende visitar os nossos museus, particularmente em Lisboa, relevante é a informação de que a maior parte deles é grátis aos Domingos.

Eis alguns onde vale a pena perder algum tempo da nossa curta existência:



MATT

O Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia é um dos museus mais recentes de Lisboa e um dos mais visitados da cidade. No seu interior cruza três áreas: descoberta, pensamento crítico e diálogo internacional; No seu exterior são milhares os que por lá passam para observar a beleza do edifício e a vista para o rio.

Preço: Grátis no primeiro domingo de cada mês. Nos outros dias o bilhete custa entre 5€ e 9€

Horários: Aberto das 11h00 às 19h00 todos os dias menos à terça-feira

Morada: Avenida Brasília, Belém



Museu do Fado




Aqui celebra-se o valor excecional do Fado como símbolo identificador da cidade de Lisboa, assim como o seu enraizamento profundo na tradição e história cultural do país.

Preço: Grátis dia 18 de maio, domingos e feriados de manhã. Restantes dias: 5€. Descontos aqui

Horários: De terça-feira a domingo, das 10h00 às 18h00

Morada: Largo do Chafariz de Dentro, Alfama



Museu da Água 

Conjunto de monumentos e edifícios, construídos entre os séculos XVIII e XIX, que representam um importante capítulo da história do abastecimento de água à cidade de Lisboa. Além das exposições, a visita inclui uma passagem pelo Aqueduto das Águas Livres, pelo reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras, pelas galerias subterrâneas do Aqueduto e ainda pela Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos.

Preço: Grátis no dia 18 de maio e no 1.º domingo de cada mês. Clica aqui para ver os preços

Horários: Todos os dias das 10h às 17h30

Morada: Rua do Alviela, 12, Santa Apolónia



Museu do Dinheiro 

Aqui vais fazer uma viagem pela história do dinheiro desde o seu aparecimento até aos nossos dias. Há atividades interativas e vários objetos nos quais podes tocar e agarrar, como uma barra de ouro. Só não vale levar! O que poderás levar de recordação é uma moeda ou nota com a tua cara.

Preço: Entrada livre

Horários: Aberto de quarta-feira a domingo das 10h00 às 18h00

Morada: Antiga Igreja de S. Julião, Largo de S.Julião, na Baixa-Chiado



Fundação Calouste Gulbenkian

Além de desenvolver várias atividades no campo da cultura, do ensino e da investigação científica, esta fundação alberga o Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão, uma biblioteca de arte e um museu onde poderás ver várias exposições permanentes, mas também exposições temporárias. Uma das mais interessantes dos últimos tempos está patente até dia 10 de junho – ‘Cérebro mais vasto que o céu’. Depois da visita ao museu, aproveita para passear pelos lindos jardins da instituição, sobre os quais já te falei aqui.

Preço: Entrada gratuita aos domingos a partir das 14h00. Vê os preços dos restantes dias aqui

Horários: De quarta a segunda-feira das 10h00 às 18h00

Morada: Avenida de Berna, 45ª, Praça de Espanha



Museu Nacional de História Natural e da Ciência




Inclui espaços repletos de ciência e de história como é o caso do Laboratório Chimico, o Observatório Astronómico e o antigo Picadeiro do Colégio dos Nobres. Aqui vais encontrar diversas exposições e um largo conjunto de atividades que visam estimular a curiosidade e compreensão sobre a Natureza e a Ciência. Além disso o museu tem também um dos jardins mais bonitos de Lisboa, o Jardim Botânico. Até dia 19 de maio podes ver a World Press Photo neste museu.

Preço: Museu – 5 €; Museu + Jardim Botânico – 6 €; Jardim Botânico - 3€. Descontos para estudantes e seniores. Gratuito até aos 6 anos

Horários: De terça a sexta das 10h00 às 17h00, sábado e domingo das 11h00 às 18h00 / Jardim Botânico – De segunda a domingo das 9h00 às 20h00

Morada: Rua da Escola Politécnica, Príncipe Real



Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado

Este museu tem o maior acervo de arte contemporânea portuguesa. Aqui podes percorrer as mais belas obras de arte da história do nosso país. Conta com uma exposição permanente e várias exposições temporárias. Além das obras em exposição, a arquitetura do edifício que as alberga também é admirável.

Preço: Grátis dia 18 de maio e todos os domingos e feriados de manhã. Restantes dias: 4.5€

Horários: Aberto de terça-feira a domingo, das 10h00 às 18h00

Morada: Rua Serpa Pinto, Chiado



Museu Nacional Nacional do Teatro e da Dança

Aqui podes passear pelas memórias da história do espetáculo em Portugal. O museu está instalado no Palácio Monteiro-Mor, um edifício do século XVIII, e alberga mais de 250 mil peças, entre trajes e adereços de cena, cenários, figurinhos, discos, partituras, e ainda 120 mil fotografias.

Preço: Entrada gratuita dia 18 de maio e todos os domingos de manhã. Restantes dias: 4€

Horários: Aberto de terça-feira a domingo, das 10h00 às 18h00

Morada: Estrada do Lumiar, n.º10



Museu Fundação Oriente

Aqui podes visitar várias coleções de arte que demonstram não só as fortes ligações entre o Ocidente e o Oriente, como revisitar encontros históricos entre Portugal e a Ásia.

Preço: Grátis dia 18 de maio, aos domingos e às sextas das 18h00 às 22h00. Preços aqui

Horários: Aberto de terça-feira a domingo, das 10h00 às 18h00. Às sextas-feiras encerra às 22h00

Morada: Avenida Brasília, Doca de Alcântara



Museu da Marioneta

Está instalado no Convento das Bernardas e conta a história da marioneta e a difusão do teatro de marionetas, não só da portuguesa, mas dos diferentes tipos de marionetas espalhados pelo mundo.

Preço: Gratuito dia 18 de maio e todos os domingos de manhã. Restantes dias: 5€

Horários: De terça-feira a domingo das 10h00 às 18h00

Morada: Rua da Esperança, Santos 

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Fonte: blog "Perdida por Lisboa"







domingo, 12 de maio de 2019



GLÓRIA


Hoje, 12-05-2019, quarenta e dois anos depois, o hóquei patins do Sporting Clube de Portugal, volta a conquistar a Taça dos Campeões Europeus da modalidade, desta feita sobre o Futebol Clube do Porto quando, então, tinha levado a melhor sobre a equipa espanhola do Villa Nueva.






Faziam parte dessa maravilhosa equipa, liderada pelo saudoso  Torcato Ferreira, Ramalhete, Rendeiro, Sobrinho, Chana e António Livramento. Na altura, com 15 anos de idade, sendo o Sporting o meu clube de coração, vibrei com a emoção apaixonada dos meus imberbes anos, ainda para mais numa modalidade que enchia de orgulho o país, uma vez que ombreava, em qualidade, com os espanhóis. Infelizmente, tirando o hóquei em patins, a nível de desporto e não só, éramos o atraso que recebemos como herança.



Ângelo Girão, Toni Pérez, Ferran Font, Vítor Hugo, Gonzalo Romero, os comandados de Paulo Freitas, são os novos Campeões Europeus da modalidade. 






O Sporting Clube de Portugal vence, assim, no espaço de uma semana, dois títulos de Campeão Europeu em duas modalidades diferentes já que, a semana passada tinha-o conseguido em Futsal. Estão duplamente de parabéns o clube, os sócios e adeptos, os seus dirigentes e o desporto português.



Tal como no futebol, faz-se notar que as conquistas quer a nível nacional quer a nível internacional têm muito a ver com a contratação de jogadores estrangeiros. Isso diz muito da falta de aposta nos jogadores das nossas formações e é preocupante.



Por último, não queria deixar de destacar a importância que a anterior direcção do clube, liderada por Bruno de Carvalho, dedicou às chamadas modalidade amadoras (campeãs em toda a linha na época transacta) e, principalmente, à edificação do magnífico João Rocha, Casa de Todas as Modalidades.



Parabéns à actual direcção, PARABÉNS SPORTING CLUBE DE PORTUGAL



João Leonino

O UIVO DE MONTEJUNTO Porque resulta de interesse histórico e natural conhecimento, com a devida vénia se transcreve o texto infra . O Último...