domingo, 5 de janeiro de 2020



A FUGA RUMO À VITÓRIA

Peniche, Forte de Peniche, 4 de Janeiro de 2020.
 Na comemoração dos 60 anos da dramática fuga de 10 presos políticos da cadeia de alta segurança do Forte de Peniche, ocorrida em 3-01-1960, todos dirigentes do Partido Comunista Português, entre os quais o Secretário-geral, Álvaro Cunhal.

Descrição da necessidade da fuga, da sua estratégia, dos preparativos, da execução e, finalmente, do significado político e da importância que teve no reforço da acção e da luta contra o regime fascista, na palavra do histórico dirigente, Domingos Abrantes.

https://youtu.be/4XU2wtj6bqo

https://youtu.be/L_Cd1LUA7zI

https://youtu.be/39bphPpJu5Q

https://youtu.be/EWSIAGXKUBg

https://youtu.be/Gdi7o8BBh9w

https://youtu.be/5OQRuWyVArE

https://youtu.be/jK4-h5NCD5Y

Trata-se de um documento registado em vídeo pela minha pessoa, que considero fundamental ver e ouvir para memória futura, pretendendo que neste meu blogue fique arquivado.














João Andarilho 





sexta-feira, 3 de janeiro de 2020




A FUGA


A 3 de Janeiro de 1960 foi protagonizada a mais espectacular fuga de presos políticos de uma prisão do regime fascista.



Há 60 anos, 10 destacados dirigentes e quadros do PCP protagonizaram a mais espectacular evasão de toda a história da resistência antifascista.

"Da Fortaleza de Peniche, onde se encontravam presos, evadiram-se no dia 3, para retomar o seu posto de combate contra o salazarismo, os camaradas Álvaro Cunhal, Jaime Serra, Joaquim Gomes, Francisco Miguel, Guilherme de Carvalho, Pedro Soares (membros do Comité Central do Partido Comunista Português) e os destacados militantes Carlos Costa, Francisco Martins Rodrigues, Rogério de Carvalho e José Carlos.


A libertação destes camaradas foi possível pela sua coragem e abnegação, pelo seu desejo de prosseguirem no combate pela libertação do povo português do jugo salazarista, pelo auxílio que lhes foi prestado pelo Partido Comunista e pelo apoio popular."

In Comunicado do Secretariado do Comité Central do PCP publicado no «Avante!» de Janeiro de 1960

João Camarada

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020




NEW YEAR´S DAY
01-01-2020


«Já que não podemos extrair beleza da vida, busquemos ao menos extrair beleza de não poder extrair beleza da vida. Façamos da nossa falência uma vitória, uma coisa positiva e erguida, com colunas,  majestade e aquiescência espiritual.»

ESTÉTICA DO DESALENTO - LIVRO DO DESASSOSSEGO - FERNANDO PESSOA


https://youtu.be/SlDi4hpJsaY

João Andarilho

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019




PENICHE, TERRA DE GENTE BRAVA


Tal como outras terras do nosso litoral, Peniche é feita de gente brava temperada pelo sal do mar e queimada pelo sol desde o seu nascer até ao seu pôr. A necessidade e a oportunidade proporcionadas pelo mar fizeram deste povo gente de mar, enfrentando e desafiando os perigos que representa, mas absolutamente conscientes dessa irreversibilidade. 
Desde o tempo dos romanos que os povos que aqui habitavam pescavam e armavam as suas redes, com os pesos de rede fabricados em cerâmica ou ossos de baleia, de que é exemplo as amostras depositadas na Igreja de São Leonardo na vila medieval da Atouguia da Baleia, comprovando o longo historial da faina piscatória neste mar.
A pesca é, assim, desde sempre, a actividade principal do concelho e com ela, o dealbar do século XX deu origem a actividades paralelas, tais como a congelação, a produção de farinhas animais ou a produção de conservas, esta com especial significado económico na região com o advento de cerca de duas dezenas de fábricas especializadas na transformação e conservação da sardinha.
Tudo isto potenciou a criação de uma forte indústria de construção naval, assente em estaleiros localizados no exterior das muralhas da cidade.
Das minhas visitas a Peniche fico especialmente fascinado pela tradição da salga e secagem do peixe ao sol. Salgados e secos naturalmente, em estendais, assim conservam todas as propriedades do peixe fresco. Constituíam uma reserva alimentar e, na falta de refrigeração, uma maneira de conservar o alimento e comercialização para outras regiões.

Foto do autor 

Para documentar esta típica actividade, fui encontrar o Ti Pescador (assim o baptizei), junto ao Forte de Peniche, em plena actividade. Ti Pescador, velho pescador desde que nasceu, reformado da pesca há 24 anos, bravo do mar, bravo da terra, herói do mar, penicheiro nobre povo.

João Andarilho

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019




A INSUSTENTÁVEL DUREZA DA QUEDA

Hoje, por duas vezes, dei um tropeção quando subia um lancil de escadas algures em estações do metro. Claro que não foi agradável a situação, que se tornou cómica para uns e incómoda para mim que não me livrei de uns maldosos sorrisos e pindéricas gargalhadas.
Porém, cheguei à conclusão que o culpado dos incidentes era mesmo eu, que não atentei e até exerci algum desdém pela mãe natureza, ou melhor, pela natureza do campo gravitacional do nosso planeta que atrai para o seu núcleo, tudo o que se atreva a entrar na sua zona de influência.
É que tudo cai para baixo neste planeta. A única excepção será o pensamento que contraria o fado de tudo o que é matéria. Mesmo assim e metafisicando, tenho dúvidas se, durante o microsegundo em que pensava na humilhante situação da minha imponderável e insustentável dureza da queda, o pensamento não me terá acompanhado até ao chão.
Por outro lado e cingindo-me à física e à realidade a que não podemos escapar (e bem), o que seria da Terra se, de repente, acontecesse algo estranho como, por exemplo, deixar de haver acção gravitacional sobre a matéria?
Já imaginaram? Simplesmente a vida tal como a conhecemos desapareceria flutuando pelos confins do espaço sideral. A mãe terra abandonava-nos a nós seres vivos, ao que é matéria nos estados líquido ou sólido, tudo flutuaria a caminho do além. Nada escaparia e literalmente se poderia dizer  com propriedade "que era o fim do mundo".

Quem primeiro descreveu o fenómeno gravitacional, foi um cidadão inglês nascido numa pequena localidade, de seu nome Isaac Newton, na sua "Lei da Gravitação Universal", que enunciava:
Dois corpos se atraem por meio de forças e sua intensidade é proporcional ao produto de suas massas e inversamente proporcional ao quadrado da distância que as separa.



Posso garantir que o enunciado está correcto...

João Aquele Que é Matéria

terça-feira, 26 de novembro de 2019




A MAIS BELA DECLARAÇÃO DE AMOR À LÍNGUA PORTUGUESA *


*

       O ter tocado nos pés de Cristo não é desculpa para defeitos de pontuação.
      Se um homem escreve bem só quando está bêbado, dir-lhe-ei: embebede-se. E se ele me disser que o seu fígado sofre com isso, responderei: o que é o seu fígado? é uma coisa morta que vive enquanto você vive, e os poemas que escrever vivem sem enquanto.

*

      Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenhuma espécie - nem sequer mental ou de sonho -, transmudou-se-me o  desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand, fazem formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inatingível que estou tendo. Tal página, até, de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia sintática, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida.
      Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda de mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente. E, assim, muitas vezes, escrevo sem querer pensar, num devaneio externo, deixando que as palavras me façam festas, criança menina ao colo delas. São frases sem sentido, decorrendo mórbidas, numa fluidez de água sentida, esquecer-se de ribeiro em que as ondas se misturam e indefinem, tornando-se sempre outras, sucedendo a si mesmas. Assim as ideias, as imagens, trémulas de expressão, passam por mim em cortejos sonoros de sedas esbatidas, onde um luar de ideia bruxuleia, malhado e confuso.
      Não choro por nada que a vida traga ou leve. Há porém páginas de prosa que me têm feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noite em que, ainda criança, li pela primeira vez, numa seleta, o passo célebre de Vieira sobre o Rei Salomão. « Fabricou Salomão um palácio... » E fui lendo até ao fim, trémulo, confuso; depois rompi em lágrimas felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquele movimento hierático da nossa clara língua majestosa, aquele exprimir das ideias nas palavras inevitáveis, correr de água porque há declive, aquele assombro vocálico em que os sons são cores ideais - tudo isso me toldou de instinto como uma grande emoção política. E, disse, chorei; hoje, relembrando, ainda choro. Não é - não
- a saudade da infância, de que não tenho saudades: é a saudade da emoção daquele momento, a mágoa de não poder já ler pela primeira vez, aquela grande certeza sinfónica.
     Não tenho sentimento nenhum,  político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.
     Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.

Pág. 225, 226 e 227

Fernando Pessoa
LIVRO DO DESASSOSSEGO
Versão Integral
Edição: Richard Zenith
Assírio & Alvim
Porto Editora, 2014

* O título é meu, pobre alma que humildemente sangra lágrimas de felicidade perante grandeza tamanha.




João Andarilho

segunda-feira, 25 de novembro de 2019




PREC


PROCESSO REVOLUCIONÁRIO EM CURSO, foi a designação por que ficou conhecido o período revolucionário onde o poder popular governou o país, literalmente. Durou 19 meses e acabou traído em 25 de Novembro de 1975 onde, um golpe contra-revolucionário liderado por Jaime Neves e apoiado pela igreja, pelos partidos de direita e pela sociedade mais retrógrada e afecta ao antigo regime, desfez a esperança de mudança efectiva do paradigma de atraso e exploração de um povo.

O MFA, Movimento das Forças Armadas, foi o garante da vontade popular durante este período, mediando os conflitos de classe que então se verificaram, nomeadamente no Alentejo, onde o povo dorido e explorado pelos agrários e grandes agrários, que durante os 48 anos que durou o regime fascista os exploraram duramente. Gente que trabalhava duramente  e que era espezinhada e sem direitos, desde o sair do dia até ao pôr do sol a troco de baixíssimos salários, naquelas fazendas a perder de vista, naquelas terras em que na sua maioria nada se produzia.
O MFA fizera ruir os alicerces da ditadura fascista, competia-lhe o cumprimento do programa do MFA, garantido a defesa da revolução e o exercício do governo do país.

***

REFORMA AGRÁRIA (Decreto-Lei nº 203-C/75, de 15-04)


1. O Conselho da Revolução apreciou a situação da economia na actual fase do processo revolucionário português, verificando, designadamente, a deficiente utilização da capacidade produtiva do País em recursos humanos e materiais, acompanhada da redução do nível de investimento, o crescente desequilíbrio da balança de pagamentos e a persistência da pressão inflacionista, embora em atenuação nos últimos meses. 

Tal situação é consequência natural do desenvolvimento de um processo revolucionário que tem vindo a desmantelar o poder do capital monopolista, agravada pela reacção dos seus detentores, que a todo o custo têm tentado impedir a perda dos seus privilégios. 

Vivemos, assim, uma crise largamente resultante não só da herança das estruturas económicas do fascismo e colonialismo, como da desagregação do sistema capitalista em Portugal. É agora necessário e imperioso reconstruir a economia por uma via de transição para o socialismo. Está em causa consolidar os primeiros passos concretos da nossa revolução socialista e realizar novos avanços nessa direcção, atendendo a dois objectivos primordiais: 

a) Garantir a independência nacional no arranque para um socialismo verdadeiramente português, evitando situações extremas de crise económica que nos coloquem em reforçadas e delicadas dependências externas; 

b) Identificar a dinâmica da classe trabalhadora com um projecto de construção de socialismo. 

2. O Conselho da Revolução, ao analisar os trabalhos em curso no âmbito do Conselho Económico relativos à preparação dos programas de medidas económicas de emergência, definiu as seguintes orientações gerais: 

a) É necessário que os trabalhadores sintam que a economia já não lhes é estranha, ou seja, que a construção socialista da economia é tarefa deles e para eles. Isto implica a afirmação clara do princípio do contrôle organizado da produção pelos trabalhadores para objectivos de produção e eficiência, coordenados pelos órgãos centrais de planeamento, segundo esquemas a definir com brevidade; 

b) É indispensável estabelecer uma limitação dos consumos a partir de um princípio de máximo nacional de rendimento disponível, extensível aos titulares de todos os rendimentos, e não apenas ao trabalho por conta de outrem; 

c) Igualmente se torna indispensável garantir a contenção dos preços de bens essenciais, sobretudo alimentares; 

d) Deverão ser completados os passos já dados no sentido da nacionalização dos sectores básicos da actividade económica (indústria, transportes e comunicações); 

e) Deverá ser aplicado um programa progressivo de reforma agrária, integrado num todo coerente de medidas de política económica; 

f) Verificadas as condições anteriores, será legítimo fazer apelo à mobilização dos trabalhadores para um emprego produtivo, mobilização necessária à construção da sociedade desejada pelo povo português. 

3. Mostrando-se necessário dotar o Governo, através do Conselho Económico, de um processo expedito de dar execução às medidas a inserir nos programas de emergência acima referidos; 

Usando da faculdade conferida pelo artigo 3.º, n.º 1, 3.º, da Lei Constitucional n.º 6/75, de 26 de Março, o Governo decreta e eu promulgo, para valer como lei, o seguinte: 

Artigo único. São aprovadas as bases gerais dos programas de medidas económicas de emergência publicados em anexo ao presente decreto-lei. 

Visto e aprovado em Conselho de Ministros. - Vasco dos Santos Gonçalves - Mário Luís da Silva Murteira - Fernando Oliveira Baptista - João Cardona Gomes Cravinho - Álvaro Augusto Veiga de Oliveira. 

Promulgado em 15 de Abril de 1975.

Publique-se.

O Presidente da República, FRANCISCO DA COSTA GOMES.

***

O povo empenhava-se na conquista de direitos e liberdades. Juntos, povo e MFA, a Aliança Povo/MFA, estavam imbuídos do propósito da construção de uma sociedade mais justa e iniciavam, assim, o processo revolucionário.
Eram dias de liberdade, de trasbordante felicidade. De excessos, também, que sim, também os houve tal era o sentimento de liberdade. Para isso lá estava o MFA e os seus militares vigilantes. Mas de excessos e de grosseira tentativa de contrariar o processo revolucionário pode-se com toda a propriedade falar da reacção dos agrários, que não gostaram de ver ocupadas as terras improdutivas, suas propriedades, pelos camponeses, que criaram as Unidades Colectivas de Produção, as UCP´s.

A Terra a Quem a Trabalha! Mulheres e homens, gentes de todas as idades tomaram caminho em direcção às terras incultas, cobertas de mato e de tojo, secas e enrijadas à espera de serem desbravadas e cultivadas. Esperavam pelos braços e mãos daqueles que as arrancassem ao martírio infernal a que foram lançadas.

Tomavam-nas, àquelas terras, não as roubavam! Porque as terras não se roubam, fazem parte da natureza. Pertencem a quem delas precise para as trabalhar, pertencem à natureza.

Assim se desenrolava uma intensa luta de classes, de um lado os agrários e latifundiários, que queriam continuar com a posse da terra improdutiva, do outro o povo, os trabalhadores, os camponeses, que queriam uma reforma agrária regulada por lei, que garantisse a formação de cooperativas e de unidades colectivas de produção agrícola. Uma coisa era certa, para os trabalhadores, para os agricultores só havia uma certeza: defender a reforma agrária era defender a economia do país e a revolução de 25 de Abril.
" O tempo da terra alentejana ser regada com sangue dos trabalhadores acabou e, se tentarem realizar essa acção, serão impedidos por uma força por mim comandada, com todas as armas para vocês apontadas." Palavras ditas pelo oficial delegado do MFA em terras de Montemor-o-Novo, no momento em que o senhor da terra, homem de poder e de domínio, não aceitava que os assalariados tomassem as terras e, em ameaça, ele e os seus comparsas, aprontavam-se a disparar e a matar, se preciso fosse.

Com a publicação da Lei da Reforma Agrária, aos trabalhadores e às instituições de apoio à reforma agrária cabia aplicá-la; ao MFA, defendê-la.

***

UCP (Unidade Colectiva de Produção)

Chegados às terras secas e sedentas, logo pela madrugada, escolhiam o nome da sua UCP.  Faziam o levantamento das terras a trabalhar, das máquinas e alfaias disponíveis, do gado, das culturas a semear, do pessoal que era necessário para o seu cultivo. Distribuíam-se tarefas, caiavam-se paredes, erguiam-se as divisões: aqui funcionava o escritório, ali o armazém, no outro lado o refeitório. Construíam-se estábulos, criavam-se espaços para acomodar os animais e lançavam-se projectos para aumentar o número de cabeças. A alegria era o resultado da esperança e confiança no futuro e este estava nas suas mãos!
Todos tomavam nota do que tinham a fazer e, no dia seguinte, partiam para realizar as suas tarefas.

Quando havia problemas de organização, lá estava o Instituto da Reorganização Agrária para apoiar, ajudando a pôr as unidades de produção agrícolas a funcionar. Semeava-se a terra, promovia-se a venda  de produtos, organizava-se a contabilidade, pagavam-se os salários, cumpriam-se as obrigações fiscais, garantia-se a segurança social. 
Foram criados apoios sociais, organizaram-se creches para os filhos dos trabalhadores. Se era necessário garantir cuidados de saúde, construía-se um posto médico. Se era essencial organizar cursos de alfabetização, tal era o grau de iliteracia no país, instruíam-se professores que os ministravam. Foram criados centros de apoio à terceira idade. Se era necessário ter mais braços para trabalhar na época das colheitas, organizava-se a solidariedade dos trabalhadores das fábricas e das cidades.
De Lisboa, do Porto, de muitas zonas do país, seguiam, bancários, empregados de escritórios, operários, mulheres,  homens, jovens e todos iam cooperar na apanha do tomate, da fruta, dos vegetais. Assim se desenrolava a reforma agrária no nosso Alentejo.
Com esta gesta, os assalariados agrícolas de todo o Alentejo, construíram a reforma agrária e o que foi construído pelo povo trabalhador ficará na memória de todos os que conheceram a revolução agrária no Alentejo.
É um legado que ficará inscrito nos anais da História da Revolução do 25 de Abril de 1974.

Fonte: "Memória e Vida em Tempos de Abril" de Maria José Maurício




O UIVO DE MONTEJUNTO Porque resulta de interesse histórico e natural conhecimento, com a devida vénia se transcreve o texto infra . O Último...