segunda-feira, 19 de outubro de 2020

RIR É O MELHOR REMÉDIO

 

RIR É O MELHOR REMÉDIO


Qual seria a reação do leitor quando, diante da urna e da urna já depositada na cova e meia coberta de flores surgisse a voz do morto, gritando em altos berros "tirem-me daqui, eu consigo ouvir o padre a rezar".



Pois... foi exactamente o que se passou algures na Irlanda no enterro de alguém de seu nome Shay Bradley. O mais espantoso é que ninguém se assustou e mais surpreendente ninguém se aprestou a socorrer o infeliz falecido. Aconteceu ainda o inimaginável as lágrimas dos presentes transformaram-se em riso e gargalhada! Dá para entender?

Dá. O nosso falecido, em vida, era levado da breca e fartava-se de fazer piadas e partidas. Sabedor do seu fim em poucos meses, decidiu, em conluio com a sua família mais chegada e um dos seus filhos, realizar a partida final, dar a suprema gargalhada. Diria eu, rir-se da própria morte.

Assim pensou melhor o fez. Munido de um aparelho de gravação de voz, gravou aquilo que, supostamente, seria um grito de desespero num momento particularmente crítico da sua existência.

Na hora certa o morto gritou e muita gente foi apanhada de surpresa.


João Andarilho

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

OS FARSANTES II

 

OS FARSANTES II


Quando os americanos se preparavam para a missão Apolo que os levaria a terras lunares, um dos exercícios dos astronautas consistia, durante alguns meses, a permanência no deserto. 

Conta-se que em dado momento foram abordados por um índio solitário que, espantado com inusitados preparos de gente estranha por aquelas paragens, terá perguntado o significado de tamanha balbúrdia. Foi-lhe respondido que o homem se preparava para ir à lua. O índio olhou para cima, pensativo e em dado momento atirou: se assim é peço-vos por favor que levem uma mensagem na nossa língua índia, mensagem que deverão decorar e escrever ainda que nada entendam. 

Questionaram então os astronautas o significado da mensagem. Porém, o índio respondeu que só os chefes índios e os espíritos da lua poderiam saber, como era o seu caso.

Regressados da missão, cumprida que foi, também, no caso do pedido do chefe índio, os astronautas resolveram satisfazer a sua curiosidade perguntando a um índio da mesma tribo, qual o significado da dita mensagem. Este leu-a e deu uma sonora gargalhada. Estupefactos, os astronautas ficaram a saber que a extraordinária mensagem dizia: 

"Não acreditem numa só palavra desta gente. Vieram roubar as vossas terras"  

João Andarilho 




OS FARSANTES


OS FARSANTES 

As estórias que nos contaram no tempo colonial, nas escolas por aí fora deste imenso Portugal, estórias da nossa história de heróis navegantes, de cristãos papagueantes da palavra de Deus e da propagada conversão à fé católica /cristã, teve dramáticas consequências para os povos subjugados das índias de Colombo aos brasis dos portugueses.

 Crimes horrendos foram cometidos contra milhões de seres humanos no chamado mundo novo. Civilizações foram dizimadas caso dos Incas e dos Astecas, às mãos de gente bárbara e falsa como o espanhol Cortez. Os portugueses também não ficaram atrás na barbarie matando, expoliando e escravizando. Tudo isto era branqueado no nosso sistema de ensino.

O ouro por um lado e as especiarias pelo outro eram o mote que originaram estes dramáticos acontecimentos perpetrados em nome da civilização e da fé

João Andarilho 


quarta-feira, 30 de setembro de 2020

terça-feira, 29 de setembro de 2020

ADOLFO

 

ADOLFO


    Quando oiço este nome o meu sexto sentido activa um alerta de perigo que me deixa com a pelugem eriçada. Porém, ao escrever sobre o Adolfo, melhor, escrevendo sobre Adolfo Augusto Martins da Cruz Morais de Macedo, aliás, Adolfo Luxúria Canibal, seu nome artístico, a pelugem não deixa de ficar eriçada mas por bons motivos. É espantoso o percurso de vida e artístico deste caluanda, nascido no dia de Natal de 1959. Diria que é um homem de grandes convicções que se manifestam no seu trabalho artístico, na sua maneira de ser e se reflectem na sua vida particular. 

    É tão rico aquilo que nos tem deixado nas suas andanças do teatro à música, passando por intervenções em áreas ligadas ao espectáculo e televisão que a cultura se tornou mais robusta, mais democrática, mas também mais polémica e rica.




   Documentado fica este link https://youtu.be/KlMAfciajyU para o trecho "A Minha Amada" incluída no álbum " No Fim Era o Frio", dos Mão Morta, banda de que é vocalista... simplesmente de outro Universo!

Deliciem-se...

João Andarilho

ADOLFO

 


https://youtu.be/zi-VCtHJp1o

BÓFIA
[Adolfo Luxúria Canibal / Zé dos Eclipses - Miguel Pedro]

O bófia empurrava-me e dizia para desandar. Eu não podia compreender porquê. Quis-lhe perguntar. O bófia sacou do casse-tête e deu-me com ele uma, duas, três vezes nos costados. Senti um choque eléctrico percorrer-me o corpo. E uma humilhação que não podia ficar impune. Não percebia por que é que ele me batia. Quis-lhe perguntar. Mas o gajo continuou a dar-me cacetadas e já outros bófias se aproximavam de casse-tête na mão. Não ia ficar para ali, especado, feito bombo da festa. Uma raiva surda trepava-me à cabeça. Ah, que raiva! Quando dou conta, mandava-lhe uma joelhada aos tomates. Senti-os a espalmar de encontro ao joelho. Já os outros bófias descarregavam sobre mim os seus casse-têtes virados ao contrário. Senti uma dor de vertigem quando um me acertou na cara. Percebi que a carne se rasgava e que um esguicho de sangue me inundava os olhos. Já me acertavam por todos os lados. Mas não interessava. Já nada interessava.

Sede de sangue!
Sede de sangue!
Sede de sangue!
Sede de sangue!

Já nada interessava. A não ser aquele bófia agarrado aos tomates. Num último esforço disparo-lhe um pontapé à cara. Assim, de baixo para cima - pás! Senti a biqueira da bota entrar-lhe pelas fuças dentro. Os ossos a quebrar. Os dentes a saltar numa baba de cuspe e sangue. Senti o olho a esborrachar-se sob a biqueira da bota. Os outros bófias continuavam a descarregar sobre mim os seus casse-têtes virados ao contrário. Mas eu já nada via. Só sangue. Dor. Senti-me dobrar. Cair. Aaaaaaaaaahhh!...












Foto retirada da internet

O UIVO DE MONTEJUNTO Porque resulta de interesse histórico e natural conhecimento, com a devida vénia se transcreve o texto infra . O Último...