domingo, 30 de agosto de 2026

 

JESUS ERES COMUNISTA?


" Quando dou de comer a los pobres, me llamam santo.

Cuando pregunto pôr qué son pobres, me llamam comunista"

Don Hélder Câmara 


quinta-feira, 27 de agosto de 2026

 

BORGES




 SPINOZA 


Sane sicut lux se ipsam et tenebras manifestat                                                    sic.                                                         veritas norma sui et falsi est

Spinoza, Ética, P. II, prop. 43


Así como la luz se manifiesta a si misma y a la oscuridad, la verdade es la norma de sí misma y del error.



terça-feira, 18 de agosto de 2026

 FEDERICO GARCÍA LORCA 



João Andarilho 

 FELIZARDO




Porque sou um felizardo? A vida sorriu-me ao presente.

Há quem não tenha tido a mesma sorte. A vida foi-lhe madrasta. O fim vai ser o mesmo, para mim e para ele. Ambos somos seres humanos e devemos sempre ser solidários em qualquer circunstância. É a minha filosofia de vida.

Estando a almoçar, sou abordado por ele, pedinte. Ofereço-lhe algo para aliviar a sua necessidade de alimento. É-lhe colocado um prato de sopa. Ingere duas ou três colheres, levanta-se e vai embora. Perfeito, para mim e para ele.

Foi à vida dele e eu fui à minha. A melhor sorte para ambos.


João Coutinho 

domingo, 16 de agosto de 2026

 

O CHEIRO DO LIVRO



O Livro, o manuseio, a textura, o cheiro, a intimidade que se cria ao descobri-lo e a ele nos entregarmos, é facto que nunca se encontrará numa leitura digital de qualquer obra literária de qualquer autor.

Seguirei, sempre, leitor de publicações impressas, palpáveis e originais qualquer que seja a sua edição.

João Andarilho 

quinta-feira, 13 de agosto de 2026



TORGA




— Liberdade, que estais no céu...

Rezava o padre-nosso que sabia,

A pedir-te, humildemente,

O pio de cada dia.

Mas a tua bondade omnipotente

Nem me ouvia.



— Liberdade, que estais na terra...

E a minha voz crescia

De emoção.

Mas um silêncio triste sepultava

A fé que ressumava

Da oração.



Até que um dia, corajosamente,

Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,

Saborear, enfim,

O pão da minha fome.

— Liberdade, que estais em mim,

Santificado seja o vosso nome.



Miguel Torga, in 'Diário XII'

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Título: LIBERDADE


 

NO TEMPO DO EUSÉBIO 



A memória que tenho de uma época em que o futebol era vivenciado não só pela qualidade dos seus protagonistas mas também pela paixão que a modalidade despertava, encerrando nobres valores: desportivismo, camaradagem e sã rivalidade.

 

João Andarilho 


MIGUEL TORGA, 12 de Agosto de 1907 - 17 de Janeiro de 1995





«ROMANCE


Ora pois: foi tal qual como vos digo:

Minha Mãe, certo dia, pôs a questão assim:

- ou Ela, ou eu!

E ficou resolvido que no dia doze

minha Mãe parisse,

e pariu!


Pariu e ninguém se opôs! Ninguém!

Como se fosse um feito glorioso

parir assim alguém, tão nu, tão desgraçado!

Por mim,

ainda disse que não!

Mas o seu Anjo da Guarda

era forte e tenebroso...

E aquele frágil cordão

Deixou de ser o meu Pão,

o meu Vinho

e a paz eterna do meu coração

mesquinho!...


Deixou de ser o silêncio

delicado e agradecido

dos meus instintos menores...

Deixou de ser o Norte daquele lago

onde boiava o meu corpo

sem alegria e sem dores...


Deixou de ser aquela verdadeira

e sagrada ignorância do meu nome,

que Satanás me disse, quando disse:

- Respira e come,

respira e come,

Animal!

(A voz de Satanás já nesse tempo

era humana e natural...)


Deixou de ser o mundo e foi um outro!

Foi a inocência perdida

E a minha voz acordada...

Foi a fome, a peste e a guerra!

Foi a terra

sem mais nada!


Depois,

sem dó nem piedade a vida começou....

Minha Mãe, a tremer, analisou-me o sexo,

e, ao ver que eu era homem,

corou... »




O Outro Livro de Job. (Poemas)

Miguel Torga

                                *

Fotobiografia de Miguel Torga, por Clara Rocha: Imagem de Miguel Torga.

 

ICE-CREAM MAN




segunda-feira, 3 de agosto de 2026

 AZIAGO


Hoje não está a correr bem o dia. Saio em direcção ao metro Oriente. O objetivo claro é ir à Gulbenkian. Saio em São Sebastião para apanhar a linha azul e apear-me na Praça de Espanha. Entro no cais errado que me leva para o Cais do Sodré. Saio no Parque e mudo para o cais contrário em direção à Praça de Espanha. Aí chegado, dou conta que me encontro no ponto mais distante do objetivo Gulbenkian. Ponho-me a andar e desespero nos semáforos sempre vermelhos e demorados. Finalmente alcanço a loja do Centro Cultural e, aliviado, fiquei inconformado porque encerrara às 18:00 horas. Eram 18:08. Fuck! Regresso, cabisbaixo, para retomar São Sebastião ali tão perto! Que volta do raio que o parta fui dar! Sentei-me e aproveitei para ouvir um pouco de jazz no anfiteatro. Acalmei. Retomo, então, São Sebastião e apanho a linha vermelha para a Alameda. Dou por mim e já estava na Belavista. Fuck de novo! Volto ao contrário para a Alameda. Há atraso nos comboios... tardam. Espero, sento-me e desespero. Finalmente, longos minutos depois, aparece o comboio, à pinha. Da Alameda rumo à Verde, para Telheiras. Felizmente parece que o azar terminou.




João Andarilho 

  O PALITAR DA VIDA   Como os dentes devemos palitar a vida todos os dias. Sou do tempo em que não havia modernices ao estilo do fio den...