domingo, 17 de novembro de 2019




TRIANGULAÇÃO



Aquela fórmula mágica estilo de jogo da Laranja Mecânica ou do Barcelona, em que há sempre dois jogadores para receber a bola de quem a tem, envolvendo o adversário no seu meio campo até entrar redondinha nas redes sem hipótese de defesa.

Mas há outras triangulações na vida e estas de que quero falar têm a ver com os marcos geodésicos de Portugal que permite que se façam triangulações com o objectivo claro, não de dar destino à redondinha, mas de se calcular milimetricamente coordenadas de localização de um determinado ponto ou vértice geodésico.
Estes marcos são pequenas construções, geralmente em betão, em forma cilíndrica ou piramidal, popularmente conhecidas por "talefes", que têm como função representar pontos de referência no território (daí a sua implementação em locais altos e destacados), com visão para outros marcos, permitindo a obtenção de coordenadas geográficas com elevada precisão. 



O Centro Geodésico de Portugal, situa-se na serra da Melriça, no concelho de Vila de Rei, erguido em 1802, a uma altitude de 592 metros, latitude 39º, longitude 8º 8´W e tem 9,10 m de altura e 3,25 m de base e faz parte, como sinal geodésico das cadeias fundamentais.

É exactamente aqui o centro de Portugal!

Deste marco geodésico tem-se uma visão impressionante de várias localidades, como Mação a SE, Cardigos a E,  Serra da Estrela a NE, Castanheira de Pêra a N, Figueiró dos Vinhos a NO, Fátima a Oeste, Vila de Rei a SO e Abrantes a S.

Pena não ter tido oportunidade de observar tudo isto uma vez que havia um nevoeiro bastante cerrado que o não permitiu.

Interessante. Como exercício de cidadania, vale a pena ir ao terreno explorar as centenas de marcos geodésicos que se espalham pelo nosso território. É um desafio...

Boas triangulações e Bola na rede!


João Topógrafo




sábado, 9 de novembro de 2019


BERLENGA

Um conhecimento antigo diz que, quando se vislumbra o arquipélago da Berlenga de forma nítida, desde Sintra, Ericeira, Santa Cruz ou Nazaré, significa que vai chover.  Isto tem a ver com a percentagem de humidade na atmosfera, que actua como uma lente permitindo a nitidez.
Porém, não deve ser assim, segundo entendidos da zona: devido à proximidade do mar a Berlenga, Peniche e Zona Oeste, é bastante húmida durante todo o ano ( à  volta de 80% ). Humidade que se não dissipa derivado a uma barreira natural constituída pela Serra de Montejunto e Estrela, o que dificulta a visibilidade do arquipélago. Quando raramente sucede a percentagem de humidade descer para níveis próximos do 0%, então, de um ponto alto como Montejunto, é  possível observar a Berlenga e até a barra de Lisboa. Concluindo, é  ausência de humidade ou a sua baixa percentagem na atmosfera que permite uma boa visibilidade e não a "aparição" de uma lente provocada pela humidade na atmosfera.



A última vez que me foi proporcionada uma visita à ilha, a coisa não correu a 100%. Não porque não valesse a pena a visita à ilha,  que é fabulosa, mas porque os meus cristais ficam desorientados com as condições do mar e dá- me para soltar lastro .
De resto, não há resto, só vontade de visitar a Região Oeste e voltar.

João Andarilho 

sexta-feira, 8 de novembro de 2019




TRUMPAS


Como muita gente reconhece, o presidente de uma grande potência, militar, económica, científica e muitos etecéteras deste planeta, é conhecido pelo nome idiota de Trump. Motivo de muita gargalhada mas também de muito sofrimento pelo mundo à custa de uma miríade de decisões criminosas.
O homem é uma aberração da natureza na minha subjectivíssima opinião, conotado com a mais reacionária, intolerante, racista e xenófoba franja da sociedade ianque.
Ao caminhar por uma movimentada artéria da nossa capital dou de caras com uma cena absolutamente inesperada, por original e que me deu um gozo de rir às gargalhas. Tive que me conter...
Um indíviduo do sexo masculino, que nada me pareceu ser um pedinte profissional, antes um necessitado de uns cobres para uma emergência inadiável, postado na posição de indigente à beira do passeio, tendo colocado à frente dos pés um pequeno cartaz com a seguinte afirmação: "TRUMP FUCK". Estendia uma espécie de chapéu basco, na desesperada tentativa de ser apiedado por gente que ignorasse o dito do cartaz e fartamente por aqueles que, como eu, entendia perfeitamente o objectivo que o levou a este pedir tão original e tão carregado de ironia e significado.
Facto é que o chapéu, àquela hora, se mostrava bastante reluzente e pesado com a quantidade de moedas que amealhava.
Para este curioso cidadão do mundo, este cartaz terá sido, pela originalidade do dito, ideia bem pensada e melhor executada. 
Diria mesmo, conseguir a sobrevivência à custa da figura ridícula de um ser absolutamente abominável...

FUCK TRUMP, respondi-lhe eu, ao que ele replicou: "FUCK TRUMP!".



Fantástico meu caro Watson.

João Andarilho

sexta-feira, 25 de outubro de 2019


SOU-ME

《Meditei hoje, num intervalo de sentir, na forma de prosa de que uso. Em verdade, como escrevo? Tive, como muitos têm tido a vontade pervertida de querer ter um sistema e uma norma. É certo que escrevi antes da norma e do sistema; nisso, porém, não sou diferente dos outros. 
Analisando- me à tarde, descubro que o meu sistema de estilo assenta em dois princípios, e imediatamente, e à boa maneira dos bons clássicos, erijo esses dois princípios em fundamentos gerais de todo estilo: dizer o que se sente exactamente com se sente - claramente, se é claro; obscuramente, se é obscuro; confusamente se é confuso -; compreender que a gramática é um instrumento, e não uma lei. 
Suponhamos que vejo diante de nós uma rapariga de modos masculinos. Um ente humano vulgar dirá dela " Aquela rapariga parece um rapaz". Um outro ente humano vulgar, já mais próximo da consciência de que falar é dizer, dirá dela,  "Aquela rapariga é um rapaz". Outro ainda, igualmente consciente dos deveres da expressão, mas ainda animado do afecto da concisão, que é a luxúria do pensamento, dirá dela, "Aquele rapaz". Eu direi, "Aquela rapaz", violando a mais elementar das regras da gramática, que manda que haja concordância de género, como de número, entre a voz substantiva e a adjectiva. E terei dito bem; terei falado em absoluto, fotograficamente, fora da chateza, da norma, e da quotidianidade.
Não terei falado: terei dito. 
A gramática, definindo o uso, faz divisões legítimas e falsas. Divide, por exemplo, os verbos em transitivos e intransitivos; porém, o homem de saber dizer tem muitas vezes que converter um verbo transitivo em intransitivo para fotografar o que sente, e não para, como o comum dos animais homens, o ver as escuras. Se quiser dizer que existo, direi "Sou". Se quiser dizer que existo como alma separada, direi "Sou eu".  Mas se quiser dizer que existo como entidade que a si mesma se dirige e forma, que exerce junto de si mesma a função divina de se criar, como hei-de empregar o verbo "ser" senão convertendo-o subitamente em transitivo? E então, triunfalmente, antigramaticalmente  supremo, direi "Sou-me". Terei dito uma filosofia em duas palavras pequenas. Que preferível não é isto a não dizer nada em quarenta frases? Que mais se pode exigir da filosofia e da dicção?
Obedeça à gramática quem não sabe pensar o que sente. Sirva- se dela quem sabe mandar nas suas expressões. Conta- se de Segismundo, Rei de Roma, que, tendo, num discurso público, cometido um erro de gramática, respondeu a quem lho apontou, " Sou Rei de Roma, e acima da gramática". E a história narra que ficou sendo conhecido nela como Segismundo " supergrammaticam". Maravilhoso símbolo! Cada homem que sabe dizer o que diz é, em seu modo, Rei de Roma. O título não é mau, e à alma é ser- se》

Livro do Desassossego
Fernando Pessoa

sábado, 5 de outubro de 2019



EM BRUTO



Sexta, 04-10-2019, pelas 22:30 horas, principiou uma noite de revisitação. No caso e por baixo das arcadas do MUSICBOX, foi bom reviver ÚRIA, num espectáculo PésDeRoqueEnRole, com casa cheia! Que noite, que ambiente e que performance deste cantautor nascido em terras de viriato, deste Tondelense que magistralmente nos saboreia, na sua lírica, com os seus trocadilhos linguísticos e jogos de palavras, em citações e metáforas, provando um domínio superior da nossa língua portuguesa.


"O Conceito de Lírica, do latim lyrĭcus, é um género literário no qual o autor exprime os seus sentimentos e propõe-se a despertar sentimentos ao leitor ou ouvinte. A lírica tende a expressar-se em verso, apropriadas para o canto."

Faz-me lembrar o incomparável escritor moçambicano, Mia Couto, mestre na arte de desconstruir a língua portuguesa e de pintá-la com pinceladas muito bem africanas, dando um colorido impressionante ao nosso património linguístico.

Mas no MUSICBOX, a arte foi outra. Acompanhado da sua banda (Jónatas Pires - guitarras/voz; Miguel Ferreira - teclados/percussão/guitarra; António Quintino - baixo/voz; Tiago Ramos - bateria/coros), deixou-nos pérolas do que de mais rock ´n roll existe no seu repertório, misturadas com canções e baladas bem conhecidas dos seus êxitos mais recentes.



À pergunta: "não sente que há um interesse cada vez maior na sua música?" respondeu: "A simples noção de que não estou a estagnar pode ser traduzido na noção de que estou a crescer. Hoje em dia não conquistar públicos novos, faz com que os músicos sejam esquecidos ou preteridos por uma novidade qualquer. Mas tenho uma consciência humilde que me faz estar sempre com um olho aberto para perceber se estou a resvalar. Por outro lado, também é verdade que não faço músicas para um público abrangente. Às vezes gosto mesmo de ser recôndito nos meus objectivos".

Foi um concerto surpreendente, desta vez com banda, explosivo, e pode-se dizer que o mesmo sucede quando actua a solo, em ambiente intimista e num mano-a-mano com o público. 
Assente em canções de "O Grande Medo do Pequeno Mundo" mas que evoca temas incontornáveis de outros seus trabalhos, como "Teimoso", "Não Arrastes o Meu Caixão" ou "Barbarella e Barba Rasa", a par dos mais recentes "Espalha Brasas", "Em caso de Fogo" ou "Lenço Enxuto".





Consciente que não pode "resvalar", é certo que iremos ter muito Úria por muito tempo no nosso panorama musical e tanto que faz falta quando nos faltar.

"Já não caibo numa casa onde o espaço é todo meu, não são obras que me salvam, eu só sei crescer ..." de "É preciso que eu diminua".


https://youtu.be/olb1mwyq_Co


Teimoso

Um gigante neste pequeno mundo.

João Lírico







sábado, 28 de setembro de 2019




BASQUETEBOL

Quem inventou este jogo? Qual a sua origem? Segundo historiadores a origem do jogo terá a ver com uma antiga civilização da América Central, anterior à civilização asteca, nos idos de 1100 a 800 A.C. que se chamava Olmecas. Pois estes ancestrais antepassados terão inventado um material semelhante à borracha e com ela criado uma espécie de bola. Pelos vistos, isto de brincar com bolinhas já vem de longe e, vai não vai, terão decidido que era muito mais interessante tentar enfiar a dita cuja num aro circular, incrustado numa quadra de pedra. Nasceu, assim, um jogo que se chamava Tlachtli e que ,com alguma propriedade, se poderá dizer antepassado do jogo de basquetebol que hoje em dia arrasta multidões à sua volta.
De acordo com a historiadora americana, Judith Crosher, tanto o básquete como o voleibol teriam a sua origem no Tlachtli.
Porém, só em 1891, terá surgido o basquetebol (do inglês basketball, literalmente bola ao cesto), tal como hoje o conhecemos. 
A sua criação tem pai e creditada ao canadiano, James Naismith, professor de educação física em Sprigfield, no estado de Massachusetts.
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O Sporting Clube de Portugal, secção de basquetebol, tem conquistados: 8 títulos de Campeão Nacional da 1ª Divisão; 5 títulos de vencedor da Taça de Portugal; 2 títulos de Campeão Nacional da 2ª Divisão; 1 título de Campeão Nacional da 3ª Divisão; 14 títulos regionais de campeão distrital de Lisboa; 3 campeonatos nacionais no escalão sub-18; 1 campeonato nacional de sub-16.


A última vez em que se sagrou campeão nacional da 1ª divisão, foi na longínqua época de 1981/1982. Em 1994/1995 e por decisão da então direcção presidida por Santana Lopes, foi decidido extinguir a secção de basquetebol, de voleibol e do hóquei em patins no clube, com grande mágoa para os adeptos das modalidades. Começava a Troika no clube, na sequência do chamado projecto Roquette. Maldita direcção. O Sporting tinha uma excelente equipa apesar de ter terminado a época na 6ª posição, tendo sido comandada por Nélson Serra.
A 30 de Setembro de 2015, pela voz do Comandante Vicente de Moura, foi anunciado que o Sporting Clube de Portugal, voltava a ter o basquetebol com modalidade oficial, nomeando Helena Duarte, como nova directora, mas apenas com equipas dos escalões de formação numa lógica de crescimento sustentado.
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FOI BONITA A FESTA, PÁ...

O último jogo oficial de uma equipa sénior masculina, tinha sido a 28 de Março de 1995. Em 2019, 24 anos depois, o Sporting Clube de Portugal, voltava a ter basquetebol ao mais alto nível. A 20 de Agosto, a equipa sénior realizava o seu primeiro treino no extraordinário Pavilhão João Rocha.


Ontem, 27 de Setembro de 2019, tive a imensa alegria de ter assistido, in loco, no nosso magnífico anfiteatro e casa das modalidades, ao 1º jogo oficial do basquetebol sénior masculino, 1ª jornada do campeonato nacional, ante a A.D. Ovarense.









O resultado, 74-64, a nosso favor não foi o mais importante. O regresso, o renascimento e a riqueza que é ter o basquete de novo entre nós, deixou-me com uma lágrima no canto do olho e é isso que conta, que fica e que marca.
Foi bonita a Festa, pá...



Viva o basquetebol do Sporting. Viva o basquetebol. Viva o Sporting Clube de Portugal.

João Adepto

  O PALITAR DA VIDA   Como os dentes devemos palitar a vida todos os dias. Sou do tempo em que não havia modernices ao estilo do fio den...