sexta-feira, 1 de maio de 2020



1º DE MAIO



1º de Maio de 2020, confinado mas não acabado

     

O Dia Internacional do Trabalhador que hoje se comemora, está dedicado aos trabalhadores de todo o Mundo e é celebrado anualmente neste dia primeiro de maio, em quase todos os países, sendo feriado em muitos deles, tal como sucede em Portugal.

Esta comemoração tem raízes no dia 1 de maio de 1886, altura em que se realizou uma greve em Chicago (EUA) com o objetivo de conquistar melhores condições de trabalho e, entre elas, a redução da jornada de trabalho diária, que na altura podia chegar às 17 horas, para as atuais oito horas.

No dia 3 de maio, logo a seguir, houve um pequeno levantamento que acabou com uma escaramuça com a polícia e com a morte de três manifestantes. No dia seguinte, 4 de maio, uma nova manifestação foi organizada, em protesto pelos acontecimentos dos dias anteriores, tendo terminado com o lançamento de uma bomba por desconhecidos contra os polícias que tentavam dispersar os manifestantes. A polícia abriu então fogo sobre a multidão. A explosão do artefacto e o tiroteio que se seguiu resultaram na morte de sete polícias e de pelo menos quatro civis, além de ferir vários outros. Na sequência, cinco sindicalistas foram condenados à morte e três condenados à prisão perpétua. Estes acontecimentos passaram a ser conhecidos como a Revolta de Haymarket.

Três anos mais tarde, no dia 20 de junho de 1889, a segunda Internacional Socialista reunida em Paris decidiu convocar anualmente uma manifestação com o objetivo de lutar pela jornada de 8 horas de trabalho. A data escolhida foi o primeiro dia de maio, como homenagem às lutas sindicais de Chicago.

No 1º de maio de 1891 uma manifestação no norte de França foi dispersada pela polícia, resultando na morte de dez manifestantes. Esse novo drama serviu para reforçar o significado da data como um dia de luta dos trabalhadores. Meses depois, a Internacional Socialista de Bruxelas proclamou esse dia como dia internacional de reivindicação de condições laborais.

Em 23 de abril de 1919 (23 anos depois da primeira manifestação) o senado francês ratificou a jornada de 8 horas e proclamou feriado o dia 1º de maio daquele ano. No ano a seguir, em 1920, a União Soviética adotou o 1º de maio como feriado nacional, e hoje este exemplo é seguido por muitos outros países, no entanto, curiosamente, tal não sucede ainda nos Estados Unidos que continua a não reconhecer o Primeiro de Maio como o Dia do Trabalhador, apesar de logo em 1890 (4 anos após a primeira manifestação) ter o Congresso aprovado a reivindicada redução da jornada de trabalho das então estabelecidas 16 horas para as 8 horas diárias.

Nos Estados Unidos, tal como no Canadá, há, no entanto, um outro Dia do Trabalhador, é móvel e ocorre na primeira segunda-feira de setembro. Esta escolha alternativa foi feita para evitar associar a festa do trabalho com o movimento socialista, movimento este sempre muito combatido nos EUA.

O Dia do Trabalhador é comemorado noutras datas, noutros países, por razões próprias. Na Nova Zelândia celebra-se este mesmo dia mas na quarta segunda-feira de outubro, em homenagem à luta dos trabalhadores locais que levou à adoção da jornada diária de 8 horas ainda antes da greve geral que resultou no massacre nos Estados Unidos. Já na Austrália o Dia varia de acordo com a região do país.





Em Portugal, só a partir de maio de 1974, após a Revolução dos Cravos (25 de Abril), é que se voltou a comemorar livremente o Primeiro de Maio, e este dia passou a ser feriado. Durante a ditadura do Estado Novo, a comemoração deste dia era reprimida pela polícia, tendo até sido criada uma distração de cariz popular e religiosa, com flores, que ainda hoje perdura e se incentiva.

Para além das comemorações que decorrem neste dia, bem como as habituais manifestações, algumas até mais insurretas e já tradicionais em alguns países, este dia continua a ser um também momento recordatório dos direitos dos trabalhadores, sendo importantíssimo que as novas gerações saibam e percebam que não são colaboradores das suas entidades patronais, como estas hoje gostam de estupidamente apelidar os seus trabalhadores, mas simplesmente isso: trabalhadores que trabalham em troca do salário que lhes deve permitir uma vida condigna.

Este não é o “Dia Internacional do Colaborador” mas o Dia Internacional do Trabalhador e trabalhador é aquele que trabalha pelo seu salário e pela sua sobrevivência e não um colaborador.

Este Dia evoca ainda a força do conjunto, da união e da perseverança. Vemos na história como as 16 horas de trabalho diárias passaram para 8 horas, ao fim de muitas lutas, sangrentas até, e anos depois.
As conquistas não têm que ser sempre fáceis, se é que alguma vez o foram, mas o mais importante é reter o aspeto que o trabalhador sozinho, isolado, individual, não tem a mesma força que um bom grupo de trabalhadores focados na defesa de todos e de cada um, ao contrário dos interesses particulares e individualistas a que hoje se assiste com naturalidade.

Há hoje um crescente desprezo pelas associações sindicais e organizações coletivas de trabalhadores, desprezo este que nasce da intoxicação quotidiana da sociedade, e durante muitos anos, atribuindo sistematicamente as inexoráveis ocorrências nefastas das crises cíclicas da economia capitalista aos trabalhadores e que acabam a ser suportadas por estes. E esta mesma estupidez grassa nas mentes facebokianas modernas que só olham para o seu próprio reflexo existencial virtual, ignorando a vida dos demais, especialmente daqueles que não têm uma elevada e colorida vida com tantos “gostos” como a sua.
A luta e a resistência dos trabalhadores vem passando agora essencialmente por manifestações de desagrado, designadamente nas opiáceas redes sociais em profunda abstração da realidade. Mas não é com a colocação de gostos nem com a partilha de “posts” cada um mais estúpido que o outro, que se trava e combate a brutal e enorme ofensiva do capitalismo que subtilmente até já introduziram e cimentaram a nova expressão camuflada, já não detendo trabalhadores mas meros colaboradores. Esta expressão é injuriosa e deve ser combatida sempre, todos os dias.

A grande massa trabalhadora (e não colaboradora) já nem contesta o sistema capitalista, mas a ele se adapta, esperando que a resolução dos seus graves problemas de trabalho, de vida e de sobrevivência, ocorra dentro do próprio sistema; o que é uma evidente ilusão; pois a bondade do capitalismo, como já sobejamente se viu, não existe. Sim, o capitalismo é uma utopia.

Devemos estar atentos, ativos e não na expectativa, aguardando por soluções caídas do céu ou da cabeça dos donos do capitalismo. Dentro das nossas possibilidades, devemos participar nas lutas, grandes ou pequenas, intervindo e denunciando sempre, incentivando os trabalhadores a não aceitarem, de forma alguma, esta ordem injusta que sempre (mais tarde ou mais cedo) a todos prejudica e maltrata.

Os trabalhadores não se podem deixar iludir, nem alimentar, com as pequenas migalhas atiradas, ou acidentalmente caídas, do alto dos laudos repastos, porque é a sua vida que está em jogo.

Vigilantes atentos, ninguém deve ceder, um milímetro que seja, a qualquer dos atropelos quotidianos, por mais simples que pareçam. Por exemplo: aceitar-se a vigilância da temperatura corporal pela entidade patronal, ainda que seja apresentada uma explicação que até parece razoável, constitui uma intromissão inadmissível que, com argumentos semelhantes, no futuro, abre as portas a outras intromissões. Ler em comunicações oficiais governamentais que o teletrabalhador tem a benesse de auferir o subsídio de refeição como compensação do que quer que seja, é um bom sinal dos tempos e das novas interpretações que se impõem combater. A este assunto voltaremos já amanhã.

Será possível aprender com a História? Sem ir mais longe, com a mais recente? Será possível que as coisas sejam de outra maneira e tenham outro rumo? Será inevitável que o trabalhador seja sempre a mula de carga dispensável? A marioneta de fios? Um mero utensílio na produção? Uma merda de um colaborador? E que, ainda por cima, pague todas as loucuras e malabarismos financeiros?

O capitalismo é um vírus que mata mais dos que os vírus corona.

Extraído, com a devida vénia, do blog https://oficialdejustica.blogs.sapo.pt/

João Andarilho


1º DE MAIO

        Viva o trabalhador, demonstremos neste dia comemorativo do trabalhador, a importância primordial do acto de trabalhar e produzir. Só quem produz realiza algo válido para a sociedade e isso tem de ser devidamente valorizado, reconhecido e não explorado. Viva a comemoração do trabalho e do trabalhador. VIVA O 1° DE MAIO! 

Extraída do Facebook

João Andarilho




PRIMEIRO 1º DE MAIO EM LIBERDADE - 1 de Maio de 1974


Álvaro Cunhal

Estádio 1º de Maio - Lisboa

Avª Almirante Reis - Lisboa

João Andarilho

quinta-feira, 30 de abril de 2020



JOAQUIM AGOSTINHO


Passam hoje 36 anos da data fatídica para o grande campeão português de ciclismo, Joaquim Agostinho!
No final de uma etapa no Algarve, um malfadado cachorro atravessou-se na vida do campeão. Sem a assistência médica competente e adequada para o acudir e, após várias cirurgias a que foi sujeito, acabou por falecer 2 dias depois do acidente.
Ao malogrado ciclista, ao campeão e ao humilde torrejano a minha eterna homenagem.

Créditos do autor


João Andarilho

segunda-feira, 27 de abril de 2020



AMSTERDÃO


< Amsterdão orgulha-se com justificado fundamento das excelentes escolas que possui: trezentas e quarenta e três escolas de instrução primária; duas escolas para formar professores de instrução primária; um ginásio; uma universidade; quatro seminários de diferentes religiões; três escolas superiores públicas com cursos de três a cinco anos; uma escola superior católica; uma escola particular para raparigas; uma escola de comércio com o curso de três anos; três escolas para formar operários; duas escolas de marinha; uma escola de indústria para raparigas; uma escola de teatro; sete escolas de música; oito escolas de ginástica; uma escola de natação; uma escola de belas-artes, academia das artes plásticas; vários jardins de infância, etc. >

AmazingPlaces.com

AmazingPlaces.com


Ramalho Ortigão Tomo IX - Geração de 70


Isto no final do Século XIX (anos 90): um país desenvolvido, um povo educado e instruído, uma potência europeia. 
Cento e trinta anos depois mantém-se uma diferença assinalável  de desenvolvimento entre Holanda e, por exemplo,  Portugal, um país com o dobro do território e com menos um terço de população. O período obscurantista de 48 anos de ditadura aprofundaram o desnível entre estas duas nações.

João Andarilho




domingo, 26 de abril de 2020



QUARENTA E SEIS ANOS


... depois do 25 da Abril de 1974, em jeito de um breve balanço, posso dizer que se vive incomparavelmente melhor a todos os níveis. A democracia com períodos menos democratas e outros períodos de melhor aproximação, permitiu uma melhoria das condições de vidas dos povos das nossas terras ainda que gritantes fragilidades continuem a existir, assimetrias abissais entre regiões e assimetrias correspondentes no nível de desenvolvimento que não podem ser admissíveis num regime democrático. A corrupção e o compadrio estão bastante desenvolvidos, os grandes grupos económicos estão cada vez mais poderosos e comandam os governos. O capital e a burguesia são a origem dos atrasos  e da pauperização dos rendimentos da população. A ganância atingiu níveis nunca antes alcançados, o garrote aperta à volta dos mais desfavorecidos. A classe média sofre as consequências desta economia de mercado ultra-liberal, capitalista. Quem mais sofre são os mais desprotegidos  com a saga das privatizações de tudo o que era do Estado e dava lucro, com a privatização dos sectores estratégicos da Nação como os aeroportos, as comunicações, a água e electricidade e o os correios, os transportes e a companhia de aviação de bandeira. O país foi vendido ao capital estrangeiro o país está de cócoras com uma dívida impagável e acorrentado às directrizes, das grandes potências da UE, tendo como instrumentos o EURO e a UEM.
Diria que, após 19 meses que se seguiram ao 25-04-1974 em que houve um efectivo desenvolvimento do país em passo acelerado, interrompido pelo 25-11-1975, o regime fascista deposto adaptou-se à "democracia" e controla-a. O que mais aflige é o nível extremamente baixo de consciência política do povo português, mais vítima de que culpado. O polvo que nos agrilhoa, que nos asfixia em seus tentáculos domina estrategicamente todas as estruturas de poder e a mais estratégica é a CS (comunicação social) e isto desde há 45 anos! Fez mossa! estamos de rastos, desinteressados e queixosos como  calimeros. O resultado desta política é o nível incrivelmente espantoso da abstenção e o crescimento do populismo fascista (extrema direita) fruto de todas estas circunstâncias.  A falta de uma maioria política na Assembleia da República nestas duas últimas legislaturas permitiu que medidas ainda mais gravosas contra o povo português tivessem sido adoptadas e foi graças a iniciativas políticas e propostas de lei dos partidos mais à esquerda do parlamento, o Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda, que permitiu uma pouca e lenta recuperação dos rendimentos e menos perdas de direitos.
Para azar do nosso povo, surgiu no pior momento a pandemia de saúde, chamada de COVID 19, que abanou a nossa economia e as nossas vidas. Vamos ver como vamos sair de tudo isto. Dizem que nada vai ficar como dantes. Sinceramente isso seria um bom sinal para as pessoas porque a esperança é que o capitalismo tal como o conhecemos seja destruído e o bem maior que são as pessoas, assumam o protagonismo como agentes privilegiados da vida neste planeta.




João Andarilho

  O PALITAR DA VIDA   Como os dentes devemos palitar a vida todos os dias. Sou do tempo em que não havia modernices ao estilo do fio den...