quarta-feira, 22 de setembro de 2021

 

CONSCIÊNCIA


 A propósito da Consciência vivemos num tempo em que há muito falta dela. O mundo ocidental, os seus valores  globalmente disseminados nos quatro quadrantes do Planeta, raras são as excepções, é dominado pelo poder económico que domina o poder político, dominante da Justiça, da Educação e da Saúde, absurdamente monopolizador dos meios de comunicação, asfixiante, compressor, manipulador e formatador da Consciência, redutor. Uma democracia ajoelhada perante interesses de oligarquias poderosas onde o menor denominador comum somos todos nós que, inconscientes da nossa falta de Consciência, eleição após eleição, volta a colocar, no altar do poder, os comissários dessas oligarquias do vil metal. Creio, porém, no dia em que, finalmente libertos da cegueira e derrubado o monstro que parimos, possamos construir um mundo das pessoas para as pessoas, um mundo solidário, humano e equalitário, sem classes. Até lá, consciente, continuarei a lutar por aquilo que, hoje, ainda é irreal.



João Andarilho



 

ELEIÇÃO AUTÁRQUICA 2O21


    Domingo há eleições. Vou votar por ser um dever e uma obrigação, um acto de cidadania num regime democrático. De cada uma das escolhas de cada um dos eleitores serão eleitos os novos membros dos órgãos autárquicos dos 308 Concelhos do país. Que cada eleitor vote em consciência e tenha consciência a quem entrega o destino próximo do seu bairro, da sua aldeia, da sua vila ou da sua cidade.



            João Andarilho 

terça-feira, 21 de setembro de 2021

 


O DOTADO


    Ser dotado pressupõe uma capacidade incomum de fazer algo que, aos olhos de muita gente, diria mesmo, de uma enormíssima massa de gente, é extraordinário, portentoso, merecedor dos maiores encómios. O meu entendimento é que todo o ser humano é magnificamente dotado, só pelo simples facto de o ser, mas não só por isso. A capacidade de cada um poder desenvolver a característica de que é dotado, está lá, é intrínseca. O mais difícil é a revelação dessa capacidade, ou seja, encontrar a chave para abrir essa gaveta.



« Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela, mas há também aqueles que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol »

Pablo Picasso


João Andarilho

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

 

O ANORMAL


    Naquela praça sete xis em fila, aguardando. A espera poderia ser breve ou, quiçá, prolongada. Certeza só havia uma, eu não seria o próximo cliente. Simplesmente passava e observava. A manhã estava fresca e ventosa como costumam ser as manhãs de Setembro, mas o sol prometia um dia soalheiro. Dos sete motoristas confortavelmente instalados no seu habitat de trabalho, cinco achavam-se hipnotizados pelo brilho do ecrã dos respectivos telemóveis, um tirava "macacos" do nariz e o último achava desafiante o livreco das palavras cruzadas. Segui caminho num sorriso que só eu adivinhava nesta cara de poucos amigos e imediatamente condescendi que o único ser anormal no meio daquelas sete almas, seria o tipo das palavras cruzadas. Há cada coisa!




João Andarilho

terça-feira, 14 de setembro de 2021




SÓCRATES o Φιλοσοφος (Filósofo)



CONHECE-TE A TI MESMO (γνῶθι σεαυτόν) , uma máxima do auto-conhecimento que não é de sua autoria mas que terá lido numa inscrição no pórtico do Templo de Apolo, em Atenas, durante a sua juventude, ter-lhe-á tocado profundamente, fazendo-o entender que qualquer conhecimento posterior do mundo requeriria, antes, um conhecimento de si mesmo. A humildade de reconhecer da sua ignorância foi definidora do seu caráter questionador de sábio, levando-o à busca pelo saber. Ao invés, cria, a soberba intelectual levava à estagnação.

Vagueava pelas ruas de Atenas, conversando com as pessoas, questionando-as e ensinando-as, por meio da prática, o seu método (método socrático). 
Dizia-se "um parteiro de ideias". Não dele mesmo, mas, sim, das outras pessoas, que ao com ele conversarem, passavam pelo seu método. Sua missão era, sobretudo, a missão do diálogo, que levava as pessoas à “evidência da própria ignorância: situação que, não sendo ultrapassada, prenderia a alma num estéril engano”.

Obra de Jorge Pé-Curto 2020

O método socrático de trazer as ideias das pessoas consistia em dois passos:
Maiêutica – uma ferramenta retórica/argumentativa que consistia em sucessivas perguntas sobre a essência de algo, sobre o que é algo.
Ironia – a resposta, em tom irônico, dada ao interlocutor servia para desconsertá-lo e mostrá-lo que o conhecimento que ele julgava ter estava, na verdade, incorreto.

O método socrático conferiu ao filósofo o êxito de sua missão: levar a sua sabedoria ao povo ateniense. Ele foi um dos primeiros a tornar a questão pela essência das coisas assunto filosófico e, lutando contra o relativismo sofístico, falou da necessidade de se defrontar, não com as opiniões, mas com a verdade.

Num tempo de ilusões e de falsos profetas, sentemo-nos e conheçamo-nos. Busquemos a verdade .

João Andarilho

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

 

NAQUELA ALDEIA


Tão pequena, tão pequena que todas as pedras tinham nome e seus inhabitantes sonambularam de apanharem estrelas. Era de noite e um ponto no mapa. No centro naquela aldeia uma estrela despontou e brilhou tanto que a todos cegou. No Coreto e do Coreto saíam anjos com harpas e sons celestes e luzes e cores, Deus meu que explendor. No Coreto Naquela Aldeia luzes e cores! 


Créditos do autor - Noiserv no Paço
Noiserv no Paço 9-2021
(créditos do autor)

João Andarilho






sábado, 11 de setembro de 2021

11-9-1973

ÚLTIMO POEMA DE VICTOR JARA (completo)




Somos cinco mil

nesta pequena parte da cidade.

Somos cinco mil.

Quantos seremos no total,

nas cidades e em todo o país?

Somente aqui, dez mil mãos que semeiam

e fazem andar as fábricas.



Quanta humanidade

com fome, frio, pânico, dor,

pressão moral, terror e loucura!



Seis de nós se perderam

no espaço das estrelas.



Um morto, um espancado como jamais imaginei

que se pudesse espancar um ser humano.



O outros quatro quiseram livrar-se de todos os temores

um saltando no vazio,

outro batendo a cabeça contra o muro,

mas todos com o olhar fixo da morte.



Que espanto causa o rosto do fascismo!



Colocam em prática seus planos com precisão arteira,

sem que nada lhes importe.



O sangue, para eles, são medalhas.



A matança é acto de heroísmo.



É este o mundo que criaste, meu Deus?

Para isto os teus sete dias de assombro e trabalho?



Nestas quatro muralhas só existe um número

que não cresce,

que lentamente quererá mais morte.



Mas prontamente me golpeia a consciência

e vejo esta maré sem pulsar,

mas com o pulsar das máquinas

e os militares mostrando seu rosto de parteira,

cheio de doçura.



E o México, Cuba e o mundo?




Que gritem esta ignomínia!

Somos dez mil mãos a menos

que não produzem.



Quantos somos em toda a pátria?



O sangue do companheiro Presidente

golpeia mais forte que bombas e metralhas.



Assim golpeará nosso punho novamente.


Como me sai mal o canto

quando tenho que cantar o espanto!



Espanto como o que vivo

como o que morro, espanto.



De ver-me entre tantos e tantos

momentos do infinito

em que o silêncio e o grito

são as metas deste canto.



O que vejo nunca vi,

o que tenho sentido e o que sinto

fará brotar o momento...”



(Victor Jara, Estádio do Chile, Setembro 1973).

O UIVO DE MONTEJUNTO Porque resulta de interesse histórico e natural conhecimento, com a devida vénia se transcreve o texto infra . O Último...