domingo, 3 de dezembro de 2023

 

DESOBEDIÊNCIA/OBEDIÊNCIA


Desobediência como acto de liberdade e reafirmação pessoal, segundo Erich Fromm.

A obediência foi considerada uma virtude durante séculos, um valor desejável que os pais incutem nos filhos. Em contraste, a desobediência foi denegrida à categoria de pecado ou anti-valor. Essa concepção está tão arreigada em nossas mentes que nossa poção padrão geralmente é obedecer. No entanto, não podemos realmente ser livres e não podemos nem mesmo ser nós mesmos sem actos de desobediência.

O QUE É A DESOBEDIÊNCIA - E O QUE NÃO É?

O termo obediência vem do latim oboedientia, que indica saber ouvir com atenção. Quando praticamos a escuta atenta, compreendemos e analisamos a mensagem, para que possamos discernir e, acima de tudo, decidir se seguimos ou não a instrução. Portanto, isso implica liberdade. No entanto, ao longo dos séculos, o sentido original da obediência foi mudando, de modo que hoje é entendido como cumprimento da vontade de quem comanda.

Erich Fromm, psicanalista e psicólogo social, oferece uma concepção mais complexa e rica da obediência e sua antítese, a desobediência. " A desobediência, no sentido em que o termo é usado, é um acto de afirmação da razão e da vontade. Não é tanto uma actitude contra algo, mas antes uma actitude para com algo, que implica a capacidade humana de ver, expressar o que vê e rejeitar o que não vê ". Portanto, a desobedência não seria um anti-valor mas, em certas circunstâncias, um acto de coerência, discernimento e reafirmação pessoal.

Fromm também bane a associação errónea que foi criada entre desobediência e violência. " Para desobedecer, não é necessário que o homem seja agressivo ou rebelde: basta que tenha os olhos abertos, que esteja acordado e queira assumir a responsabilidade de abrir os olhos de quem corre o risco de morrer porque mergulharam num estado de sonolência. " Portanto, a desobediência  também é um acto consciente.

" Não quero dizer que toda a desobediência seja uma virtude e toda a obediência um vício [...] O ser humano que só pode pode obedecer e não desobedecer, é um escravo. Em vez disso, a única pessoa que é capaz de desobedecer é um rebelde (não um revolucionário) que age por raiva, decepção e ressentimento, não em nome de uma convicção ou princípio. "

Para Fromm, a desobediência não é um acto gratuito de simples rebeldia, mas o fruto de uma profunda convicção, uma acção racional que nos permite reafirmar como povo e defender nossos direitos. Não nasce do desespero, da frustração ou da simples rejeição, mas da segurança e da confiança pessoal. Não é uma posição contra algo - mesmo que implique - mas uma posição que visa defender algo.

No seu livro " On Disobedience and Other Essays ", descreve a única excepção que, em sua opinião, pode justificar a obediência. A obediência é válida quando implica aceitar a autoridade de outra pessoa ou instituição de forma consciente e ponderada, pois nossos objectivos vão na mesma direcção de que exige obediência, de modo que este acto não é uma submissão cega, mas é conveniente para ambas as partes.

Por "Pensar Contemporâneo"

Retirado da net


sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

 

1640


Nunca fui muito à bola com espanhóis e espanholitos.

Abaixo os Vasconcelos, Pum!

Retirado da net


João Andarilho

sábado, 25 de novembro de 2023

 

AUTO-ESTIMA


Chaplin à idade de 26 anos
Quando me Amei

 Quando me amei de verdade, compreendi que, em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento preciso. E, então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome… AUTOESTIMA.

 Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia e meu sofrimento emocional não são, senão, sinais de que estou indo contra minhas próprias verdades. Hoje sei que isso é AUTENTICIDADE.

 Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje chamo isso de AMADURECIMENTO.

 Quando me amei de verdade, comecei a perceber porque é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa (talvez eu mesmo) não está preparada. Hoje sei que o nome disso é RESPEITO.

 Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável: pessoas e situações, toda e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início, minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que se chama AMOR PRÓPRIO.

 Quando me amei de verdade, deixei de me preocupar por não ter tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os mega-projetos de futuro. Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo. Hoje sei que isso é SIMPLICIDADE.

 Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter a razão e, com isso, errei muitas menos vezes. Hoje descobri a HUMILDADE.

 Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é PLENITUDE.

 Quando me amei de verdade, compreendi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas, quando eu a coloco a serviço do meu coração, é uma valiosa aliada.
E isso é SABER VIVER!

 Não devemos ter medo de nos questionarmos, até os planetas se chocam e do caos nascem as estrelas.

[Charles Chaplin].

domingo, 19 de novembro de 2023

 

MUSEU DE ARTE PROIBIDA

(250 Carrer de la Diputació, 08007, Barcelona)

Censurar uma obra, uma opinião, seja por motivos políticos ou religiosos é uma prática que existe desde que o homem tem capacidade para expressar um pensamento. A liberdade de pensamento está consagrada e legislada no chamado mundo civilizado ocidental, ainda que, na prática, exista a prática explícita da censura nos meios de transmissão da informação, na retirada de obras publicadas ou expostas numa galeria ou museu, por motivos de pressão sobre os media ou sobre os organizadores dessas exposições. A pressão censória pode vir de entidades políticas ou religiosas ou por inciativa de gente poderosa cuja actividade ou comportamento estejam a ser postos em causa. Logicamente que o acto censório padece de uma enorme hipocrisia no espaço considerado democrático do mundo ocidental em oposição a idêntica prática nos chamados países não democráticos, assim catalogados por aqueles (os tais que andam a praticar a sua liberdade e democracia musculadas pelo planeta há séculos).

Recentemente abriu um museu, em Barcelona, dedicado exclusivamente à exposição de obras censuradas. Chama-se Museu de Arte Proibida e tem um acervo de mais de 200 obras dos mais variados artistas, de Goya a Banksy.

Imperdível numa próxima visita à cidade condal.



https://www.tiqets.com/pt/atracoes-barcelona-c66342/bilhetes-para-museu-de-lart-prohibit-p1078379?selected_date=2023-11-23&selected_timeslot_id=7918923%3A6111



João Andarilho

 

PROIBIÇÃO DE ORGANIZAÇOES QUE PERFILHEM A IDEOLOGIA FASCISTA

( Lei nº 64/78, de 6 de Outubro, alterada pelas Lei nº 28/82, de 15 de Novembro e pela Lei Orgânica nº 1/2018 de 19 de Abril )


Estamos a meses de comemorar os 50 anos da data histórica do 25 de Abril de 1974. Os ambientes políticos e sociais foram-se alterando acompanhando a transformação e evolução da sociedade ao longo deste período de tempo. O espectro político dos partidos com assento parlamentar praticamente não se alterou até há cerca de duas legislaturas atrás, com o aparecimento de novos partidos. Desses partidos, há um, claramente fascista, qualificativo que está proibido pela legislação portuguesa de ter representação na casa da democracia. Como a democracia anda arredia deste país e dos países que constituem o mundo ocidental unipolar, não me surpreende que, quem de direito, não tenha invocado o órgão que controla o cumprimento da Constituição no sentido de a mandar fazer cumprir e cumprir as leis do país, ilegalizando tal excrecência da nossa Assembleia da República. À atenção da presidência da república.

https://dre.tretas.org/dre/91019/

Lei 64/78

de 6 de Outubro

Organizações fascistas

A Assembleia da República decreta, nos termos da alínea d) do artigo 164.º e n.º 2 do artigo 169.º da Constituição, o seguinte:

ARTIGO 1.º

São proibidas as organizações que perfilhem a ideologia fascista.

https://dre.tretas.org/dre/39172/



Lei 28/82

de 15 de Novembro

Organização, funcionamento e processo do Tribunal Constitucional

A Assembleia da República decreta, nos termos do artigo 244.º da Lei Constitucional 1/82, de 30 de Setembro, o seguinte:



TÍTULO I

Disposições gerais

Artigo 1.º

(Jurisdição e sede)O Tribunal Constitucional exerce a sua jurisdição no âmbito de toda a ordem jurídica portuguesa e tem sede em Lisboa.



Artigo 2.º

(Decisões)As decisões do Tribunal Constitucional são obrigatórias para todas as entidades públicas e privadas e prevalecem sobre as dos restantes tribunais e de quaisquer outras autoridades.



Artigo 3.º

(Publicação das decisões)1 - São publicadas na 1.ª série do Diário da República as decisões do Tribunal Constitucional que tenham por objecto:

f) Declarar que uma qualquer organização perfilha a ideologia fascista e decretar a respectiva extinção;

 João Andarilho

sexta-feira, 17 de novembro de 2023


RIO ABAIXO RIO ACIMA


retirado da internet

Reparem bem na imagem dos rios e seus afluentes registados nesta magnífica imagem da península. Constata-se, facilmente, que a teoria de que os rios têm uma nascente é errada. Ir à procura da nascente do rio Tejo é inglória porque todo o volume de água do rio é o resultado das escorrências provenientes das vertentes e das infiltrações, a que corre no fundo dos vales provenientes dos afluentes e subafluentes e ainda toda aquela que se infiltra no terreno da área que alimenta os aquíferos e brota, aqui e ali, em inúmeras nascentes. Constata-se, assim, que o rio é o resultado de uma infinidade de "nascentes". Que chova e chova, porque água é vida e dá vida.

créditos do autor

João Andarilho


quinta-feira, 16 de novembro de 2023

 NADO MORTO


Autor desconhecido 


"Em casa de pobre até o tempo emagrece. Sei por mim que comecei a envelhecer antes de ser criança. Mandaram-me calar ainda eu não falava. Mandaram-me varrer e eu tinha mãos apenas para brincar. Vantagem de uma vida que não começa: chega-se ao fim sem precisar de morrer. "

Mia Couto

O UIVO DE MONTEJUNTO Porque resulta de interesse histórico e natural conhecimento, com a devida vénia se transcreve o texto infra . O Último...