segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

 

REGRESSO 



Entrou o novo velho inquilino. Qual elefante numa loja de porcelana. Prometeu não se meter com a vizinhança do quarteirão e acabar  com os conflitos. Cheio de boas intenções, que o digam os panamenhos e os da terra de grone... Está prenhe o mundo.


João Andarilho 

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

 

RESIGNAÇÃO (título meu)




Tive de aceitar...


Aceitar o tempo - esse

mistério esquivo que foge à

minha compreensão.

Aceitar que a eternidade é um

enigma para a mente mortal.

Que meu corpo, frágil e

efémero, não é imortal.

Que ele envelhecerá, lentamente.


Tive de aceitar que somos 

feitos de memórias,

mas também de

esquecimentos.

De desejos não realizados,

ruídos e silêncios.

De sussurros fugazes e

noites estreladas,

tecendo histórias em

detalhes subtis.


Tive de compreender que

tudo é passageiro,

que nada dura para sempre, 

que meus filhos um dia

voariam,

esculpindo seus próprios 

caminhos, longe de mim.

Eles nunca me pertenceram,

como imaginei por um 

instante.

Sua liberdade para ir, vir e

escolher

era tão preciosa quanto

o amor que eu nutria por eles.


Tive que aceitar que varrer

minha calçada todas as 

manhãs

era só um doce engano.

Um gesto para convencer-me

de que aquele pequeno canto

do mundo

era meu, quando nunca foi.

Minha casa, meu abrigo -

um tecto transitório que, um

dia, abrigará outra vidas, 

outras histórias.


Tive de compreender que

meu apego às coisas,

aos seres, aos lugares,

só tornará mais doloroso o

momento de dizer adeus.

As árvores que plantei,

 as flores que cuidei,

os pássaros que eu ouvi cantar

-

todos estavam apenas de 

passagem, 

assim como eu.


Tive de aceitar meus defeitos,

minha fragilidade,

minha condição de ser fugaz,

condenado a desaparecer,

enquanto a vida continuará 

fluindo,

como um rio indiferente à 

minha  memória.


E tive de aceitar que, um dia,

eu seria esquecido.


Por isso, cuidemos da nossa 

alma,

pois ela é a única coisa

que verdadeiramente nos 

pertence.


Sílvia Schmitt


sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

 

RESPEITO PELO SILÊNCIO



Bastas vezes sinto vontade de não falar, de me conservar em silêncio ainda que esse hiato de tempo possa ser considerado confrangedor por quem me rodeia. É hábito, na nossa e noutras sociedades, preencher-se esses momentos de pausa que deveriam ser de silêncio, com conversas superficiais, para quebrar o clima. Sou da opinião que a pausa com o silêncio é uma vontade que tem de ser respeitada e nada tem de desrespeitoso. Antes uma preferência cultural que valoriza a profundidade sobre a superficialidade.

O silêncio é sinal de respeito


João Andarilho

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

 

HIGIENIZAÇÃO



O homem só será livre quando o último rei for enforcado com as tripas do último sacerdote.

DIDEROT 

domingo, 1 de dezembro de 2024

 

TEA 


O consumo per capita de café no nosso país é muito superior ao valor per capita do consumo de chá. Isto apesar de termos tido uma colónia grande produtora de chá 🫖, como ainda é Moçambique. Todavia, já fomos bastante consumidores de chá em tempos idos, tanto que foi uma portuguesa, que se tornou rainha de Inglaterra, que introduziu na corte esta erva, muito apreciada e que se tornou a bebida por excelência dos seus cidadãos, excepto nos estádios de futebol.

TEA, assim se passou a chamar aquilo que por cá se designa e bem, por chá. A novidade chegou a Inglaterra e os beefs tinham que dar um nome à bebida. Não foi necessário dar muita volta à mioleira, porque o baptismo surgiu naturalmente mas num contexto paradoxal. Quando os nossos navios carregados de chá eram albaroados e saqueados pelos piratas ao serviço dos ingleses, os sacos que transportavam o nosso chá, não tinham propriamente a palavra, chá, escrita nos mesmos, antes Transporte de Ervas Aromáticas (TEA). Portanto, meus caros, a verdade é que os beefs não bebem chá. Os beefs bebem transporte de ervas aromáticas. Já eram asnos há centenas de anos.

João Andarilho 



O UIVO DE MONTEJUNTO Porque resulta de interesse histórico e natural conhecimento, com a devida vénia se transcreve o texto infra . O Último...