segunda-feira, 8 de julho de 2019



DYLAN

IF YOU SEE HER, SAY HELLO

[Verse 1]
She left here last early Spring, is livin' there, I hear

[Verse 2]
We had a falling-out, like lovers often will
And to think of how she left that night, it still brings me a chill
And though our separation, it pierced me to the heart
She still lives inside of me, we've never been apart

[Verse 3]
Always have respected her for doing what she did and gettin' free
Oh whatever makes her happy, I won't stand in the way

[Verse 4]
And I hear her name here and there as I go from town to town
And I’ve never gotten used to it, I’ve just learned to turn it off
Either I'm too sensitive or else I'm gettin' soft

[Verse 5]
Sundown, yellow moon, I replay the past
I know every scene by heart, they all went by so fast
If she’s passin’ back this way, I'm not that hard to find


Porque hoje é Segunda

sexta-feira, 28 de junho de 2019


MEDITAÇÃO


«Em resumo, tudo o que respeita ao corpo, um rio; e a alma, sonho e fumo; a vida, uma guerra, um exílio no estrangeiro; a fama póstuma, o esquecimento. Que pode então guiar-nos? Única e exclusivamente a filosofia. E ela consiste em velar o Deus interior, para que permaneça isento de ultraje e prejuízo, que triunfe dos prazeres e sofrimentos, que nada faça impensadamente, que se abstenha de mentira e de dissimulação, não tenha necessidade que os outros façam ou deixem de fazer isto ou aquilo; por outro lado, que aceite o que lhe acontece e constitui a sua parte, como vindo dessa origem remota donde ele próprio veio; sobretudo que aguarde a morte de alma serena, não vendo nela mais que a dissolução dos elementos de que é composto cada ser vivo».

In "Pensamentos Para Mim Próprio" - MARCO AURÉLIO
Extraído do blog: livraria, livros, ideias, sentimentos, de José António Barreiros e Adriana Barreiros


TRUMP(A) II

Há quem diga e houve-se falar que existem espécies de animais que se suicidam em massa, ultrapassado que seja o limite a partir do qual seja impossível a sobrevivência da espécie. É a resposta à sobre-população.
Recentemente, o grande documentarista/naturalista britânico, David Attembourouh, afirmou que a espécie humana é a praga deste planeta e alertou para que a humanidade pusesse freio ao seu descontrolado aumento populacional, sob pena de a sua própria extinção acontecer muito mais rapidamente. Aconselhou, ainda, uma melhor educação das populações nesse sentido, com programas de controlo da natalidade, principalmente nas zonas do planeta menos desenvolvidas e onde esse aumento populacional se verifica.

Observadoressociais.blogspot.com

Um dos grandes poluidores do planeta é a terra do tio Trump(a), que não se coíbe de recusar assinar acordos internacionais para a salvaguarda do planeta a nível ambiental. As consequências, inclusivamente na sua terrinha são dramáticas e bem sentidas. Aliás, não só polui e polui porque produz descomunalmente, como manda o lixo para os outros países sem despudor nenhum.
Mas o homem até é capaz de ter razão e age como um autêntico líder daquelas espécies sobre-populosas que acabam por se suicidar em massa. O que acontece actualmente no planeta é a resposta da natureza aos atropelos de que é vítima pelos Trump(as) deste mundo. A reacção em forma de cataclismos naturais promove o desaparecimento de milhares de seres humanos. As guerras promovidas pelos Trump(as) e seus apaniguados belicistas, será também uma forma de controlo do aumento populacional. Não é burro de todo.
Mas, meus amigos, com Trump(a) ou sem Trump(a), estamos condenados. A nossa espécie, tal como milhares de outras, é uma daquelas que, inevitavelmente, irá extinguir-se e a Terra continuará a existir até muitos milhões de anos depois da nossa presença. É um facto, é adquirido. 
Não somos nada, apenas um grão de poeira que por cá passou.

João Attemborouh


TRUMP(A)


Mesmo em frente ao Centro Vasco da Gama e junto à alameda das bandeiras no Parque das Nações, mostra-se exposta uma grande escultura, assinada na sua base por Bordalo II, toda ela construída a partir de desperdício de plásticos. Representa a figura de um felino, imagino que possa ser um lince, ou um gato doméstico, não sei. Todavia, a mensagem subjacente e subliminar que transmite é o grito desesperado a favor da vida, contra o desperdício, por uma vivência em sociedade em equilíbrio com a natureza, auto-sustentada. Não sei se este grito chega aos ouvidos dos decisores mas é mais um a juntar a tantos outros e muito barulho chama a atenção.

Parque das Nações - Lisboa
(foto do autor)

Parque das Nações - Lisboa
(foto do autor)

Parque das Nações - Lisboa
(foto do autor)

Parque das Nações - Lisboa
(foto do autor)

João Attembourouh

domingo, 23 de junho de 2019




NATURISMO/NUDISMO



Que espírito será tão cego e vazio que não entenda que o pé humano é mais nobre que o sapato que o calça, e que a pele humana é mais bela do que as vestes com que a cobrimos" (Engels 1820-1895)



Embora uma e outra tenham em comum o facto de se mostrarem nus, nem sempre o nudista é naturista convicto ou sequer naturista. Ser naturista pressupõe haver predisposição para ser imbuído com a natureza e com o meio ambiente, a sua defesa, preocupação e ser o mais possível conforme a ela praticando um estilo eco-sustentável.


"Ser naturista é mais uma filosofia de vida do que uma prática social, embora conjugue as duas".


Em Portugal haverá cerca de oito mil praticantes de nudismo e para a sua prática de uma forma legal, exceptuando o espaço privado da minha casa e para quem se mostre interessado em saber, existem 4 praias no país: Meco, em  Sesimbra, Bela Vista, na Costa da Caparica, uma zona na Ilha de Tavira, no Algarve e na Praia do Salto, perto de Porto Côvo. 
Existem, ainda, 15 praias onde o nudismo é tolerado, entre as quais a Praia de Alife - Viana do Castelo; Praia do Salgado - Nazaré; Praia da Ursa - Cabo da Roca; Praia da Fonte da Telha - Costa de Caparica; Praia de Tróia - Setúbal; Praia das Furnas - Vila Nova de Milfontes; Praia do Telheiro - Sagres.



Igualmente podem surgir actividades sociais em que a prática saudável do nudismo/naturismo possa estar associada como é o caso do desporto. Neste caso concreto existe uma corrida que já vai na sua sétima edição, designada "Légua Nudista Internacional do Meco", realizada anualmente na praia com o mesmo nome e cuja adesão ronda a centena de participantes ou um pouco mais. Todavia, acredito que no futuro possa ser cada vez maior a adesão, uma vez que o aumento da prática  do nudismo/naturismo e da corrida, faz antever tal possibilidade.
Como recente adepto deste tipo de actividades (nudismo/naturismo) e já maduro na corrida, deixo aqui testemunho que facilmente descartei algum tipo de preconceito que tivesse para com a nudez porque é preconceito que se trata. Respeito o pudor que as pessoas possam ter para com a nudez, mas isso não me coíbe de dizer que automaticamente me integrei num ambiente natural, despretensioso, respeitoso e me senti melhor como pessoa. 




Nus somos todos iguais

João Nudista/Naturista

quinta-feira, 20 de junho de 2019



REAL FÁBRICA DO GELO


Em Setembro de 2019, eu e um grupo de talentosos bttistas da Lourinhã, "Os Pedálentos" decidiu fazer o percurso que dista, desta vila dinossáurica, até ao ponto mais alto da Serra de Montejunto. Se bem o pensámos melhor o fizemos. Porque foi uma fantástica manhã de convívio e por, a final da escalada, ter-me sido dado a conhecer por amigos, veteranos destas paragens, um local mágico mesmo e desconhecido da grande maioria dos portugueses e dos lisboetas em particular.

Créditos: Maurício Santos
No ponto mais alto desta serra, 600 m acima do nível do mar, ergueu-se em tempos idos a Real Fábrica do Gelo que, durante 120 anos, forneceu à corte de Lisboa e mais tarde aos cafés mais chiques da capital, blocos de gelo para a refrescarem. Pude assim, observar in loco, o que resta dos 44 tanques de pedra que se destinavam ao congelamento da água das chuvas aí depositadas. 
Foi mandada construir por três sócios, um espanhol, um italiano e um francês, em 1741, segundo conta, Carlos Ribeiro, um dos guias da Real Fábrica do Gelo. A escolha recaiu na Serra de Montejunto devido às condições climatéricas existentes e por ficar localizada perto de Lisboa, a cerca de 50 km. Demorou cerca de 6 anos a ser construída e teve um custo entre 40 e 45 mil cruzados, valor exorbitante para a época. Porém, considerada necessária porque sua altezas reais assim o desejavam e os seus caprichos serem ordens (hoje em dia os caprichos de suas altezas reais que nos (des)governam são muitos, mais caros e variados, por isso é que estamos f***+dos).
Então, segundo Carlos Ribeiro, a unidade estava dividida em dois sectores: o da produção de gelo e a do armazenamento e tinha pormenores de construção muito avançados. Como exemplo, no fundo do enorme silo de armazenamento principal, em pedra (tem 10 m de profundidade e 7 de largura), era colocada uma grelha de madeira sobre um conjunto de pedras salientes, para o gelo que derretia não ficar em contacto com o restante bloco. Além disso, no fundo do silo existia um dreno que escoava essa água para o exterior.
Não é difícil imaginar mas a profissão era extremamente exigente. Dos poços e dos tanques de armazenamento, a água da chuva era enviada para os 44 tanques de congelação, com recurso a um sistema de nora puxado por animais. A água distribuía-se, assim, por gigantescas couvettes a céu aberto, para a natureza tratar de a congelar. O congelamento acontecia de noite quando as temperaturas eram mais baixas. Nessa altura, o guarda da fábrica descia à aldeia de Pragança e, de corneta em riste, acordava os homens que se iriam dedicar ao labor de tirar os enormes blocos de gelo dos tanques, transportá-los às costas e compactá-los nos silos. Tudo isto tinha de acontecer antes do sol nascer. Era um trabalho de escravatura, feito de noite, por homens mal vestidos e mal calçados, com temperaturas baixas e tudo isto para que o reizinho e pares se pudessem deliciar com bebidas geladas. Porque a necessidade era maior e se sobrepunha à dor, estes homens de bem dormiam acordados, vigilantes e à espera do som da corneta. Ainda assim, só os mais rápidos que conseguissem subir a serra é que tinham a "sorte" de ser os escolhidos.
Foi uma actividade que durou meio século e que ainda hoje está imortalizada numa frase que é conhecida pelos mais antigos pragantinos: "quando o silo grande estava cheio de gelo, era o silo do lado (mais pequeno) que estava cheio de moedas de ouro".    
O transporte do gelo, então, era uma tarefa bárbara (faz-me lembrar o episódio da construção do Convento de Mafra descrita na obra maior de Saramago - Memorial do Convento). Armazenados durante o Inverno, era em Junho que eram encaminhados para a capital do reino, tarefa monumental ao longo de 50 Kms. A primeira fase acontecia numa primeira zona também chamada fábrica de neve, junto aos silos, em que os homens cortavam o gelo em enormes paralepípedos, envolvendo-os em palha e serapilheira. Ficavam no silo de expedição até seguirem para o dorso dos burros que os levava serra abaixo. Como não existiam estradas, os animais seguiam por carreiros e só no sopé da serra é que encontravam os carros de bois ou carroças em que depois se acomodava o gelo até à vala do Carregado, A partir daqui, os blocos de gelo (envolvidos em palha e serapilheira), seguiam pelo Rio Tejo, durante a noite, até ao Terreiro do Paço, nos barcos da neve, num trajecto que demorava 12 horas. Daqui era levado para a Casa da Neve, num local que, tempos depois, deu lugar ao actual Martinho da Arcada e, a partir daqui, seguia para a Corte, para os cafés e para o Hospital de Todos os Santos, localizado na actual Praça da Figueira.
Destes tempos ainda se encontram alguns vestígios na Baixa Lisboeta, nomeadamente na fachada da antiga pastelaria Pomona (na Rua da Prata nº 113), ou o Café Gelo, no Rossio.


Créditos: João Carlos Ferreira

Desta aventura resultou, para além do divertimento e são convívio, um cheirinho de cultura e de aprendizagem e que aqui deixo registado para memória futura.

João Andarilho

       

O UIVO DE MONTEJUNTO Porque resulta de interesse histórico e natural conhecimento, com a devida vénia se transcreve o texto infra . O Último...