sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

 

RESPEITO PELO SILÊNCIO



Bastas vezes sinto vontade de não falar, de me conservar em silêncio ainda que esse hiato de tempo possa ser considerado confrangedor por quem me rodeia. É hábito, na nossa e noutras sociedades, preencher-se esses momentos de pausa que deveriam ser de silêncio, com conversas superficiais, para quebrar o clima. Sou da opinião que a pausa com o silêncio é uma vontade que tem de ser respeitada e nada tem de desrespeitoso. Antes uma preferência cultural que valoriza a profundidade sobre a superficialidade.

O silêncio é sinal de respeito


João Andarilho

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

 

HIGIENIZAÇÃO



O homem só será livre quando o último rei for enforcado com as tripas do último sacerdote.

DIDEROT 

domingo, 1 de dezembro de 2024

 

TEA 


O consumo per capita de café no nosso país é muito superior ao valor per capita do consumo de chá. Isto apesar de termos tido uma colónia grande produtora de chá 🫖, como ainda é Moçambique. Todavia, já fomos bastante consumidores de chá em tempos idos, tanto que foi uma portuguesa, que se tornou rainha de Inglaterra, que introduziu na corte esta erva, muito apreciada e que se tornou a bebida por excelência dos seus cidadãos, excepto nos estádios de futebol.

TEA, assim se passou a chamar aquilo que por cá se designa e bem, por chá. A novidade chegou a Inglaterra e os beefs tinham que dar um nome à bebida. Não foi necessário dar muita volta à mioleira, porque o baptismo surgiu naturalmente mas num contexto paradoxal. Quando os nossos navios carregados de chá eram albaroados e saqueados pelos piratas ao serviço dos ingleses, os sacos que transportavam o nosso chá, não tinham propriamente a palavra, chá, escrita nos mesmos, antes Transporte de Ervas Aromáticas (TEA). Portanto, meus caros, a verdade é que os beefs não bebem chá. Os beefs bebem transporte de ervas aromáticas. Já eram asnos há centenas de anos.

João Andarilho 



quinta-feira, 28 de novembro de 2024

 

DEGUSTAÇÃO


Pintura de autor

Tento não olhar para o rectângulo que debita poluição visual. De raspão vejo as mesmas figuras e figurões de sempre e sempre a toda a hora debitados. Concentro-me o mais que posso no repasto que me foi servido para degustação. Bom proveito para mim, Andarilho.

João Andarilho


quarta-feira, 27 de novembro de 2024

 

LISBOA MENINA E MOÇA



Por razões várias, há bastante tempo que não surgia oportunidade de fazer turismo na minha cidade de Lisboa. Assim sendo e a oportunidade surgindo, andarilhei pela baixa da cidade, sob abençoada chuva outonal, embicando direito à magnífica Praça do Comércio, vulgo Terreiro do Paço, prosseguindo no percurso ribeirinho até ao cais de embarque de Santa Apolónia e subindo por Alfama acima em direção às escadinhas de São Crispim de boa memória. De volta à Praça D. Pedro IV , vulgo Praça do Rossio, mentalmente fiz uma análise rápida à minha caminhada e ao que dela pude concluir. E a conclusão é necessariamente rápida porque despertou-me para a realidade actual da minha cidade:

Destaco uma degradação geral, quer em termos de limpeza e asseio quer em termos urbanísticos, nomeadamente, as ruas com o asfalto degradado e os passeios mal calcetados, as fachadas sujas e cheias de grafitis. A contribuir para a degradação a quantidade absolutamente esmagadora de um meio de transporte que terá vindo para ficar (espero que desapareça), os chamados tuc-tuc, importados de orientais paragens, certamente acompanhando a horda incomensurável de turistas que demanda a nossa capital. Em Alfama, constatei existirem, ainda, moradores originais do bairro, mas que, aos poucos, a criminosa legislação que permitiu a criação de AL e a expulsão dos seus moradores, veio promover a sua descaracterização e apagamento progressivo das suas tradições, assistindo-se à sua tomada por gente estranha, de paragens estranhas, de baixa formação e que só arranha, por necessidade, a língua de Camões.  






Dizem certas pessoas no alto da sua sabedoria e poder discricionário que vivemos num tempo de globalização e de direitos e direitos das minorias e outras patetices para aqui e para acolá. É uma tal sociedade "woke", que para mim mais nada é que uma sociedade oca, sem valores e permissiva ao absurdo e estupidez. Como é óbvio, uma cidade é o espelho da sociedade que nela habita, constatando assim que Lisboa está doente e precisa urgentemente de cura e de outras políticas. 




Posto isto, tristemente levo o coração pesado e a alma amargurada pelo que vi e senti,  lamentando o estado a que isto chegou, não tanto por mim mas pelas gerações vindouras.


João Andarilho.

sexta-feira, 15 de novembro de 2024

 A COR DA REVOLUÇÃO 




Celeste Caeiro, assim se chamava a Senhora que deu cor à Revolução.

Faleceu hoje a Senhora Celeste, florista e pessoa simples que, na hora certa, deu cor à Revolução e fez florir a esperança depositada no coração do povo português, naquele 25 de Abril de 74. O seu gesto, genuíno, marcou, de forma indelével, um dos dias mais simbólicos da história deste país.

A minha singela homenagem a esta cidadã que agora nos deixou.

João Andarilho 

O UIVO DE MONTEJUNTO Porque resulta de interesse histórico e natural conhecimento, com a devida vénia se transcreve o texto infra . O Último...