segunda-feira, 7 de janeiro de 2019


ELLES BAILEY

Uma voz forte desta britânica, que casa na perfeição com os géneros blues, country e soul rock. O tom da sua voz tem a ver com uma grave doença de que padeceu na idade de três anos. Para poder sobreviver os médicos tiveram que lhe introduzir na garganta um tubo durante dezassete dias para que pudesse respirar, processo que lhe afectou a voz dando-lhe esta qualidade sonora que evidencia e é reconhecida onde quer que actue.

Os seus dois EP´s, ambos produzidos por Brian Banks, (Michael Jackson, Lionel Richie) ´Who I Am To Me´ (Fev 2015) e ´The Elberton Sessions´ (Out 2016)  e o seu primeiro álbum ´WildFire´ (Verão de 2017) foram bastante aclamados pela crítica.



Tal como muitos artistas, hoje em dia, Elles vai quebrando as barreiras de géneros tradicionais, recebendo deles inspiração, misturando-os e dando origem a um som único e muito próprio, o que lhe tem grangeado um crescendo de fans incondicionais, jovens e menos jovens, por todo o Reino Unido e não só.

Tenho para mim que o seu género musical e a sua natural entoação me fazem lembrar outra grande vocalista, Delila Paz, da Banda norte-americana, The Last Internationale. 

Deixo dois links para comparação.




João Soneto


domingo, 6 de janeiro de 2019


O QUASE PADRE

Déspota, criminoso, António de Oliveira Salazar, ex: seminarista, ex: professor catedrático na Universidade de Coimbra, ex: deputado, ex: ministro das finanças, Ditador, Fascista.

Porquê falar do fascismo e de fascistas. Porque está na moda por essa Europa fora e pelo mundo a eleição de representantes desse género de ideologia. Felizmente as modas tardam a chegar a Portugal. Sempre fomos um país avesso ao progresso.
Daí um breve retrato do regime e do facínora para que a memória não esmoreça.

Tomo a liberdade de transcrever pequenos  trechos inclusos na obra "Portugal A Flor e a Foice" do escritor, cronista e professor de literatura portuguesa, J. Rentes de Carvalho.



《Deputado católico por um dia, em 1921, ministro das finanças durante uma semana, em 1926, Salazar veio para ficar e anuncia-o secamente no seu discurso de posse “ sei muito bem o que quero e para onde vou, mas não se me exija que chegue ao fim em poucos meses. No mais, que o país estude, represente, reclame, discuta, mas que obedeça quando se chegar à hora de mandar.”
Um sacerdote, igualmente catedrático em Coimbra e seu amigo íntimo, Manuel Gonçalves Cerejeira, viria a ser cardeal-patriarca de Lisboa. Com um padre e um quase padre, a Igreja e o Fascismo alicerçam-se no país enfraquecido, vão tomar o seu destino em mãos.

 Ao guarda- livros não se pode dar desculpa, mas tem que se lhe dar um crédito: o de  exigir que as despesas não ultrapassem as receitas e a submissão absoluta de todos os ministérios ao das finanças. Desse modo, pela terceira vez em setenta e cinco anos, o orçamento do Estado apareceu equilibrado e assim se manteve até que sobre ele caiu o desproporcionado peso da guerra colonial na década de sessenta.
Mas acrescente-se o que os panegeristas sempre passaram por alto e o que os bajuladores nunca quiseram ver: orçamentos equilibrados graças à miséria atroz para quase todos, privilégios desmesurados para um pequeno grupo. Tudo isso em nome de Cristo, da Família e da Ordem e de uma bizarra concepção da sociedade, infelizmente partilhada por mais e exposta pela última vez num discurso do ditador proferido em 1967: “Sempre houve pobres, sempre os há-de haver, é preciso que os haja”.

O Governo, a Assembleia e o funcionalismo relegados ao papel de comparsas. O povo açaimado e conhecendo um atraso e uma miséria medievais. A polícia perseguindo e torturando os oponentes, sobretudo os comunistas que, desde o início, serão os adversários mais consequentes e constantes do regime; Salazar é, na verdadeira acepção, senhor e dono do país. Tal como um soberano, mantém a sua corte de vassalos. Aos favoritos distribui prebendas, mercês e, para melhor os dominar, permite- lhes que roubem impunemente, reservando para si a auréola de incorruptibilidade, de desinteresse material e ascetismo. 
A história da corrupção em Portugal entre 1926 e 1974, talvez nunca venha a ser escrita, mas é interessante recordar como o povo a sintetizou numa anedota:
Uma noite jantava Salazar em casa do General Carmona, então presidente da República e à mesa reinava um silêncio profundo. Um dos netos do general, ainda criança, voltando-se para Salazar quis saber:
- Senhor presidente, o que é o governo?
Não tendo recebido resposta, na sua inocência fez mais uma pergunta: - e o que é a ditadura?
Salazar retorquiu irritado: - o menino faça como o avozinho, coma e cale-se. 》.

Destas breves passagens, ironicamente continuamos a sentir na pele a ditadura do Ministério das Finanças e o roubo dos salários dos portugueses em proveito da alta finança, da capitalização dos bancos privados e da expropriação dos recursos públicos a favor dos grandes monopólios economicos. É isto uma democracia?

João Passado dos Carretos



sábado, 5 de janeiro de 2019



NAÇÃO VALENTE II


Eterno povo de emigrantes


Com o fim da aventura do Oriente, Portugal entrou numa decadência que durou até ao 25 de Abril de 1974, com breve interregno revolucionário que teve o condão de derrubar as estruturas do regime deposto e promover a dignidade do povo, outorgando-lhe direitos e garantias e aumentos salariais, reformas no ensino e na educação e a criação de um Serviço Nacional de Saúde. Com a reversão posterior desses direitos adquiridos, dos cortes salarias e destruição do aparelho produtivo, da saúde e da educação, o país voltou à depressão e à decadência, ditada pela perda de soberania e ao garrote da moeda única.


Conforme escreveu C.R.Boxer em "Portuguese Seaborne Empire" «os portugueses têm demonstrado ao longo dos séculos uma notável capacidade de sobrevivência à má governação, vinda de cima, e à indisciplina, vinda de baixo».


A resposta do povo, da gente pobre e miserável é o desprezo pelo governo e pelo poder, manifestando-se através da emigração em massa ao longo dos séculos, almejando oportunidades noutras paragens, apesar do trabalho duro que os esperava fruto da pouco qualificada mão de obra que ofereciam.

Hoje, apesar de Portugal ser um país de licenciados, escasseiam as oportunidades e, face à crise (recorrente ao longo dos séculos) de novo continua a emigração maciça, desperdiçando o país os recursos humanos, o valor científico dos seus cidadãos,  mais valia aproveitada pela Europa e pelo mundo de bandeja, porque nada despenderam na sua formação.



João Andarilho

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019



NAÇÃO VALENTE


… e imortal. Brava nação de tão grandes homens,  honrada,  que soube conquistar a sua independência, primeiro aos sarracenos e depois até quase aos nossos dias, aos castelhanos. Hoje já não somos independentes, somos um protetorado alemão. 



Verdade? Não, tudo mentira, com excepção da última parte do último parágrafo. Portugal nunca foi uma grande nação tudo por culpa da ganância das suas fracas lideranças e dos regimes despóticos que a governaram. 



Mas a nossa história nada tem a ver com as mentiras que nos contaram ao longo dos tempos nas nossas escolas. Portugal não «nascera do conselho que Deus, em boa disposição, dera num dia de 1139 a Afonso Henriques, o primeiro rei.», segundo refere J. Rentes de Carvalho no seu "Portugal a Flor e a Foice", nem, « desde então, cada vez que, por descuido ou boa-fé, o país se encontrava à beira do desastre, a intervenção divina nunca se tinha feito esperar, o Senhor aparecendo pessoalmente aos reis ou, como em 1917, delegando Nossa Senhora de Fátima para proteger Portugal, e através dele, o Mundo, contra o dragão comunista.»
Mas a façanha dos heróis não se ficava por aqui, como « o que se deixou esmagar pelas portas dum castelo para que os companheiros, aproveitando a abertura assim feita, o pudessem tomar aos mouros. Outro, a quem numa batalha o inimigo tinha decepado os braços, segurara a bandeira com os dentes, dando a que os camaradas, acudindo, pusessem a  alvo o símbolo sagrado. Um terceiro a quem os espanhóis incitavam a que traísse, optara pela alternativa de ser frito em azeite».



«Alguns feitos eram mencionados como dignos de pasmo, outros dados em exemplo. Um infante, feito prisioneiro pelos sarracenos, tinha morrido em cheiro de santidade. Uma rainha Isabel, a quem o marido acidamente censurara o tamanho das esmolas, adquirira do Alto o poder de transformar os pães em rosas, escapando assim à cólera do soberano, quando este a apanhava em flagrante delito de prodigalidade. Outro rei, Pedro, o Cru, mandara vingar o assassinato da amante (a que depois de morta foi rainha), ordenando que o coração dos assassinos lhes fosse arrancado pelas costas e depois assado. Alguns desvairados cronistas relatam que o monarca, assistindo à aplicação da sentença, mandou trazer sal e azeite, na firme intenção de levar a antropofagia por diante.»


Deus deitara pessoalmente a mão ao leme das naus de Vasco da Gama, para que este não se enganasse na rota para a Índia e assim levasse a esses longes a fé de Cristo e a fama dos portugueses. Brincalhão, também, o Altíssimo deixara que Pedro Álvares Cabral se perdesse e, enquanto o dito encontrava a rota do Oriente, fez-lhe aparecer o Brasil diante das caravelas.»



Era assim que era dada a História de Portugal por força da limitação que lhes ditava o programa oficial e a vigilância do reitor. Aos professores, temerários, lhes não era permitido ultrapassarem as barreiras.

João Andarilho

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019


COMODISMOS


"Depois de Maiakovski
Primeiro levaram os negros,
Mas não me importei com isso,
Eu não era negro.
Em seguida levaram alguns operários,
Mas não me importei com isso,
Eu também não era operário.
Depois prenderam os miseráveis,
Mas não me importei com isso,
Porque eu não sou miserável.
Depois agarraram uns desempregados,
Mas como tenho meu emprego,
Também não me preocupei.
Agora estão me levando,
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo."

Bertold Brecht

Para quando estamos demasiado "ocupados" ou receosos para lutar por aquilo que é justo.
Quando nos dermos conta será demasiado tarde.



Se fizermos uma análise às perdas de direitos conquistados com a revolução do 25 de Abril de 74, verificamos sem pasmo que continuamos a ser um povo dócil, como sempre fomos perante regimes autoritários. Essa atitude faz perigar o próprio futuro da nação onde sobressai, como maior consequência da perda de direitos e cortes de rendimentos, o factor natalidade cuja taxa roça o zero absoluto. Assim, fatalmente, teremos o destino  traçado.

João Realista

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019




51% DO ORÇAMENTO DE CUBA VAI PARA A SAÚDE E EDUCAÇÃO

Os gastos na saúde pública e educação para 2019 em Cuba representam 51% do orçamento nacional.

Os gastos na Segurança Social representam 17,2% do orçamento e na cultura e desporto 4,6%.

De acordo com as autoridades, com este orçamento poderão garantir na área da saúde cerca de 226 milhões de consultas médicas gratuitas e 1,38 milhões de internamentos em hospitais, enquanto na educação assegura-se a matrícula de 1,5 milhões de estudantes do ensino pré-escolar, primário, especial, secundário e médio superior e 155.000 estudantes universitários.

Fonte: Sputnik

Apetecia dizer " lá como cá ". Infelizmente, não. 
Teremos a maior carga de impostos sobre o trabalho de que há memória. A continuação do desmantelamento do SNS, em proveito da saúde privada (através das PPP'S) com a transferência de capitais financeiros e meios humanos, descapitalizando e degradando cada vez mais a saúde pública. 
A cultura é o parente paupérrimo, a educação pela hora da morte. A justiça... é melhor ficar por aqui. 

Afinal o que melhora? Diria que os ricos ficam mais ricos e os pobres e remediados com muito menos ao fim do mês de trabalho. O roubo descarado  do salário passou a ser transversal a todas as classes sociais com excepção dos mais abastados. Estes não produzem, vivem dos rendimentos. É assim o imundo mundo em que vivemos. 


João Andarilho 



terça-feira, 1 de janeiro de 2019


Poema de Ano Novo
Esperança 

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança…
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…


Mário Quintana

João Soneto




O UIVO DE MONTEJUNTO Porque resulta de interesse histórico e natural conhecimento, com a devida vénia se transcreve o texto infra . O Último...