domingo, 10 de março de 2019



WEIMARANER


Num passeio pedestre (pós degustação de uma bela galinha do campo acompanhada de um maravilhoso pirão de fuba de bombó, ou seja farinha de mandioca, produzida de forma artesanal na província de Malange e na Gabela, em Angola, minha terra natal), pelo areal da praia da Consolação situada na freguesia de Atouguia-da-Baleia, concelho de Peniche, distrito de Leiria, decidimos, numa breve pausa, sentarmos-nos numa das esplanadas que por lá se situam, para sorver uma "bica" e uns pozinhos de iodo. 
Bem dita a hora em que o fizemos porque, mesmo ao nosso lado, fazia-nos companhia uma espantosa criatura de quatro patas, orgulhosa pela sua elegância, altivez e nobre garbo, que nos encheu a alma. 

Própria autoria


O nobre amigo não era muito dado, mas era dócil. Compreendi que, estando preso, todo ele era nervosismo à procura pelo olhar, do seu ou seus donos que se mostravam no interior da esplanada. Todo o tempo passou fixando com o olhar na direcção dos mesmos.
Fiquei siderado com a beleza da criatura e com o apego aos donos.
A natureza estava ali, o mar as dunas e nós, animais com razão e/ou com falta dela.

João Naturalista

sábado, 9 de março de 2019




PEDRA ANGULAR


É uma pedra em formato de uma cunha, do género de um trapézio, que é colocada no centro de um arco e tem como função travar as duas forças contrárias exercidas pelos semi-arcos apoiados em colunas, de maneira a que os mesmos acabem por não desmoronar. 



Esta definição pode ser dada ao extraordinário papel que tem uma simples palmeira num deserto. É espantosa a quantidade de coisas que estão ligadas à existência de uma única planta. Os seus frutos atraem as aves, as folhas, em forma de leque, protegem do vento e o solo que é soprado pelo vento e que se acumula atrás dos troncos retém a humidade, abrigando insectos e vermes. Esta única árvore espalha vida no deserto e produz uma sensação de frescura. É, portanto, uma espécie essencial para o seu eco-sistema funcionando como uma autêntica pedra angular, o símbolo perfeito da natureza como um organismo vivo.

Daí também a expressão "um oásis no deserto" e onde os há, as palmeiras são as suas pedras angulares.

João Botânico

sexta-feira, 8 de março de 2019



METAMORFOSE


Todos nascemos originais e morremos cópias, dizia Carl Jung.

Há longos anos que tenho asco em ver as tvs e uma panóplia de canais que nos encharcam com muito ruído e muita manipulação.

Por uma questão de sanidade mental recuso-me a ser violado mentalmente. Sinto-me muito bem assim e recomendo.

Tento ser conforme a minha consciência e errar sempre que tiver de errar.

Vem isto a propósito das mentes alienadas com quem convivemos no dia a dia, sobrecarregadas com tanto vazio que é confrangedor e me dá pena.



Infelizmente parece ser difícil quebrar as grilhetas opressoras desta sociedade, mas não é impossível e isso também passa por uma reacção e mudança individuais, para não morrermos cópias.

João Kafka

quinta-feira, 7 de março de 2019




Bogdan Dide

Artista plástico ucraniano, Bogdam Didenko, nasceu em 9 de Setembro de 1983 na cidade de Poltava, actualmente com atelier montado em Corroios.
Desde a infância que se interessou pelo desenho e aos 10 anos pela pintura clássica, fazendo cópias de grandes artistas tais como, Aivazovsky, Shishkin ou Polenov.
Aos 15 anos, participou pela primeira vez no concurso de arte de cartazes políticos em que o tema era a "democracia", realizado entre as escolas de arte e  estúdios, onde foi premiado com o segundo lugar.
Através dos conhecimentos adquiridos no aprendizado com o seu professor e mentor, Aksenov A.A., aprendeu a dominar géneros clássicos da pintura, tais como o retrato, paisagem e natureza morta.
*
Ontem conheci-o pessoalmente a este magnífico fazedor de arte em plena sala onde se mostra exposta  alguma da sua pintura a óleo, que decorre no edifício da DGAJ (Direcção-Geral da Administração da Justiça) em Lisboa, no Campus da Justiça até 12 de Março. 



Pessoa extraordinária de simplicidade, falámos sobre a técnica de pintura que aplicava na sua obra, deixando entender que o imaginário lhe sai naturalmente transpondo-o para a tela  e aí aplicando essa técnica que já domina.

Das telas expostas é difícil não gostar de todas, mas há sempre algumas que acabam por se destacar e tocar-nos de uma forma especial, como é o caso de "Fenix", ou "Lord of the Jungle". 

Fenix

Exposição deslumbrante que vale a pena ser visitada.

João Pastel

terça-feira, 5 de março de 2019




OLISSIPUS


Em dia de Carnaval, nada melhor do que ir passear por esta maravilhosa cidade de Lisboa e conhecer alguns dos seus magníficos miradouros. O tempo e a temperatura estavam óptimos, nada de frio, muito nublado e com chuviscos à mistura.

Saídos na Baixa Pombalina subimos pela Rua da Sé, passando pela Sé em direcção ao primeiro miradouro, o de Santa Luzia e de seguida ao das Portas do Sol, ambos com vistas magníficas sobre o casario de Alfama e o manto de água do Tejo, com o seu renovado porto de cruzeiros.









De seguida, metemo-nos pela Rua das Escolas Gerais abaixo em direcção ao próximo miradouro, o de Santo Estêvão, junto ao largo e igreja com o mesmo nome. Breve visão de todo o enquadramento e ala até ao próximo. 



 
De permeio cruzamo-nos com a Igreja de Santa Engrácia, mais conhecida por Panteão Nacional, cuja construção terá demorado a bagatela de duzentos anos. 






Logo ao lado e porque é terça-feira, passámos na feira da ladra que nem por isso estava muito concorrida. 



O passo seguinte era o Miradouro da Graça, mas antes detivemo-nos na Igreja de São Vicente para espreitar o seu imponente altar e no caminho atravessámos o Arco Grande de Cima onde pudemos observar parte da Muralha Fernandina.



 Junto ao largo da Graça (actualmente designado com o nome da escritora Sophia de Mello Breyner), debruçamo-nos, então, sobre o Miradouro com o mesmo nome abarcando uma paisagem deslumbrante do centro da cidade, que vai desde o Castelo de Lisboa, ao Bairro do Castelo, Martim Moniz, Praça da Figueira, o Tejo e a Ponte 25 de Abril e, mais à direita, a Praça dos Restauradores, a Avenida da Liberdade, a Praça Marquês de Pombal o Parque Eduardo VII, Amoreiras  e tudo o mais que a vista alcança. Fantástico! 


Dali até ao Miradouro de Nossa Senhora do Monte foi um pulinho muito embora a paisagem seja a mesma do miradouro antecedente.

Descemos a Penha de França até ao Campo Mártires da Pátria e daí até ao Jardim do Torel com o respectivo miradouro e que é pouco conhecido.

Resolvemos então ir até à outra colina, em direcção ao Bairro Alto e para tal, atravessando a Avenida da Liberdade, subimos a Calçada da Glória desembocando no magnífico Miradouro de São Pedro de Alcântara, com outra vista deslumbrante do Centro da Cidade. 


Bairro Alto adentro, passando pelo Tribunal Constitucional fomos em direcção ao último Miradouro, o de Santa Catarina, que abarcava toda uma linha do Tejo, sombreira ao Cais do Sodré. Neste último percurso fomos abençoados por uma valente carga de água, com forte ventania à mistura. 






Por fim, descemos até ao Largo de Luís de Camões em direcção ao Chiado e daí terminámos o passeio bem no meio da grandiosa Praça do Comércio.


Foram cerca de dez quilómetros e um dia bem passado na nossa bela capital. 

Para terminar e como a vontade de comer já se manifestava, resolvemos ir a uma pequena cafeteira pastelaria  na Rua onde passa o 28, de nome "Estrela da Baixa", onde degustámos um excelente prato de Bacalhau à Minhota.


Assim se passou mais um glorioso dia de Carnaval. Siga o corso.

João Alfacinha

sábado, 2 de março de 2019




NÁUSEA

“O potencial matrimonial reside, precisamente, no amparo e na necessidade de segurança. A mulher gosta de se sentir útil, de ser a retaguarda e de criar a estabilidade familiar, para que o marido possa ser profissionalmente bem sucedido. Esse sucesso é também o seu sucesso! Por norma, não se incomoda em ter menos rendimentos que o marido, até pelo contrário. Gosta, sim, que seja este a obtê-los, sendo para si um motivo de orgulho. Porquê? Porque lhe confere a sensação de protecção e de segurança. Demonstra-lhe que, apesar de poder ter uma carreira mais condicionada, pelo facto de assumir o papel de esposa e mãe, a mulher conta com esse suporte e apoio do marido, para que nada falte. Por outro lado, aprecia a ideia de “ter casado bem”, como se fosse este também um ponto de honra. Naturalmente que o contrário não pode ser visto como menos meritório, em particular quando as oportunidades não são equivalentes. Assim, o casal, enquanto um só e actuando em uníssono, pode optar pela inversão destes papéis, que em nada diminuiu qualquer dos elementos, desde que movidos por objectivos comuns e focados no Amor.”


 Dra. Joana Bento Rodrigues, médica ortopedista (artigo publicado no Observador)

Pensamento digno de uma época retrógrada e salazarenta, escrito em 2019, em pleno século XXI

João Apneia



sexta-feira, 1 de março de 2019



MURO DO FINGIMENTO



O meu muro do fingimento é usado quando tem que ser usado. Pode ser aplicado em múltiplas situações práticas do dia a dia. Confesso que muitas vezes e pela minha maneira de ser, é usado de formas diversas, ora porque o silêncio é confrangedor e é recomendável lançar um lugar comum ou o contrário, o ambiente é propício e o silêncio o melhor conselheiro. Também há ocasiões em que a pachorra é limitada e deixo de ser mesmo hipócrita para escândalo ou pouco à vontade dos presentes e aqui deixo de ser fingido.

Vem isto a propósito da época de carnaval que se avizinha em que tal muro é derrubado e  deixa de ser fingido, ninguém leva a mal e é propício à prática de actos pouco consentâneos com a moral e a prática da lei e da ordem (mas aqui sem exageros se não está o caldo entornado).
A minha experiência nesta mundanice é recente como já tive oportunidade de referir anteriormente e a ocasião faz o ladrão. A páginas tantas a folia entra-nos nos poros e no sangue, o alcoól é um exagero e acabamos por nos envolver com emoção e sem razão.

De sorte que a folia é de pouca dura, cai-se na real em pouco tempo, o tempo suficiente para a reconstrução do muro.  

Bons carnavais então...


João Folião


O UIVO DE MONTEJUNTO Porque resulta de interesse histórico e natural conhecimento, com a devida vénia se transcreve o texto infra . O Último...