quarta-feira, 14 de agosto de 2019



RESPEITINHO...



Li numa entrevista que Oceano, antigo jogador do Sporting e da Selecção Nacional, deu a um jornal, a propósito do respeitinho que devemos para com os mais velhos. Dizia ele, perguntado pelo jornalista:



« - Havia muito respeito pelos mais velhos, não era?



- Como te digo, era o Sr. Jordão, o Sr. Damas, o Sr. Zezinho, o Sr. Manuel Fernandes. É verdade que havia coisas que eram demais, mas agora, bem vistas as coisas, já não acho que fossem demais. Venho de uma cultura africana, diferente da europeia. O africano respeita o mais velho e nós vemos isso na tratamento aos nossos avós. Em África, o velho é sabedoria. Na Europa, o velho é entrave. Como quem diz ‘temos que arranjar um sítio para os meter, porque já não há paciência para os aturar’. No meu caso, como jogador do Almada, percebi isso do respeito aos mais velhos bem cedo. Quando subi dos júniores para o séniores e marquei aquele golo da vitória em Cuba, queria entrar no balneário e estavam lá três veteranos a falar entre si. Viram-me e disseram ‘ó miúdo, não vês que estamos aqui a conversar; quando acabarmos, a gente chama-te’. E eu lá fora, ao frio. Logicamente, quando chego ao Sporting, venho dessa formação. Agora esta malta nova já não é assim e qualquer miúdo de 16, 17 ou 18 anos chega ao balneário e nem diz nada. »
***
Tudo isto para constatar quão longínquos vão os tempos em que ainda havia respeito no tratamento para com os mais velhos, fossem os pais ou familiares ou quem quer que fosse. Hoje em dia, pelo contrário, ninguém se dá ao respeito, há falta de respeitabilidade. A grosseria para com o semelhante é corriqueira, a falta de formação e de berço é latente, sendo preocupação as gerações que um dia irão ficar à frente dos destinos da nação. Isso, aliás, já se faz notar na falta de nível como pessoas honradas e de bem dos nossos governantes. Grassa a corrupção moral, a falta de ética e o compadrio. À falta de valores o valor referência é o vil metal, almejando-se o poder pelo poder sem olhar a quem.
Para concluir ser tudo isto consequência da falta de investimento no país e nas pessoas, fundamentalmente na educação e na cultura. A tragédia é resultado que vemos...
Não está fácil e não se vê luz que nos leve a bom porto...

João Andarilho

terça-feira, 13 de agosto de 2019



HONRA (ou falta dela)


Quando numa determinada comunidade existe um conceito muito enraizado, ao longo de ancestrais gerações, da honra no seu sentido mais lato apesar da pobreza material (que não da pobreza da nobreza do carácter e humanidade), estamos falados.
Tudo isto a propósito da leitura de um conto de William Saroyan, inserido num pequeno livrinho de contos "Humorísticos" de vários outros autores, publicado pelo "Diário de Notícias"/"Jornal de Notícias" em Agosto de 2011 e editado pela "Rosto Editora, Lda", que gentilmente me foi ofertado pelo meu amigo JF, autor do blogue "Planando no Mundo Cão", com uma "desavergonhada" dedicatória que, "envergonhado", agradeço.


*
« O agricultor observou avidamente o cavalo.
- Bom dia, filhos dos meus amigos - disse ele. - Como se chama o vosso cavalo?
- Meu coração - disse o meu primo Mourad em arménio -
- Um belo nome - disse John Byro, - para um belo cavalo. Podia jurar que este é o cavalo que me foi roubado há muitas semanas atrás. Posso ver-lhe os dentes?
- Claro - disse Mourad.
O agricultor inspeccionou os dentes do cavalo.
- Dente por dente - disse ele. - Se não conhecesse os teus pais, podia jurar que este é o meu cavalo. A tua família é conhecida pela honestidade e eu sei disso. No entanto, este cavalo é o gémeo do meu cavalo. Um homem desconfiado acreditaria nos seus olhos e não no seu coração. Bom dia, meus jovens amigos.
- Bom dia, John Byro - disse o meu primo Mourad.
Cedo na manhã seguinte levámos o cavalo para a vinha de John Byro  e colocámo-lo no celeiro. Os cães seguiram-nos sem fazerem barulho.
- Os cães - sussurrei ao meu primo Mourad. - Pensei que iam ladrar.
- Ladrariam a outra pessoa - disse ele. - Tenho jeito para os cães.
O meu primo Mourad abraçou o cavalo, encostou o seu nariz ao nariz do cavalo, deu-lhe uma palmadinha e depois fomos embora. Nessa tarde John Byro foi a nossa casa na sua carroça e mostrou à minha mãe o cavalo que tinha sido roubado e devolvido.
- Não sei o que pensar - disse ele. - O cavalo está mais forte do que nunca. Melhor comportado, também. Agradeço a Deus.
O meu tio Khosgrove, que estava na sala de estar, irritou-se e gritou: - Cala-te, homem, cala-te. O teu cavalo voltou. Não faças caso.»


João Andarilho


WILLIAM SOROYAN (1908-1981)


Escritor americano influenciado pelos escritos do pai ainda com a idade de 3 anos. Autor de vários contos entre os  quais "O Ousado Rapaz do Trapézio Suspenso" ou da peça " "The Time of Your Live", que lhe valeu um Pulitzer, o qual recusou, por defender que o comércio não tinha o direito de julgar artes.
Sempre com bastante humor, dava um conselho aos jovens escritores: "Tenta aprender a respirar profundamente, a saborear realmente a comida quando comes e, quando dormes, a dormir realmente. Tenta, quanto te for possível, estar vivo com todas as tua forças e, quando te rires, ri-te como se não houvesse amanhã".
Um dia morreu com a idade de 72 anos. Certamente, lá onde está, não lhe faltarão ouvidos para os seu contos e conselhos de vida.

João Andarilho

segunda-feira, 5 de agosto de 2019




LET ME BE ME


gearjunkie.com


"Se estás disposto a sacrificar-te, fazendo o que os outros não, vais acostumar-te a ter pouca companhia..."

Peristilo do Palácio Diocleciano, Património Mundial da Unesco desde 1979, Split.


João Karnazes








domingo, 4 de agosto de 2019



MARY J.


E então fui ouvir Freddy Locks e a sua banda à Praia da Areia Branca nos "Sons na Areia", festival estival patrocinado pela Antena 3.


Cheguei já o Freddy  cantava há algum tempo mas ainda deu para me deliciar com alguns temas do seu mais recente trabalho, "Overstand". As letras são muito simples mas vêm ao encontro do que a vida devia ser: viver o presente, porque o passado e o futuro não existem, mas sempre crítico do rumo deste mundo e desta sociedade escravizada pelo capitalismo  e de cujas grilhetas nos devemos livrar, transmitindo a mensagem de que devemos lutar para que sejamos livres destes constrangimentos que nos são impostos. Então a música é uma arma e é através dela e das mensagens das suas letras que Freddy propõe um mundo melhor, mais humano apelando a que as pessoas tenham também consciência de que a Terra, a nave em que vivemos, está em perigo, sendo nosso dever fazer o contrário do que temos feito, para a preservar. Não advogando que a juventude se meta em vícios de que o tabaco é um exemplo, deu exemplo da contradição que é a proibição do consumo da canabis e da marijuana (Mary J.) e o consumo e a publicidade ao consumo de bebidas alcoólicas, advogando a sua descriminalização.



Este lisboeta fez parte de uma geração que fez história na cena punk-rock  portuguesa, como era o caso dos Censurados, Ku de Judas, os Tara Perdida ou os Dalai Lume, bandas originárias do mesmo bairro onde nasceu, o bairro de Alvalade. Depois de muitas experiências musicais e de andarilho por este país fora e também em Espanha, acaba por se converter à música reggae em 1997 e a Antena 3 dá-lhe uma mãozinha promovendo o seu álbum "Bring Up The Feeling", cujo single com o mesmo nome foi um sucesso.
Da sua discografia fazem parte os álbuns "Bring up the Feeling", "Seek Your Truth", "Rootstation" e "Overstand".

Festival "Sons na Areia", bons momentos musicais, festival  a não perder.

Por fim e como cereja no topo do bolo o álbum "Seek you Truth" autografado pelo próprio, o que me deixou deveras encantado.

Thanks Bro.



João J.

sexta-feira, 2 de agosto de 2019



ZECA

Faria hoje 90 anos de idade.
À tua Zeca!

https://youtu.be/fSyg_dETC-Q

João Cantautor


AGOSTO


Mês de férias por excelência, embora cada vez menos, mês de calor mas também cada vez mais irregular.
Deve o seu nome ao primeiro imperador romano, Augustus e tem 31 dias porque assim decidiu o senado, retirando um dia a Fevereiro, que ficou pelos 29 dias. Porquê? Porque, para não ficar com menos dias que Julho, mês dedicado a Júlio César, foi tomada essa decisão de igualizar o número de dias em ambos os meses.
Junto imagem de um sestércio de Augusto, encontrado em 2005, em escavações arqueológicas realizadas em Braga.


Museu de Arqueologia D. Diogo D. Sousa

João Andarilho

O UIVO DE MONTEJUNTO Porque resulta de interesse histórico e natural conhecimento, com a devida vénia se transcreve o texto infra . O Último...