quarta-feira, 29 de setembro de 2021

 

DESTINOS


    Encontrou-me, sem oriente, na Estação do Oriente, necessitado de Norte. Num inglês sofrível foi entabulada conversa e definidos caminhos. Setúbal era o seu destino. Encaminhei-o para Sul. Era do Sul, de Argel no Norte da África. Foi-lhe dado de nome: Kedir. Terá encontrado o Sado?

Créditos do autor

João Andarilho


terça-feira, 28 de setembro de 2021

 

AMANHECIMENTOS


    Hoje amanheci com cara de Segunda. Não por acaso, neste dia de Outono nasciturno, palmilhei por sobre nuvens de mariposas desfalecidas dos ramos dos Plátanos adjacentes, num Monet retardado. O banco de pau do jardim é a casa daquele preto errático, saco de pancada. Quem se importa! O Medina não! O Costa não! A Garota Não, Sim! Pôrra de vida!






João Andarilho

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

 

PRIMEIRA REFLEXÃO


    ... que me deixa a eleição. Tomando como exemplo a capital do reino, direi que não importa a cor da cobra, porque o veneno é o mesmo. A luta pelos nossos ideais faz todo o sentido e cada vez mais num mundo cinzento e sem sentido.



João Andarilho



domingo, 26 de setembro de 2021


O VOTO


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João Andarilho 

 


JAZZ NUMA NOITE DE OUTONO


 Quando as cigarras se calam começa uma outra noite. E assim começou a noite, tão espessa que nenhum sonho ousou entrar e perturbar uma improvisação de metais, palhetas e bateria e a magia do quarteto de saxofones e dos três saxofones de João Cabrita (um Alto, um Tenor e um Barítono), das teclas e da guitarra de João Rato (que Rato fabuloso) e do fantástico da bateria, de que agora me não recorda o nome, (merda...!). Foi um tempo de revisitação de temas do seu "Cabrita" e  de nos fazer água na boca tocando novos temas em preparação. Quando alguém lhe pergunta "o que é que tu és?" simplesmente responde: "sou um saxofonista". E é, dos bons, daqueles encantadores de gente, gente feliz com lágrimas. Esta noite, na mítica Sala de Torres Vedras, no Bang Venue, caíram lágrimas, choveram pérolas...










João Andarilho (com um brilhosinho nos olhos)

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

 


O SONHO


A 10 anos de distância vejo-me viajando no meu DronoCar (se calhar não, pois já não terei direito à revalidação da licença de condução do boguinhas de 4 rodas) evitando, assim, ainda alguma improvável fila nos asfaltos. Do alto da minha nave, seguindo pelo corredor aéreo legalmente definido, olhando a bombordo, sorrio à vista de alguns AgriDrono levitando, de Norte para Sul de Este para Oeste, no processo de fertilização de campos agrícolas a perder de vista. Das altura, ainda me é possível constatar, nos corredores destinados, à variedade de CargoDrones dirigindo-se à multiplicidade de destinos das suas cargas. Distraído, nem me dou conta dos DronoCars que me antecedem e que, não fora a condução totalmente automática e autonomizada do meu calhambeque, haveria a certeza de choque rodoviário. Prosseguindo viagem, rapidamente parqueio na garagem da minha residência a tempo de recepcionar o "take away" de Muamba de galinha antecipadamente encomendado e que me foi entregue pelo CargoDrone "Bom Garfo Lourim". Após fausto repasto e abençoada sesta, decido, com um estalar de dedos ter acesso à visualização da última obra de Quentin Tarantino, completamente remasterizada, no meu VisionvirtualSpace Trinitron, em 3 dimensões, que me deixa completamente absorto e íntimo dos seus intérpretes. De repente, ribombeia um trovão e começa a nuviscar. O céu rasga-se como um pano velho e acordo despedaçado. Tudo não tinha passado de um sonho, ainda...


Retirado da Internet

João Andarilho


quarta-feira, 22 de setembro de 2021

 

CONSCIÊNCIA


 A propósito da Consciência vivemos num tempo em que há muito falta dela. O mundo ocidental, os seus valores  globalmente disseminados nos quatro quadrantes do Planeta, raras são as excepções, é dominado pelo poder económico que domina o poder político, dominante da Justiça, da Educação e da Saúde, absurdamente monopolizador dos meios de comunicação, asfixiante, compressor, manipulador e formatador da Consciência, redutor. Uma democracia ajoelhada perante interesses de oligarquias poderosas onde o menor denominador comum somos todos nós que, inconscientes da nossa falta de Consciência, eleição após eleição, volta a colocar, no altar do poder, os comissários dessas oligarquias do vil metal. Creio, porém, no dia em que, finalmente libertos da cegueira e derrubado o monstro que parimos, possamos construir um mundo das pessoas para as pessoas, um mundo solidário, humano e equalitário, sem classes. Até lá, consciente, continuarei a lutar por aquilo que, hoje, ainda é irreal.



João Andarilho



  O PALITAR DA VIDA   Como os dentes devemos palitar a vida todos os dias. Sou do tempo em que não havia modernices ao estilo do fio den...