quinta-feira, 20 de dezembro de 2018



        ODEITH



            A maioria de nós não gosta particularmente de  insectos; Aliás muitas vezes  tentamos eliminá-los de nossos jardins.
Apesar de tudo os insectos são criaturas incríveis. O artista de rua português, Odeith,  dá-lhes um toque realista na pintura dos seus murais, com uma abordagem muito própria em que a pintura à primeira vista retorcida, assume um contorno realista se dermos um passo correcto para a frente ou lateralmente.


        Odeith tem feito arte de rua desde a década de 1980, e é um dos pioneiros da rua anamórfico 3D desde meados da década de 2000. Ganhou reconhecimento internacional  através da sua técnica experimental, que às vezes envolve a pintura destas imagens de ilusão óptica em superfícies ou cantos angulares diferentes.
         O seu  trabalho  releva o seu  fascínio pelos insectos, como ele nos diz:
        "Eu sempre fui fascinado por  essas pequenas criaturas por causa das cores, formas e acho que é engraçado  pintá-las num tamanho maior."


     O senso de humor de Odeith brilha na forma como ele retracta essas criaturas; às vezes elas são criadas para serem olhadas como ameaças emergentes do escuro, de cantos esquecidos da cidade, outras vezes, parecem ser como gigantes suaves na paisagem. Embora Odeith diga que algumas de suas obras são “puro entretenimento”, outras obras carregam uma mensagem séria sobre o consumismo e a pobreza.
        Os insectos não costumam ser relevantes no nosso dia a dia, pequenos como são. Mas ao ampliá-los e colocá-los na frente e no centro de forma tão colorida, o seu  trabalho  faz-nos  lembrar que os insectos são parte integrante de nossas vidas. 
     Para ver mais, visite Odeith, no Facebook, Twitter e Instagram.

                João Cavalete

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018



QUANTAS VOGAIS TEM A LÍNGUA PORTUGUESA?

A nossa língua está em permanente evolução, fruto da forma de falar ao longo do tempo podendo levar  à alteração da sua grafia. Poderá, também, ser influenciada por idiomas estrangeiros. Temos o exemplo das letras "K", "W" e "Y", adicionadas ao nosso alfabeto.

Estas letras também têm de obedecer às regras gerais que caracterizam consoantes e vogais. A consoante é um fonema pronunciado com a interrupção do ar feita por dentes, língua ou lábios. A vogal é um fonema pronunciado com a passagem livre do ar pela boca. Outra distinção entre os dois grupos de letras recai sobre a pronúncia: a consoante precisa de uma vogal para formar sílabas e ser pronunciada e a vogal, não. Ela se basta.

Obedecendo a essas regras, o "Y" é uma vogal uma vez que foi traduzido do alfabeto grego como "I" e mantém esse som nas palavras em que é usado, como ioga. Quando aportuguesada, a palavra originalmente grafada  com "Y" passa a ser grafa com "I" - como em iene, moeda japonesa. O "K" corresponde, em português, ao som do "C" ou "Q" - como vemos em Kuwait - , sendo considerado consoante. Já o "W" deve ser empregado de acordo com a sua pronúncia na língua original, isto é, ora com som de "V", quando proveniente do alemão (como Wagner), ora com som de "U", quando de origem inglesa (caso de web). Sendo assim, a letra "W" é considerada consoante ou vogal, conforme o uso.

Será que se pode escrever a palavra Ferreira com "Y", ficando Ferreyra, ou Vasco, por Wasco, ou ainda Marília por Marylia?

A nossa língua, como outra qualquer, está em permanente evolução e ainda bem. Não são necessários acordos ortográficos à boleia de pressões estranhas ao seu desenvolvimento como está acontecendo.



Viva o Português!

João Linguísta



               

terça-feira, 18 de dezembro de 2018




MARIA DA FONTE


Já ouviram falar? Será que sabem o que foi a Maria da Fonte?

Hoje olhei para a minha folha do ordenado do corrente mês. Obviamente o olhar, num ápice, deslizou para o canto inferior direito e poisou directamente na quadrícula daquilo que vou receber, a parte líquida que é o que sobra do que me foi gamado. Abri os olhos de espanto, pois achei o montante mais magrinho do que estava habituado. Mais espantado fiquei porque estava à espera de encontrar uma coisita mais gordita em virtude da subida de escalão (finalmente, após 9 anos e não sei quantos meses de congelamento nas progressões!). Qual a explicação para o meu espanto: com o aumento de escalão mudei de escalão em sede de IRS (acho que é assim que se diz), tendo-me sido retido o valor correspondente à taxa de retenção da Tabela do IRS, que, entretanto, não foi nem vai ser actualizada para 2019, conforme proposta de Partido Comunista Português e rejeitada pelo chamado arco da (des)governação conhecido por Partido Socialista, Partido Social Democrata e Centro Democrático Social. Resultado, fiquei com a parte líquida reduzida em cerca de € 22,00, portanto, mais pobre neste valor e o Estado engordou com a minha cara de espanto. Perceberam? Teoricamente era preferível ter-me mantido no escalão de 2009.

O que é que isto tem a ver com Maria da Fonte? A chamada revolta da Maria da Fonte teve como rastilho o aumento das exigências fiscais, o recenseamento da propriedade e a elaboração de matrizes prediais, a que o povo chamava de « papeletas da ladroeira », uma vez que a forma típica do capitalismo de concentrar propriedade é estrangular as classes médias e populares com registos e impostos. Tudo numa época em que tinham sido "vendidos ao desbarato os bens nacionais, as propriedade públicas, da Igreja, baldios etc. nacionalizados e incorporados no Estado e depois  transferidos para o domínio privado por meio de venda ou de remissão em hasta pública ", como diz o historiador António Martins da Silva. 

Será que o leitor já viu esta sequência na nossa vida quotidiana? É muito semelhante, primeiro o estado abocanha os bens públicos para numa segunda fase os privatizar.


A revolta começou em Fonte Arcada e propagou-se a todo o Minho, segundo a historiadora Raquel Varela, " com assaltos do povo às juntas de freguesia, apedrejadas e atacadas com todas as armas que havia à mão: foices, roçadoras, alavancas, chuços, espingardas. Em poucas semanas, propagou-se do Minho a Trás-os-Montes, Estremadura e Beira. Já não era uma revolução de Marias da Fonte Arcada: o povo tomava as aldeias e vilas e fazia juntas revolucionárias, que ameaçavam estender-se a cidades como Porto e Santarém. Os revolucionários são então definidos como violentos, ladrões e assassinos ou «beatas fanatizadas pelos apostólicos». Quem nela participou chamou-lhe « a revolução mais gloriosa da Nação portuguesa ». Na sequência do levantamento popular, o governo de Costa Cabral (imortalizado na canção de Zeca Afonso «o Cabral fugiu para Espanha»), teve de fugir mesmo porque o povo não cedeu àquilo que era seu.
A revolta transformou-se numa revolução - a Patuleia -, com guerra civil. Foi aproveitada pela Igreja e sectores reaccionários - porque eram as únicas direcções que existiam - mas não deixou de ser uma revolta popular contra a expropriação das terras comunais e públicas. Para derrotar o povo, o governo português pediu a intervenção dos exércitos ingleses e espanhóis, que em 1847 invadiram o país, por mar (ingleses) e por terra (espanhóis). Quem ganhou foram, entre outros, burgueses como o Duque de Palmela, que compraram todas as terras ao preço da chuva. Hoje, aliás, os seus descendentes estão entre os maiores latifundiários do país - pensa-se mesmo que os maiores - detendo milhares de hectares no Alentejo, Arrábida e Ribatejo e dezenas de palácios em Lisboa, na Baixa, no Lumiar entre muitas outras propriedades.
« Papeletas da ladroeira ». Havia gente séria lá no Minho. […] Quero ir lá e não ter que pagar portagem ao Marquês de Amorim ou ao conde de Champalimaud, mesmo que seja um eurozito, ali à entrada de Viana. Já dizia o velho provérbio popular do século XIX, quando mercenários, criminosos fugidos, contrabandistas, pegaram em espadas para ficar com os bens nacionais e aí foi-lhes dada terra roubada e um título que vigora até hoje na Quinta da Marinha, século em que se começaram a formar os grandes grupos económicos, famílias de « grande tradição e história »: « Foge cão, que te fazem barão! Para onde, se me fazem visconde? » "

Hoje mesmo, o povo começa a estar farto desta gente « É fartar Vilanagem ». O povo mexeu-se em França, está a mexer-se noutros países europeus. O roubo, o saque é pornográfico. Os salários minguam, os impostos dobram-nos a espinha, mas a dignidade ninguém a tira. Antes era a Maria da Fonte, hoje são os coletes amarelos, somos todos nós, os espezinhados.
Hoje vi com espanto a minha folha do ordenado!

João Metalúrgico.


domingo, 16 de dezembro de 2018


19 Meses

"O projecto de desenvolvimento  do pós 1975 (A Europa Connosco) - modelo de pauperização relativa em que lucros e salários cresciam juntos, ou seja, os ricos ficavam mais ricos, mas os pobres ficavam menos pobres, a essência do projecto social democrata - ruiu, como antes ruia o projecto estado-novista, como tinha colapsado o projecto republicano. A modernização progressista de Portugal foi um fracasso e vingou a modernização pelo atraso. (Dêem-me uma guerra e farei o PIB crescer!). Destruir campos  fechar fábricas, eliminar capacidade produtiva, desinvestir em formação de força de trabalho e ciência, incentivar a emigração forçada... O modelo do retrocesso predomina nas opções políticas de quem tem estado ao leme dos destinos do país - do trabalho forçado dos anos 50 ao salário mínimo de 2014, são estas as pontas de um modelo de acumulação que disputa um só terreno, o do trabalho barato, incompatível com o desenvolvimento da riqueza e bem-estar da população.

Na verdade, o único projecto político bem sucedido em Portugal do ponto de vista de ampliar o acesso ao bem-estar - dar mais a mais pessoas - foi o projecto revolucionário de 1974-1975, que assentou não num equilíbrio entre classes sociais e fracções de classes sociais, mas justamente no seu oposto, num conflito, que teve como polo central a democracia de base. Nunca tanta gente decidiu tanto em Portugal como no período de 1974-1975 e o que saiu desses dezanove meses foi a assumpção de um mínimo social civilizacional - o direito ao emprego e o Estado social - e chegou pela mão da confrontação real de projectos políticos realmente alternativos. 
[...] Não se evitou a decadência económica do país, mas produziu-se uma maciça proletarização, urbanização e educação da esmagadora maioria da população que, aliadas às conquistas da revolução, sobretudo o Estado social, podem ser a força social capaz de fazer emergir uma ideia e bem-estar para a população. 

Raquel Varela em “ Para onde vai Portugal? ".


João Metalúrgico 

sábado, 15 de dezembro de 2018



Lisboa, Setúbal, Leixões

Qual a ligação. Uma também: ESTIVADORES/SINDICALISMO.

"Queremos mais pessoas a trabalhar connosco, mas queremos que tenham os mesmos direitos"

Durante dois anos os estivadores de Lisboa estiveram em greve, não para eles próprios ou por eles, mas para os outros e pelos outros.  "Não exigiram nada para si, mas para os outros o mínimo do aceitável. Quem quer que trabalhasse no Porto de Lisboa tinha de trabalhar como os mesmos direitos dos que já lá estavam. Perceberam a tempo que a precariedade dos mais novos seria uma pressão a curto prazo sobre eles próprios." Era este o lema destes homens, o verdadeiro espírito do sindicalista, da classe. Sem dúvida que este sentimento terá de ser o ADN de qualquer movimento sindical. Ou se ganham e exigem direitos ou o sindicato não serve para nada. 
As provas a que foram sujeitos os estivadores durante este período de greve foram duríssimas e vergonhosas, sofreram pressões de todo o tipo desde gente responsável neste país à boleia de uma comunicação social amancebada e castrada (lembro-me perfeitamente de comentários raivosos, espumosos de comentadeiros ligados ao regime, nomeadamente o omnipresente Sousa Tavares). 


Em resposta, os trabalhadores responderam magistralmente.  "Trabalhamos, mas assim que entrar por esta porta um trabalhador precário paramos, de tal forma que durante os meses que estiveram em greve, só pararam um dia!"
Em conclusão e em resultado de uma união como se não via há quarenta anos desta "democracia", os estivadores do porto de Lisboa venceram. Venceram em quê? Em dignidade e na obtenção de direitos e garantias! "Em 4 de Fevereiro de 2014 chegou a novidade de,  depois de anos de derrotas em dezenas de sectores, uma greve terminava com os estivadores a ganharem mais do que quando ele começou. O sindicato dos estivadores saiu desta guerra com os dois braços e uma camisola nova. 47 trabalhadores despedidos foram reintegrados, alguns em melhores condições do que estavam antes (eram precários há 6 anos e passaram a um contrato sem termo) e abriu-se espaço à formação qualificada de 20 novos trabalhadores."
 O objectivo da entidade patronal e do Estado era o "desmantelamento de um quadro estável de trabalhadores" e a união conseguiu reverter essa fatalidade e garantir melhores direitos. Têm sido estas lutas na estiva casos raros de vitórias e conquistas de direitos num quadro de crise do sindicalismo em Portugal e na Europa, como mais uma vez se verificou no caso recente da estiva em Setúbal.

A União faz a Força e só assim reconquistamos o que nos tem sido roubado desde a revolução do 25 de Abril, entre eles o Direito ao Trabalho e o direito a um salário compatível.

UNIDOS SEMPRE VENCEREMOS!

Fonte Raquel Varela em "Para onde vai Portugal"

João Metalúrgico




sexta-feira, 14 de dezembro de 2018



                 Boas Festas.


                 Chegámos à época Natalícia e ao momento em que quase todos desejam Festas Felizes e Feliz Natal ao seu semelhante, ainda que a manifestação de tais sentimentos na grande maioria, não passe de um gesto inconsequente, inócuo porque o que realmente desejam não o sentem verdadeiramente quando o formulam. É a chamada hipocrisia do que sim, porque é costume, porque fica bem.
           Durante o resto do ano cortam na casaca uns dos autros, julgam e criticam sem se mirarem bem ao espelho, porque sim, porque a inveja e a mesquinhez são uma manifestação de gente mal formada e a ignorância não é uma doença quando manifestam despudoradamente facetas racistas e xenófobas para com o próximo.

          Assim, e porque é tradição da época e porque esta época são dias exactamente iguais aos dias das outras épocas do ano, a todos os meus familiares, amigos e conhecidos um Feliz Natal, cheio de propriedades e Festas Felizes e, já agora, questionem-se sobre o que verdadeiramnete  se comemora ou deveria comemorar nesta época Natalícia.



                     João Sátiro

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018



Van the Man


Sir George Ivan Morrison, nascido em 1945. Conheço este old buddy desde os tempos da adolescência. Porém, só muito recentemente me foi dado descobrir o génio deste irlandês multi-instrumentista. Tem uma voz úníca e uma energia que sai cantada do mais profundo do seu ser. A sua alma salta para aquilo que cria e um dos exemplos é o Álbum "T.B.Sheets" e o single com o mesmo nome, cuja audição arrepia. 
Criador nunca conformado nem comercialmente motividado, Morrison deu a conhecer ao mundo o Soul da sua Irlanda do Norte.



Actualmente é um dos criadores de boa música que mais tenho prazer de ouvir e sempre descubro com as letras e música deste jurássico da música, influenciado pelo Jazz, R&B e música celta.
Daí estar eternamente agradecido ao meu particular amigo J.C. por me transmitir a força do cantor e aquilo que ele representa para a cultura musical.

João Soneto

O UIVO DE MONTEJUNTO Porque resulta de interesse histórico e natural conhecimento, com a devida vénia se transcreve o texto infra . O Último...