sábado, 20 de junho de 2020






"CAMÕES CHORA POR SARAMAGO"


             Saramago foi Saramago porque o Sr. funcionário do Registo Civil da Golegã, por altura do seu registo, se ter equivocado e, em vez do apelido familiar, lhe ter atribuído a alcunha familiar! Aliás, esta alcunha porque eram conhecidos os Saramago tem a ver com a herbácea expontânea cujas folhas eram usadas como alimento pelas pessoas de condição humilde na região onde nasceu.
Muito penou o nosso Nobel até atingir este estatuto. Para garantia do seu sustento, exerceu a profissão de serralheiro mecânico, numa oficina de reparação de automóveis e chegou a ser tradutor. Curiosamente e em contraste com sua obra, só muito tarde, por volta dos 47 anos de idade, viajou pela primeira vez (Paris foi o destino). 
             Exilado em Lanzarote por opção, ali viveu até à sua morte com a sua companheira Pilar Del Rio.   Como companhia tinha três cães: Pepe, Greta e Camões e este último assim chamado porque apareceu na altura em que foi declarado vencedor do Prémio Camões em 1995. Aliás, sobre isso, Pilar recorda: “E assim, pelo menos em Lanzarote, Camões foi mencionado centenas de vezes por dia, foi vida e foi homenagem.” 
               Por altura da sua morte um amigo do casal dedicou-lhe uma coluna jornalística intitulada "CAMÕES CHORA POR SARAMAGO".

Chorou Camões, chorou Pessoa, chorou e chora a Pátria, a Língua Portuguesa!

Fonte: blogue Somos Livros

João Andarilho

quinta-feira, 18 de junho de 2020




SARAMAGO

        Passam hoje dez anos do desaparecimento físico do Nobel da Língua Portuguesa, a nossa Pátria, José Saramago. Faleceu em Tias, nas Ilhas Canárias, para onde o levou o azedume ao execrável ex: primeiro-ministro Cavaco Silva.


João Andarilho



PUTÉFIOS


         Fez ontem 20 anos (17-06-1992) que foi atribuído ao Nobel da Literatura, José Saramago, o prémio da Associação Portuguesa de Escritores ao seu romance “ O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, obra notável, vetada pelo espírito censório e iliteracia do Governo de Cavaco Silva, através do beato subsecretário de Estado, Sousa Lara, para o Prémio Literário Europeu de 1992;

João Andarilho

domingo, 14 de junho de 2020




PADRE ANTÓNIO VIEIRA


A primeira cousa que me desedifica, peixes, de vós,
é que vos comeis uns aos outros.
Grande escândalo é este, mas a circunstância o faz ainda maior.
Não só vos comeis uns aos outros,
senão que os grandes comem os pequenos.
Se fora pelo contrário, era menos mal.
Se os pequenos comeram os grandes,
Bastara um grande para muitos pequenos;
mas como os grandes comem os pequenos,
não bastam cem pequenos, nem mil, para um só grande.

 Sermão de S. António aos peixes,
(S. Luis do Maranhão, Brasil, Junho de 1654)

sábado, 13 de junho de 2020



ÁLVARO CUNHAL


          Mês carregado de homenagem a portugueses ilustres falecidos. Hoje, 13 de Junho de 2020, passam 15 anos da morte física de Álvaro Cunhal, figura proeminente da luta contra o regime deposto em 25 de Abril de 1974, secretário-geral do Partido Comunista Português.




João Andarilho



NOITES DE SANTO ANTÓNIO

          Um portuense de gema que se identificou magistralmente com os fregueses de Lisboa, suas freguesias e com as festas da cidade, compondo esta música e letra dedicadas ao Santo António, de uma forma absolutamente genial. Ora, acompanhem lá a música popularucha, os seus instrumentos e o rendilhado da letra que mistura as freguesias de Lisboa, laçando-as umas com outras numa harmonia absolutamente espantosa! ENORME ZÉ MÁRIO!


https://youtu.be/9ijut3EnfWU

QUAL É A TUA Ó MEU

José Mário Branco

(Refrão)
Qual é a tua, ó meu?
Andares a dizer "quem manda aqui sou eu"?
Qual é a tua, ó meu?
Nesse peditório o pessoal já deu.

Com trinta por uma linha
Esburacaste a Liberdade
E a Alegria
É só puxar a Pontinha
Cai o Carmo e a Trindade
No mesmo dia

Com tanta Ladra no mundo
O teu Rato andava à caça
de Sapadores
Quanto mais a dor Dafundo
Menos a gente acha Graça
Aos ditadores

(Refrão)

O Intendente semeou
O Desterro e o Calvário
Sem nenhum dó
Mas Santa Justa acordou
Porque a Voz do Operário
Não Fala-Só

Pedes Ajuda e Mercês
Mas só Palhavã vais pondo
No nosso prato
Engarrafa-se o Marquês
E cai o Conde Redondo
Mais o Beato

(Refrão)

Sem Socorro, ardeu-te a tenda
E tu ficas Entrecampos
A ver se escapas
Mas como não tens Emenda
Vais com Baixa de sarampo
Para a Buraca

Não é possível meter
Águas Livres numa Bica,
Como tu queres
Quem pensa assim, podes crer,
Campo Grande onde Benfica
É nos Prazeres

(Refrão)



Autoria da letra:
José Mário Branco
Manuela de Freitas
Autoria da música:
José Mário Branco
Instrumentação:
Baixo eléctrico; bateria; bombo; polymoog; banjo; flautim; coro.
Data:
1982
Tipo de suporte original:
Vinil
Álbum:
Ser solidário


(Fonte CESEM - Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical)


sexta-feira, 12 de junho de 2020





SANT´ANTONINHO


     Estamos na semana das Festas Populares de Lisboa, vibremos com isso, extravasemos alegrias em meio de tempos pandémicos. Viva Santo António de Lisboa, viva Lisboa, vivam os lisboetas e seus habitantes! 
           

José Mário Branco

https://youtu.be/gGFYd3nlvX4

Meu sant´antoninho
Onde te hei-de pôr
Deixa-me limpar o pó
Meu sant´antoninho
Dou-te o meu amor
Com chazinho e pão-de-ló

Deixa a vovó apertar o nó [bis]

Pra voar mais vale ter uma na mão
E um cheirinho a naftalina no salão
E a filha do juiz
Põe pozinho no nariz
E sapatos de verniz
Pra ir à comunhão

Meu sant´antoninho
Onde te hei-de pôr
Fica do lado de cá
Meu sant´antoninho
Meu senhor doutor
Assina-me um alvará

Com a caneta do teu papá [bis]

Foi a guerra que me deu a ilusão
De subir quando caí no alçapão
E a madrinha do polícia
Pisca o lho com malícia
Pra tentar canonizar
Os pretos do japão

Meu sant´antoninho
Onde te hei-de pôr
Para me lembrar de ti
Meu sant´antoninho
Dá-me o teu tambor
E um lencinho de organdi

E uma medalha para pôr aqui [bis]

Eu a pôr flores de papel no teu jarrão
E o comboio a apitar na estação
Já não o posso apanhar
Fico aqui a descansar
Meditando no mistério
Da incarnação


Autoria da letra:
José Mário Branco
Autoria da música:
José Mário Branco
Instrumentação:
Piano; flauta baixo; flauta tenor; flauta alto; cromorne.
Data:
1972
Tipo de suporte original:
Vinil
Álbum:
Margem de certa maneira

(Fonte: CESEM - Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical)

        Mas, caríssimos, lamento desapontar-vos, esta canção nada tem a ver com as Festas de Santo António. A letra, carregada de ironia tinha a ver com o senhor António, aquele que até 1970 governou o país com mão de ferro. Nela pode entre-ler-se a crítica ao senhor presidente do conselho, ao seu regime corrupto, à miséria intelectual e ao seu povosinho. Só assim conseguia passar pelo crivo da censura.

       Por, isso, virado o disco, de novo um grande viva ao Santo António, padroeiro da nossa cidade de Lisboa.

João Andarilho







O UIVO DE MONTEJUNTO Porque resulta de interesse histórico e natural conhecimento, com a devida vénia se transcreve o texto infra . O Último...