MARIA BONITA
Tinha a certeza que ela andava por ali, pairando no ar, enquanto degustava o "burguer" costumeiro acompanhado daquela loira estupidamente gelada. Naquele ponto de encontro habitual, epílogo de mais uma noite de boémia musical, enganava-se o estômago, martelavam-se conversas despiam-se sentimentos confusos. Mas era assim que devia ser, antecipadamente sabíamos que assim seria. A Roullote era um abrigo, era um porto seguro, acabava por ser terra firme numa noite de timbres e guitarradas e alguma boémia bem passada. Maria Bonita de seu nome, era ela que nos amparava, era ela que nos sorria.
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| Cópia colorizada extraída da internet |
Nascida em 17 de Janeiro de 1910, Maria Gomes de Oliveira, aliás, Maria Bonita é uma figura que faz parte do acervo histórico nordestino, tendo-se tornando a cangaceira mais famosa do Brasil, exactamente por ter desposado o canganceiro número um conhecido por Lampião. O Cagonceiro era uma espécie de Robin dos Bosques que roubava os ricos, nomeadamente os coronéis e protegia os pobres. Porém, era perseguido por um sem número de actos cruéis praticados sobre as suas vítimas. Maria Bonita e Lampião, acabaram mortos numa emboscada em 1928, perdendo, ambos, literalmente as suas cabeças após serem decapitados. Macabramente foram expostas ao público até aos anos 60 do século passado.
João Andarilho