quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019





ALMAS MORTAS - Nicolai Gógol Na antiga Rússia dos Czares, os camponeses eram considerados uma mercadoria e uma mais-valia para os senhores seus donos e para os bancos. Eram vendidos e comprados e os proprietários, os senhores, pagavam uma taxa por cada homem adulto. Havia censos a cada dez anos e o valor da taxa a pagar mantinha-se em caso de morte do camponês até à realização do próximo censo (só nessa altura eram registados como mortos). Quer isto dizer que o proprietário do camponês, em caso de morte do seu servo, teria de continuar a pagar a taxa até à realização do censo apesar de já não poder usar a sua mão de obra. Disso se aproveitou Pavel Ivanovich Tchitchikov, que se apresentou numa cidade provinciana com o intuito de comprar aos senhores das terras as "almas mortas" - servos da plebe já falecidos mas que ainda constavam das listas dos censos como vivos.  O proprietário ficava feliz por se libertar do imposto e Tchitchikov igualmente feliz e com uma quantidade de servos que, para todos os efeitos, estavam vivos e recenseados e tinham um valor na banca. Com todos estes contratos de propriedade de servos, pedia empréstimos aos bancos, os quais lhe emprestavam dinheiro que ele utilizava para comprar camponeses vivos.
 

Assim, concluindo, "Almas Mortas" de Gógol, é uma sátira à mediocridade humana  e uma crítica implacável à Rússia Cazarista

Tchitchikoves há muitos e cada vez mais. O mundo é dos espertos e dos charlatões. No fundo, passamos muito por sermos almas mortas e gente feliz com lágrimas. João Bertrand

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019




CIRCULAR É … VIVER?



Numa sessão pública de esclarecimento realizada em Lisboa, na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, no Bairro de Telheiras, organizada pela CDU, a abarrotar, em que estiveram presentes como oradores, deputados à AR e ao Parlamento Europeu (João Ferreira) pela coligação e em que estava em discussão a  implementação da chamada linha circular do metro de Lisboa, foi feita uma análise crítica à opção política do governo, a ser aplicada pela administração do metropolitano. 



Da validade dessa opção só conhecia as parangonas da comunicação social dando voz aos padrinhos do projecto, o que era muito pouco ou nada para formar uma opinião.
Assim, desta audição e com as intervenções ricas e esclarecedoras da plateia e, também, nomeadamente de técnicos e engenheiros do metropolitano, entretanto já reformados, foi possível ser esclarecido e não ter ficado com dúvidas do enorme desperdício de dinheiros públicos que vai ser levado a cabo e o mais espantoso é que os utentes vão ficar prejudicados ao invés de serem beneficiados.
A chamada linha circular que vai engolir parte da linha amarela, desde já vai provocar que os utentes (cerca de 18 milhões de viagens) vindos da Zona Norte de Lisboa (Odivelas, Loures, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras, Cadaval, etc.), ao tomarem a linha amarela em Odivelas, obrigatoriamente terão que fazer um transbordo no Campo Grande para se dirigirem para o centro da cidade. A perspectiva, assim, é que mais carros entrem na cidade.
O prolongamento da linha circular até ao Cais do Sodré, pela Estrela, linha subterrânea, (onde esta estação vai atingir uma profundidade de mais de 60 m), é um erro caro que se vai pagar caro. A alternativa mais barata seria prolongar a linha vermelha até Alcântara, proporcionado um rápido escoamento dos utentes da linha de Cascais directamente ao centro da cidade, sem haver necessidade de construção de mais uma estação no Cais do Sodré, congestionado aquela zona da cidade.
O adiamento ad eternum da ligação para ocidente da cidade e do prolongamento para Loures da linha que vai para Odivelas é, mais uma vez, frustrante para as espectativas dos lisboetas. O mais grave é que vão ser desbaratados recursos na criação da tal linha, que vai estabelecer uma descriminação do espaço da cidade, criando uma zona rica (beneficiando o turismo e a especulação imobiliária) e uma zona desfavorecida e menos intervencionada em termos de investimento público. Deixando de haver mais recursos financeiros, pelo menos até aos anos 30, para novos investimentos na rede.



É necessário que as pessoas sejam sensibilizadas para o enorme disparate que se vai fazer, lutando para que esta decisão política do governo faça marcha atrás, antes que seja tarde.

Sem luta nada conseguimos.

João Obrero




terça-feira, 5 de fevereiro de 2019




DOENÇAS DA CIVILIZAÇÃO


Hoje em dia atribui-se a certas doenças o nome de doenças da civilização. Acho, não, tenho a certeza que não são doenças da civilização, que são doenças da barbárie provocadas pela sofreguidão do ritmo de vida, pela poluição sonora e ambiental, pela alimentação enlatada e processada.

Os químicos mon Dieu, os pornográficos lucros da indústria farmacêutica com a comercialização de milhares de químicos que nada curam, funcionando propositadamente como paliativo, porque a cura não dá lucro. Enfim, vivemos num mundo de loucos governado por charlatães.


Como é possível que, com o desenvolvimento tecnológico e científico actual e a todos os níveis, do planeta não tenham sido erradicadas doenças mortais? Estranho!

O que não tem cura, mesmo, é a morte e essa é o destino certo do mais poderoso ao mais miserável. Ambos apodrecem e viram pó. 

Na morte não há classes, somos todos iguais. Ela é democrática e não olha a galões.

Hasta la muerte!

João Bolívar





segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019




ZATOPECK

O mito checo, detentor de todos os recordes mundiais na longa distância, das 6 milhas aos 42, 195 kms!

O seu estilo era inconfundível. Desajeitado e permanentemente com um esgar de sacrifício devido às caretas que fazia enquanto corria.

Porém, treinava mais do que os outros, até à exaustão. Era o Ronaldo do seu tempo! No Inverno, entre épocas, treinava desenfreadamente enquanto os outros repousavam em suas casas. Metia na cabeça que era lento e que, por isso, tinha que treinar mais a resistência. Treinava também cada vez mais a velocidade, nas distâncias pequenas com dezenas de repetições, o que o fazia progredir notoriamente.
Nessa altura não se sabia o que era o sprint final. Emil inventou-o. Na altura, as táticas de corrida eram no sentido de dividir sempre o esforço e reparti-lo ao longo da prova. Preocupados com isso os corredores não ousavam poupar energia para a empregarem na parte final da corrida, na recta da meta, na sua máxima intensidade. Emil fazia-o e alternava também os ritmos de corrida durante as provas desgastando os adversários para dar a última estocada na recta final.
Corria como um animal, era o deus do atletismo!



Tal admiração acabou por ser aproveitada pelo regime checo dado o seu valor enquanto grande atleta mundial, para se promover. 
Emil era oficial do exército e à medida que batia recordes, era também promovido no exército chegando à patente de coronel, já no final da sua carreira. Sempre vigiado internamente e sobretudo nas suas deslocações ao estrangeiro.

Na chamada primavera de Praga em que era secretário Alexander Dubcek, que tentou instaurar uma democracia socialista, com mais liberdade para o povo checo e abertura ao ocidente, tolerância religiosa, proibição da censura, liberdade de se viajar para o estrangeiro e libertação dos presos políticos, o povo na rua, Emil na rua. Finalmente uma mudança que o povo abraçou, a sua revolução. Reprimida logo de seguida pelos tanques, soldados e aviação do Pacto de Varsóvia, a Primavera foi sol de pouca dura.
Emil, que tinha publicamente apoiado esta nova via democrática, foi desprovido e afastado do exército, de Praga onde vivia com a sua mulher Dana, outra atleta olímpica checa de lançamento do dardo, dela afastado e obrigado a trabalhos forçados numas minas de urânio. Anos mais tarde é autorizado a regressar a Praga e é promovido a jardineiro, tal como Dubcek.

Falece em 22 de Novembro de 2000, após ter sido acometido de um ataque cardíaco, no Hospital Militar Central de Praga.


Palmarés:
Ouro nos 5000 m, 10000 m e maratona dos JO de Helsínquia 1952; Ouro nos 10000 m dos JO de Londres 1948 e prata nos 5000 m; Ouro nos 10000 m dos campeonatos europeus de Berna, em 1954, bronze nos 5000 m nos mesmos campeonatos;  Ouro nos 5000 m e 10000 m, nos campeonatos da Europa de Bruxelas em 1950;
Isto para além dos recordes mundiais que foi coleccionando e das centenas de provas que ganhou ao longo da sua carreira desportiva.

EMIL ZATOPECK, A LENDA!

João Sprinter



ZATOPECK

Emil de seu nome. Se fosse hoje, talvez se chamasse Email Zatopeck, tal era a sua fantástica velocidade e resistência em provas de meio-fundo e fundo de atletismo. Nasceu na Checoslováquia em 19 de Setembro de 1922, na pequena cidade de Kopřivnice.
Provavelmente, as circunstâncias de vida da época em que nasceu e viveu, acabaram por moldar a sua personalidade como pessoa e como extraordinário atleta, guinado-o para o Olimpo, transformando-o numa divindade mitológica.
Na adolescência viveu o período conturbado da invasão do seu   país pelos nazis, altura em que era operário numa fábrica de calçado que se chamava Bata e frequentava uma escola profissional.  A fim de dar publicidade à sua marca, os donos da fábrica organizavam, frequentemente, torneios de futebol e uma corrida de corta-mato que se chamava Percurso de Zlim,  na qual, todos os que frequentavam o curso profissional, obrigatoriamente tinham que participar.
Emil detestava tudo o que se parecesse com actividade física e furtava-se, na escola, aos exercícios físicos e à corrida. Quando participava por obrigação era um sacrifício pessoal.



A primeira corrida em que participa é uma corrida de 9 km, organizada pela Whermacht, em Brno, em que participam uma selecção alemã, bem organizada, impecavelmente equipada e arrogante, defrontando um bando de rapazes checo, de aspecto famélico e andrajoso.
Termina a prova, a contragosto e sem dar por isso no segundo lugar e rapidamente se vai embora desgostoso. Este resultado deixou o treinador da equipa local de atletismo curioso. Diz-lhe: "corres de um modo bizarro mas não corres nada mal". Ficou-lhe na caixa dos pirolitos esta segunda proposição.
Por pressão dos seus amigos que frequentavam provas de corrida, aventurou-se com eles nos treinos que faziam e, apesar de ficar atrás, começou a tomar o gosto pelos sprints que fazia.
 Passadas uma semanas, começa a correr sozinho, por prazer, o que o surpreende e prefere não falar disso com quer que seja. Ao anoitecer, ao abrigo de olhares indiscretos, corre, o mais rápido que consegue, o percurso de ida e volta entre a fábrica e a floresta. 
Começa a dar nas vistas e o gosto pela corrida começa a correr-lhe nas veias.
Participa pela primeira vez em provas de pista de 1500 m e 3000 m, as quais ganha com facilidade.

 Nasceu o mito.






sábado, 2 de fevereiro de 2019



FRAQUEZA 


É complexo o ser humano. Todos somos diferentes mas todos temos qualidades, defeitos e fraquezas.
Uns mais que outros, gostamos de espalhar  aquilo que não somos ou aquilo que gostaríamos de ser nas redes sociais. Todos temos curiosidade de ver a porcaria dos outros exposta deliberadamente por eles próprios ao nosso olhar. 

Uma empresa, será que se pode chamar assim, decidiu explorar uma fraqueza do ser humano e fazer dinheiro com isso. De que maneira? Simples. Por uma quantia não despicienda, aluga aviões a jacto totalmente equipados e luxuosamente apetrechados no intuito de satisfazer o ego dos clientes, que se fazem fotografar como se estivessem a fazer a sua viagem de sonho para ostentação no FB, Instagram e quejandos. O curioso é que a viagem começa e acaba no mesmo sítio uma vez que os aviõezinhos tem asas mas não voam. 



Que mundo este amigos leitores. Vou ali dar umas cabeçadas na parede do meu quarto e já venho. 

João Freud


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019




CHARROCO

O charroco é a designação do linguajar de Setúbal, pelo menos de parte da cidade (zona de Troino, velho bairro de pescadores). Pronunciam os erres de uma maneira carregada e torna-se engraçado ao forasteiro audição tão original. 
Da minha estadia de anos na capital do sado ficou esta recordação dos seus habitantes. De alguma forma cheguei a ficar sintonizado com esta característica fonética, de tal maneira que por vezes já parecia um autêntico charroco.

Não se conhece a origem que teve por base este fenómeno linguístico. Existem especulações, uma das quais atribuída à emigração de e para França desde o século XIX, nomeadamente a presença de operários especializados que labutavam nas fábricas de conserva que aí existiam.


Ao certo ninguém conhece a origem do charroco. O que é certo é que, assim como muitos dialectos que se falam por aí fora (embora este não seja um dialecto), está ferido de morte. Os mais novos não estão para aí fadados e preferem outras modas.

João Andarilho

O UIVO DE MONTEJUNTO Porque resulta de interesse histórico e natural conhecimento, com a devida vénia se transcreve o texto infra . O Último...