terça-feira, 9 de abril de 2019




O VALE DA LUA DE PRATA


A noite, a lua e o luar, fascinação, deslumbramento! Há uma paz, uma tranquilidade e mistério. De repente estou só, apenas eu. O filtro é o luar, sentimentos à flor da pele, extraio de todo o meu âmago, soltam-se os demónios. Em êxtase sonho porque nada o impede, apenas eu... só no mundo dou largas ao sonho. Corro cego num vale de Luz, prenhe dos raios daquela Lua de Prata! No Vale da Lua de Prata o infinito alcanço, livre finalmente, voo! Há paz, o Eu, o Eu…

pixhome.blogspot.in


João Andarilho

segunda-feira, 8 de abril de 2019




PRAGA


Não é a capital da República Checa apesar de também ser a capital da República Checa. Estou a falar-vos da nova praga que atrapalha o pacífico andar num qualquer passeio das ruas das nossas cidades. São as silenciosas trotinetes eléctricas que, tal como bandos de pombos poisam em tudo que é local de usufruto público. Ele são passeios, jardins, ciclovias, inclusivamente no asfalto das ruas impedindo a passagem dos transeuntes e dos próprios trotineteiros. Irra! Estes simpáticos meios de locomoção, por sinal, são um meio já centenário embora só recentemente tenham tomado de assalto as nossas cidades. Por um lado ajudam à locomoção de pessoas de uma maneira limpa e não poluente mas, por outro lado, ajudam à sedentarização uma vez que não promovem o exercício através do simples acto de caminhar. Mas não vale a pena ir por aí que a conversa dá pano para mangas.
No fundo, onde pretendo chegar nesta intervenção é na falta de civismo que é apanágio do nosso povo, dos mais jovens aos menos jovens e isso aflige. Outro aspecto tem a ver com a questão da responsabilidade em caso de acidente contra terceiros. O que será que acontece se um dia levar com um pombo destes em cima de mim. Acreditem, parece uma ave ligeira mas longe disso, é compacta robusta e pesada e à velocidade que vai, atingindo uma pessoa ou uma criança pode resultar em ferimentos graves ou a própria morte. Não sei se as autoridades já pensaram no assunto, se os responsáveis pela adopção de legislação já estarão em cima destas trotinetes  do ponto de vista da segurança ou da falta dela.


Entretanto amigos, o melhor é espreitarmos melhor à nossa volta não vá a providência reservar-nos uma desagradável surpresa ou um encontro imediato do terceiro grau. Mal por mal prefiro uma cagadela de pombo.

João Precavido

domingo, 7 de abril de 2019



O LUCAS E O GIL


Ontem fui assistir a um concerto de uma banda que, sinceramente não conhecia. Mas como estava incluída num pacote de três concertos, de bom grado comprei e adquiri. 
Ainda bem que assim foi, porque, após o interregno musical e uma vez que o estômago reclamava, fomos à Maria Bonita e reencontrámos uns maravilhosos hambúrgueres dos quais somos clientes ocasionais mas indefectíveis. Já por lá satisfizemos o estômago em algumas ocasiões e até já damos de barato que os simpáticos rapazes que nos atendem acabem por memorizar as nossas caras atentas as vezes que lá fomos. Tanto assim é que, o primeiro comentário que faço à laia de cumprimento é um " viva o Corinthians". Azar dos azares responde-me sempre o mesmo moço brasileiro, o Gil, com alguma azia, uma vez que é do Flamengo. O companheiro dele é o Lucas e esse, sim, é corinthiano. Mas faço sempre confusão. 
Conversa puxa conversa e porque felizmente o meu amigo João é extrovertido, bem disposto e dispõe bem as pessoas, a páginas tantas o Gil, o mais extrovertido dos moços que nos atenderam, sai-se com esta: "vocês podem não acreditar, mas dos anos que ambos estamos aqui nesta roulote a atender as pessoas que até nós se dirigem, vocês são os mais simpáticos e com quem connosco dialoga de uma maneira franca e aberta". Lembram-se perfeitamente da primeira vez que lá fomos e da conversa que com eles tivemos, que tínhamos vindo de Lisboa, de um concerto do Van Morrison! Fantástico!
Isto tocou-nos e não preciso de dizer mais. Tudo isto reflete o tipo de sociedade em que nos transformámos. Gente, juventude vazia, oca, sem valores diria mesmo que perdida que não consegue encontrar uma bóia de salvação. Isto dói, comove.
Por um lado, esta revelação do Gil encanta-me e certamente encantará ao amigo João, por ser um reconhecimento da nossa integridade como seres humanos mas, por outro lado, entristece-nos profundamente pelo que encerra de solidão, de superficialidade, de falta de solidariedade, de desprezo com o próximo, de racismo e/ ou xenofobia da nossa sociedade, da nossa juventude. Bem dito bem feito, logo ali apareceram meia dúzia de jovens e é como se tivessem aparecido meia dúzia de zombies, de tristes e o futuro vai ser isto! Estamos tramados...

Os PAUS, é o nome da banda, uma orgia de bateria. A rever...



João Melómano



sábado, 6 de abril de 2019





BOATO


No meu tempo chamava-se assim mesmo, hoje em dia chamam-se "fake news". É mais chique, cócó...tá na moda, porreiro pá.

Através dos poderosos mecanismos de controlo sobre a CS, mais fácil se torna lavrar terreno para que nele germine uma sociedade formatada e educada segundo São Capital, São Fascismo, ignorante e disciplinada. Aqui o papel das "fake news", no meu tempo era o boato, é peça fulcral e da inação popular e no seu atavismo bacoco, não é necessário que o boato se escreva muitas vezes para passar a ser uma verdade redundante. Pobre povo, pobre nação…

Já em 75 nos falava Vasco Gonçalves, como que premonitoriamente, acerca desta figura sinistra caraterística de gente perversa, numa entrevista à RTP, Rádio Televisão Portuguesa e não Rádio Televisão de Portugal, que passo a transcrever:

« Assim, ela ataca em todas as frentes (A Reacção), cria os boatos mais inverosímeis e seria, talvez, preciso criar a nível nacional um serviço antiboato, para esclarecer permanentemente as pessoas. Contudo, as pessoas devem, também, habituar-se a resistir à influência desses boatos. A lucidez política e ideológica, o próprio senso comum, deve levar as pessoas a não acreditarem em tudo o que lhes dizem, a raciocinarem, quer dizer, a verificarem na prática, pelos actos quotidianos, se determinados boatos correspondem ou não à realidade e então, com tanta frequência, mas não correspondem à realidade porque são boatos. A primeira atitude a ter é não acreditar no boato, até prova em contrário. Essa é que é a atitude científica. Primeiro a gente não acredita de facto nele, porque a experiência mostra-nos que 99,9 por cento dos boatos são mentiras: trata-se de lançar essa mentiras com objectivos determinados.»

***



45 anos após após o derrube do regime fascista de Salazar e Caetano, uma grande parte do nosso povo pouco ou nada sabe sobre o 25 de Abril de 1974, sobre os seus protagonistas e o que ele representou para o futuro da jovem democracia. Precisamente um dos protagonistas foi  Vasco Gonçalves, general das Forças Armadas, figura fulcral da revolução do Movimento das Forças Armadas e do Pacto Povo/MFA.


Anexo o seguinte link com uma descrição sumária deste chefe militar, conhecido e imortalizado por "Companheiro Vasco", extraída da secção em Português do Marxist Internet Archive, e incluída no blogue " Associação Conquistas da Revolução".

https://www.marxists.org/portugues/goncalves-vasco/index.htm



quinta-feira, 4 de abril de 2019




TÂMARA ALVES



Já tinha apreciado alguns trabalhos desta artista lusa, nascida em Portimão e logo me chamou a atenção. Soube mais tarde que tinha pintado, recentemente, algures junto à Estação de comboios de Entrecampos em Lisboa. Debalde uma primeira tentativa fui feliz à segunda e logrei descobrir o espaço público onde algumas das suas obras estão expostas, para gáudio de quem passa, sejam pobres ou ricos, amarelos, brancos ou pretos, gente comum, gente do povo, uma maravilhosa galeria que vale a pena espreitar e olhar com olho crítico.


O que me atrai nos seus trabalhos é o modo como retrata o quotidiano de uma maneira muito própria, tão cheia de expressividade. As suas pinturas têm algo para nos tocar, para nos transmitir, agarram-nos e dizem-nos alguma coisa. Não nos deixa indiferentes. Para mim, é isso, a arte seja de que forma se nos é apresentada tem que falar connosco, interrogar-nos, falar-nos e a nossa interpretação do que nela vemos, embora sempre subjectiva, como é óbvio, agarra-nos ou deixa-nos indiferentes.

 Certamente esta artista é mesmo artista e falou comigo e eu com ela numa linguagem que só o coração pode descrever.




Bem hajas amiga, tens um linguajar teu, muito próprio e de uma grande sensibilidade artística que tanto me tocou.

O teu


João Andarilho

quarta-feira, 3 de abril de 2019



se não sai de ti a explodir
apesar de tudo,
não o faças.
a menos que saia sem perguntar do teu
coração, da tua cabeça, da tua boca
das tuas entranhas,
não o faças.
se tens que estar horas sentado
a olhar para um ecrã de computador
ou curvado sobre a tua
máquina de escrever
procurando as palavras,
não o faças.
se o fazes por dinheiro ou
fama,
não o faças.
se o fazes para teres
mulheres na tua cama,
não o faças.
se tens que te sentar e
reescrever uma e outra vez,
não o faças.
se dá trabalho só pensar em fazê-lo,
não o faças.
se tentas escrever como outros escreveram,
não o faças.
se tens que esperar para que saia de ti
a gritar,
então espera pacientemente.
se nunca sair de ti a gritar,
faz outra coisa.
se tens que o ler primeiro à tua mulher
ou namorada ou namorado
ou pais ou a quem quer que seja,
não estás preparado.
não sejas como muitos escritores,
não sejas como milhares de
pessoas que se consideram escritores,
não sejas chato nem aborrecido e
pedante, não te consumas com auto-devoção.
as bibliotecas de todo o mundo têm
bocejado até
adormecer
com os da tua espécie.
não sejas mais um.
não o faças.
a menos que saia da
tua alma como um míssil,
a menos que o estar parado
te leve à loucura ou
ao suicídio ou homicídio,
não o faças.
a menos que o sol dentro de ti
te queime as tripas,
não o faças.
quando chegar mesmo a altura,
e se foste escolhido,
vai acontecer
por si só e continuará a acontecer
até que tu morras ou morra em ti.
não há outra alternativa.
e nunca houve.
Charles Bukowsky

Poeta, contista e romancista norte americano
(Singela homenagem ao meu camarada e amigo  poeta/contador,  de Valmedo que hoje completa 55 primaveras)
João Andarilho

terça-feira, 2 de abril de 2019



GARCIA DE ORTA


Garcia de Orta, nasceu em Castelo de Vide no distrito de Portalegre, em 1531. De ascendência judia, bacharelou-se em Artes e licenciou-se em Medicina e Filosofia Natural em Espanha, país de onde tinham sido expulsos os seus pais em 1492.
Regressado a Portugal exerceu medicina tendo sido médico do Rei D. João III
Foi-lhe atribuído o lugar de professor de Filosofia Natural na Universidade de Lisboa, onde tinha uma grande paixão pelo conhecimento, dando grande importância à observação e aos sentidos para a realização de descobertas.
Emigrou para a Índia e em Goa familiarizou-se com a literatura médica da Índia e com a grande variedade de plantas, animais e resinas utilizadas para o tratamento de doentes. Em Goa, curiosamente chegou a conhecer o até aí desconhecido poeta, Luís de Camões, que lhe terá dedicado alguns dos seus poemas.
Da sua paixão pela natureza resultou a criação de um jardim botânico em Bombaim. Para conhecimento da humanidade deixou-nos  a obra "Colóquios dos Simples e Drogas he cousas Medicinais da Índia" que incidia no estudo de espécies de plantas da Índia e as suas aplicações na Medicina.
Apesar de nunca ter tido problemas com a Santíssima Inquisição, após a morte os seus restos mortais,  juntamente com exemplares do seu livro, foram queimados em Auto de Fé.
Actualmente existe um hospital em Almada com o seu nome bem como uma escola secundária no Porto.

E um jardim 

JARDIM GARCIA d´HORTA

Que nasceu na zona oriental de Lisboa na sequência da realização da EXPO 98 e integrado para sempre no actual Parque das Nações, para gáudio do passeante na zona. Para quem aprecia a natureza tem a oportunidade de observar, ao longo do grande corredor que constitui o jardim e que está dividido em 5 talhões, vegetação da floresta temperada de Macau e ilha de Coloana, vegetação de Goa com citrinos e palmeiras, passando pela floresta tropical e húmida de São Tomé e Príncipe (bananeiras, palmeiras, estrelícias gigantes e jacarandás), flora da macronésia que inclui os arquipélagos da Madeira dos Açores e de Cabo-Verde e, finalmente, as planícies da Costa Oriental de África, a savana alta e a estepe desértica a sul desse continente.


                         
É deslumbrante este passeio ao longo dos vários climas e o chilrear da passarada é uma bela sinfonia de sonoridades. De negativo posso apontar a música que sai da longa fileira de bares e restaurantes, que está em completa desarmonia com o ambiente tropical.




Ao lado deste corredor podemos apreciar também, toda a linha de água que constitui o Tejo, a ponte Vasco da Gama e do outro lado  da margem, Montijo e Alcochete.





Um belo passeio, embora fugaz, mas que deu para ajudar à digestão da rápida refeição do almoço.

João Attenborough









O UIVO DE MONTEJUNTO Porque resulta de interesse histórico e natural conhecimento, com a devida vénia se transcreve o texto infra . O Último...