quarta-feira, 23 de janeiro de 2019




MACABRO


Como se tem vindo a constatar um pouco por todo o mundo, começam a ressurgir os fantasmas do fascismo e nazi-fascismo e de regimes conotados com ideias ligadas a esses tipos de ideologia, que têm a sua origem numa abordagem e propagandas populistas, em face das crises políticas e económicas que por este mundo grassam. Tais crises provêm dos finais dos ciclos de produção capitalista «devido ao excedente absoluto de capital o que, sem condições objectivas de realimentar o circuito de valorização, a queima da riqueza se torna um imperativo do metabolismo do capital». A consequência imediata são os cortes salariais dos operários e da classe trabalhadora, os despedimentos e os cortes no investimento público, levando à degradação da qualidade de vida das populações. Este clima de descontentamento é aproveitado por esses grupos ligados à extrema direita e  populistas e em alguns casos usando da violência, para atingir os seus objectivos de tomada do poder de uma forma democrática, resultante da consulta às urnas.

Um exemplo extremo demonstrado nas urnas, foi a ascensão do partido nazista na Alemanha, apoiado pelos grandes grupos económicos alemães. Um regime bárbaro e criminoso que deu origem à guerra mais devastadora em termos de destruição e perda de vidas da humanidade.



Existe até um lado macabro da governação nazista: « foi o primeiro regime no mundo a reconhecer o direito dos cães, em 1933. No ano em que Hitler abre o campo de concentração de Dachau, para prisioneiros comunistas, trotskistas e social-democratas e líderes dos sindicatos, fez inflamados discursos públicos contra a crueldade contra os animais e, em 1934, proibiu a caça. Em 1937, regulou o transporte de animais por estrada e, em 1938, o de comboio para que os animais fossem transportados em condições decentes, (os mesmos vagões onde os judeus iriam como porcos a caminho da morte). Hitler proibiu, ainda, as experiências científicas com animais, mas fez experiências com judeus, acusados de serem não-humanos por… praticarem uma medicina que usava os animais para experiências.»
Fonte: Raquel Varela (historiadora)

João Andarilho

terça-feira, 22 de janeiro de 2019



DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM


Artigo 1.º
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.
Artigo 2.º
Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou outra, origem nacional ou social, fortuna, nascimento ou outro estatuto.
Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela, autónomo ou sujeito a alguma limitação de soberania.
Artigo 3.º
Todas as pessoas têm direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Blá, blá blá
Hoje recebi a notícia de que a uma pessoa amiga lhe foi diagnosticado um câncer na próstata, presumivelmente maligno e presumivelmente de grau 4. Não me sinto confortável em escrever sobre este infortuno acontecimento que condói uma família. 
Mas queria desabafar e o meu desabafo é este: cada vez mais se tem notícia do flagelo que é para a humanidade, o aparecimento deste género de doenças supostamente de difícil cura quando em estado mais avançado. 
Isto dá-me azo a divagar. A humanidade está perdida quando o que deveria ser prática dos estados e que se encontra consagrado na Lei Universal dos Direitos do Homem , não é posto em prática. O direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal, todos são iguais perante a lei e sem qualquer discriminação, é letra morta. 
E é letra morta porquê? Porque a sociedade tal como existe é uma sociedade que tenta sobreviver ao garrote de quem a explora. É um mundo cão. Quando deveria haver direito ao trabalho, justamente remunerado e em igualdade de género, o direito à saúde e à educação tendencialmente gratuita, o direito à fruição da cultura e a promoção da actividade física pelo Estado, quando o homem e a mulher deveriam ter horários de trabalho compatíveis com o bem estar da família, quando finalmente o semelhante fosse compreensível e tolerante para com o outro, as doenças, crónicas, benignas ou malígnas, não teriam tendência a manifestar-se.
Isto é um problema que terá de ser resolvido pela sociedade e fundamentalmente por ela.
Andamos a matar-nos uns aos outros, pelo ciúme e pela inveja, pela falta de oportunidades, pela promoção, por mais dinheiro, porque este é preto e aquele amarelo e não vemos que a felicidade não é isso nem está aí. Às vezes basta olhar para o lado e encontrá-la nos olhos brilhantes do pequenino seu filho ou no olhar ternurento do amor da sua vida.
Falta virar a página para que o milagre aconteça e não aconteça chegarmos ao dia da desesperança em que, fazendo uma retrospectiva da vida, chegarmos à horrível conclusão de que foi um grande desperdício.
Arrepiemos caminho quanto antes.
João Andarilho









sábado, 19 de janeiro de 2019




PANTERA NEGRA

Mais conhecido no meio futebolez por Eusébio da Silva Ferreira, falecido há cinco anos, foi um mago da bola e um dos melhores avançados do Benfica e do futebol português. Nascido em Moçambique veio para Portugal, salvo erro com a idade de dezanove anos. A sua transferência foi uma história recambolesca, ainda hoje mal contada onde abundam versões contraditórias. Oriundo do Sporting Clube de Lourenço Marques estreou -se pelo Sport Lisboa e Benfica no início da década de sessenta, numa equipa onde pontificavam grandes senhores do futebol português e da selecção nacional. Pessoa extremamente simples ( dirigia-se a Mário Coluna, seu conterrâneo, por Senhor), mas de grande categoria foi a grande figura do futebol encarnado até aos dias de hoje. 
Cheguei a vê-lo jogar pela equipa do União de Tomar, no ocaso da sua carreira, defrontando o Sporting Clube de Portugal num jogo em que na baliza leonina pontificava, Vítor Damas. O resultado não ficou registado na minha memoria. Na memória sim esse jogo por ter sido o único em que o vi actuar ao vivo. Cumprimentei-o meia dúzia de anos antes do seu falecimento num encontro fortuito em Benfica, numa ocasião em que nos cruzámos na via pública.
Em toda a sua carreira, dada a sua simplicidade e categoria, foi um jogador bastante sacrificado pelas entradas violentíssimas por parte dos seus adversários, tanto que foi obrigado a ir à "faca" variadíssimas vezes, às articulações dos joelhos. Jogou dezenas de jogos em inferioridade física por causa das dores, porém, os abutres do futebol exigiam a sua presença. 
Acabou a carreira de rastos na América do Norte. Só anos mais tarde foi homenageado pelo seu clube de coração e passou a ser o seu embaixador itinerante.
Já depois de retirado, ainda fez uma perninha, aqui e ali em jogos de beneficiencia, como foi o caso de ter alinhado pela União Desportiva de Leiria, conforme reportagem que anexo, publicada no Jornal de Leiria na sua edição de 10 de Janeiro de 2019.




João Special One

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019





ARY



Ary dos Santos, morre em 18 de Janeiro de 1984, com a idade de 47 anos no auge da sua juventude e com uma vitalidade que transportava para a sua obra literária e poética.
Era um desconstrutor da palavra e na poesia erudita casava a simplicidade da vida sem nunca recorrer ao popularucho e poesia barata. A simplicidade da sua poesia saía-lhe poderosa da alma tal como poderosa foi a sua vida sempre intensamente vivida. Aliada à qualidade poética era um declamador poderosíssimo que traduzia na voz e na pena o que lhe vinha do seu profundo ser. 
Nascido em berço de ouro, de uma família aristocrata, cedo traiu as suas raízes misturando-se com o povo, sentindo suas as suas mágoas e misérias, lutando sempre pelas causas e justiça sociais, contra a ditadura e a exploração.
Comunista por opção e convicção escreveu o poema "A Bandeira Comunista" de um fôlego.


Era um génio entre os seus contemporâneos e inexplicavelmente, ou talvez não, a sua poesia não faz parte dos programas escolares. Raramente é recordado nos meios da comunicação social. Como autor de tantas das mais bonitas canções populares portuguesas, não se compreende tanto silêncio e incompreensão.

Dele dizia Baptista Bastos: uma poesia viril, uma voz indomada e indomável, bem expressa no poema "Poeta Castrado, não"


Ary está e estará sempre presente hoje e amanhã quando for preciso gritar contra o medo e a repressão e pela liberdade contra os totalitarismos.

João Soneto



MALINO



Alexandre Catarino (guitarras e stomp box) e Luis Ildefonso (guitarras) são os MALINO, banda formada em 2015 pelo primeiro à qual se juntou posteriormente o segundo.
Guitarristas portugueses, originários de Beja, cuja banda se caracteriza por uma dinâmica musical muito forte, cheia de melodias e ritmos contagiantes, utilizando apenas guitarras acústicas acompanhadas por instrumentos de percussão.
Musicas com sonoridades do mundo, que vão de África à América Latina, passando pelo flamenco e também pelo "rock" e nos levam a viajar pelos 4 cantos do mundo, num misto de sensações e emoções inolvidáveis.

Há boa música e bons músicos no nosso país, gente competente.
Vale a pena ouvir e ficar fã…



João Musicólogo

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019




EMEL


Não é verdade que essa coisa não exista! O Wikipedia está desactualizado! Em Telheiras, local onde resido, a EMEL existe oficialmente desde o passado dia 14-01-2019.

Bem vinda EMEL ao bairro de Telheiras e dou três urras porque era preciso disciplinar o estacionamento caótico que se vivia no bairro, nomeadamente junto à estação do metropolitano!
Pasmo! Na rua onde resido e num beco transversal, de repente deixou de se estacionar em local proibido devidamente sinalizado! Moro há trinta e cinco anos nesta rua e é a primeira vez que vejo o arruamento em frente à minha janela, com duas vias de circulação completamente livres aumentando a segurança de quem ali circula de automóvel. Viva a EMEL, essa coisa!

Era preciso vir esta coisa para o meu bairro? Era! Era preciso ter sido criada esta coisa que dá pelo nome de EMEL ao tempo em que foi criada? Não, na minha opinião. Aparentemente contraditórias estas duas respostas tem a sua justificação:

A EMEL nunca foi necessária para regular o trânsito na cidade. Antes da EMEL regular o estacionamento em Lisboa, o estacionamento não era fácil mas arranjava-se. Havia abusos e infracções ao código da estrada, havia, como há hoje. O estacionamento está devidamente enquadrado na lei e em zona proibida é perfeitamente sancionado pelo CE. O que falta então? aplicar a lei, digo eu. Ora aí é que a porca torce o rabo. A autoridade policial está devidamente instruída para fazer olhos de mercador às infracções, ou por falta de meios ou porque dá chatices. O aparecimento da EMEL como justificação para o marasmo das autoridades policiais e militarizadas foi um passo! Ouro sobre azul! Criava-se uma empresa municipalizada sustentada pelo dinheiro dos munícipes. Que mina de ouro. Com um conselho de administração cujos membros são generosamente retribuídos. 

É um facto que à medida que a EMEL se expandia pelos bairros, os bairros limítrofes ainda não intervencionados eram alvo de um assalto de automóveis que procurava furtar-se ao pagamento das taxas proibitivas para o bolso dos cidadãos. Era o que acontecia em Telheiras até agora. Isto é feito paulatinamente ao longo dos anos de bairro para bairro, não havendo praticamente na cidade bairro que não tenha esta coisa. O mais incongruente e dramático de tudo isto é que a criação da odiosa EMEL, provocou um sentimento de necessidade da sua instalação nos bairros que passaram a servir de estacionamento selvagem à medida que avançava de bairro para bairro.


VIVA a EMEL!

João Parcómetro

terça-feira, 15 de janeiro de 2019




FARPAS


Ontem mesmo dei um salto à Gulbenkian para ouvir dois bons actores, José Pedro Gomes e Tiago Rodrigues lerem e encenarem alguns excertos de "As Farpas", com que Eça, nesse explícito porém fantástico folhetim partilhado com Ramalho Ortigão, caricaturou a sociedade portuguesa de então.


Irónico em abono da verdade é que a audiência ria mas a crítica era-lhe dirigida. A pobre não compreendia ou fingia não compreender. Eu chorava de raiva, mas baixinho. A sociedade não mudou, continuamos a ser o mesmo povo mole, dócil e temente, beato.  Nada mudou ao longo dos séculos. Afinal do que gostamos mesmo é de uma boa ditadura.



« Todos os jornais, na época das eleições, têm os seus candidatos predilectos. Os jornais franceses apresentam os nomes deles, à adesão pública, no alto da página, num tipo enorme; os jornais portugueses diluem-nos numa prosa fluída nos seus artigos de fundo.
Nós também temos dois candidatos queridos.
São:

O dr. João das Regras.
O condestável Nuno Álvares Pereira.

São estes dois cavalheiros, - cidadãos! - a expressão gloriosa da sua pátria: um é o seu pensamento jurídico, outro o seu valor heróico. Qual será o cidadão liberal e inteligente que recuse o seu voto a estes dois homens históricos? Valerá mais o sr. José de Morais, ou o Sr. Coelho do Amaral? E depois quem como o dr. João das Regras velaria pelos foros populares? Quem como o condestável saberia manter a independência da pátria? - à urna, cidadãos!
Podem apenas pôr-nos uma objecção,  - pequena por si, mas que talvez influa nos ânimos timoratos - é que o doutor e o condestável morreram há quatro séculos!
Pois bem, nós afirmamos que nada importa isso, porque eles estão em identidade de circunstâncias com a grande parte dos candidatos que se apresentam por esses círculos, de Norte a Sul do país! Sim, todos esses senhores - estão tão mortos como João das Regras, como D. Nuno Álvares Pereira!
Debalde passeiam! debalde falam! Estão mortos, viver para sentir fisicamente é simples - basta que o sangue circule, que o alimento se digira, que os pulmões trabalhem. Mas viver para legislar e pensar, é mais complexo - é necessário que a inteligência, a imaginação, a consciência trabalhem, actuem, estejam em vigor. Ora grande parte dos senhores candidatos, têm aquela porção do seu ser tão morta como o dr. Regras, ou o condestável Pereira.
Com efeito, no sentido de legislar, organizar, dirigir um país - viver é ser do seu tempo, estar no seu momento histórico, estar na corrente de ideias da sua época, ajudar a criação social do seu século, estar na direcção do progresso, e na comunhão das ideias novas. Ser legitimista de 1820, ou cartista de 36, ou cabralista de 45, ou regenerador se 51 - não é viver, é recordar-se. Ora por este lado quem sabe também se os mortos se recordarão?
Por consequência, como a maioria dos candidatos, estão mortos e embalsamados no seu próprio corpo - estão na categoria em que se acham os defuntos srs. Regras e Álvares Pereira.
Propomos pois:
O doutor!
O condestável!

Podem todavia observar-nos que:
Sendo verdade (como é) que os senhores deputados estão mortos no seu espírito - é também verdade que estão vivos no seu corpo - que podem dizer presentes! na chamada - e que nesta condição não está o doutor e o condestável, os quais sendo um punhado hipotético de pó não podem ter a pretensão, verdadeiramente tirânica, de dizerem presentes! - como o sr. Melício, ou o sr. Carlos Bento - que são de carne esses!
Pois bem! Uma vez que é necessário um vulto, um corpo, uma pouca de matéria, para que o srs. secretários os possam tomar como personalidades - propomos:
A estátua de Camões.
A estátua de João de Barros.
Não nos dirão decerto que estes não tenham vulto, medida, forma e peso! À urna pois!
Mas podem fazer-nos sentir:
Que se estes últimos cavalheiros têm a condição corpórea, lhes falta a condição vocal - aquela grande condição de deputado que consiste em dizer:
- Apoiado!
Nesse caso, como nós não temos a pretensão de provar que o bronze e a pedra sejam de uma extrema facilidade de locução, propomos:
Dois papagaios à escolha do sr. marquês d´Ávila!»

"As Farpas"




João Satírico




  O PALITAR DA VIDA   Como os dentes devemos palitar a vida todos os dias. Sou do tempo em que não havia modernices ao estilo do fio den...